"Vamos ver se ele consegue fazer mais golos em Portugal do que eu fiz"
Atento às qualidades de um jovem que também começou por se revelar no Vasco da Gama, o antigo finalizador clínico do FC Porto e do Sporting vai aplaudindo de poltrona as performances do "sucessor". "Vamos ver se ele consegue fazer mais golos em Portugal do que eu fiz. Espero que sim, vou torcer por isso", lança Jardel em tom de desafio e de estímulo, ele que assinou mais de 180 golos no período dourado que viveu no futebol português, tempo em que foi elevado a principal inimigo dos guarda-redes.
Se Kardec aprecia o paralelismo - "Fico feliz por falarem de alguma semelhança entre mim e o Jardel", disse o 31 do Benfica -, Super-Mário, que agora, a caminho dos 37 anos, vive inédita aventura no futebol búlgaro defendendo as cores do Cherno More, rejubila com a possibilidade de estar a nascer um novo "Super". "Não é fácil, mas consegui ser artilheiro no campeonato português por cinco vezes. E ele tem características para triunfar e vir a ser tão acarinhado como eu fui, pois também chegou ainda jovem. Tem condições para vir a ser Super-Kardec, mas, lá está, tem de ser artilheiro, tem de fazer golos. Foi assim que me fiz Super-Mário", recorda.
"Sempre fui forte na área e vejo que o Kardec também se destaca nesse aspecto. Já no tempo em que ele jogava no Vasco da Gama se falava nisso e nas parecenças físicas. Mas há outros pormenores comuns: a forma como, por exemplo, se movimenta na grande área e como, para iludir a marcação, dá um passo à frente para depois dar dois atrás para se libertar e poder ser servido e finalizar."
Desde Varna, a quatro mil quilómetros de distância, Mário Jardel antevê uma luta renhida entre o benjamim Kardec e o experiente Cardozo por uma vaga no ataque do Benfica. E aconselha mesmo Jorge Jesus a guiar-se apenas pelos golos, pondo de lado o peso dos nomes na hora de escolher o melhor onze. "Aqui é que vai ser duro, e a sorte também conta. Tem de jogar quem fizer mais golos. Se marca, joga; se não marca, não joga. É simples. O Kardec, se estiver a marcar golos em série como agora na pré-temporada, tem de jogar, independentemente do valor do Cardozo, que é um grande goleador."
Importante para um bom desempenho, lembra Jardel, é que Kardec seja "bem servido na grande área". "Desde que isso aconteça, ele depois trata de meter a bola na baliza", atira confiante o ponta-de-lança que foi Bota de Ouro europeu nas temporadas 1998/99 (FC Porto) e 2001/02 (Sporting), "despedindo-se" do 31 do Benfica com votos de felicidades: "Que seja um grande ano! Ele a marcar aí, e eu a marcar aqui no Cherno More."