"Rui Patrício é o jogador mais em forma na equipa dos leões e a equipa já lhe deve muito. O Sporting que aproveite, enquanto o tem, pois Helton só deve durar mais um ano ou dois..."
A semana passada não me foi possível comentar a jornada pelo que faço uma breve referência ao Benfica – Porto. Foi o melhor jogo deste campeonato e teve um resultado justo porque no desporto a sorte conta e o Porto foi bafejado pela sorte em dois lances cruciais: A infeliz intervenção de Artur no segundo golo do Porto, muito bem aproveitada por Jackson e o remate de Cardozo que desviado por Helton foi ao poste. No primeiro golo do Porto fica a dúvida se a bola não toca na cabeça de um jogador portista antes de ser desviada para a baliza por Mangala. Tanto no estádio como depois na televisão, fiquei com a ideia de que o árbitro decidiu bem e o golo é limpo. Depois dos primeiros vinte minutos jogados a um ritmo pouco habitual no nosso campeonato, o jogo serenou mas manteve um alto nível, demonstrando que estas são até agora e sem margem para dúvida, as duas melhores equipas. O árbitro foi fraquinho, como costuma ser, mas é melhor um árbitro fraco mas que erra indiscriminadamente, do que outro que não falhando tanto, falha sempre para favorecer o mesmo. É portanto compreensível a decepção do Porto que contava com a sua equipa de arbitragem favorita, aquela que lhe deu a vitória e o campeonato da época passada, neste mesmo estádio. Mas o mais importante é dar os parabéns às duas equipas pelo excelente espectáculo que proporcionaram a quem lá esteve ou viu o jogo pela televisão. Passemos a esta jornada
SC Portugal – Beira-Mar: Mais uma vitória do Sporting, desta vez jogando fora de casa, o que não acontecia há muitos meses. Tal como as duas anteriores, uma para a taça da liga e outra para o campeonato, o Sporting venceu mas não convenceu. Embora mostre mais solidez defensiva, o Sporting não tem uma dinâmica de ataque definida, vivendo muito de iniciativas individuais, como é o caso de Capel, jogador esforçado e talentoso mas que se agarra tanto à bola que quando a quer passar, já está, a maioria das vezes, rodeado de adversários, não conseguindo dar o melhor seguimento às jogadas. Valeu o grande golo de Carrillo, rematando forte e colocado de fora da grande área. De resto, lá apareceu a tremedeira defensiva do costume, nos últimos minutos de jogo. Valeu o grande guarda-redes que é Patrício, como também vem sendo hábito. Rui Patrício é o jogador mais em forma na equipa dos leões e a equipa já lhe deve muito. O Sporting que aproveite, enquanto o tem, pois Helton só deve durar mais um ano ou dois...
FC Porto – Paços de Ferreira: vitória justa da equipa do Porto, perante um Paços muito certinho a defender mas ineficaz a atacar. Na primeira parte, os pacenses só tiveram uma oportunidade digna desse nome já mesmo no fim, enquanto por várias vezes iam sofrendo golo. Aquilo que o engenho não conseguiu, foi conseguido com a sorte. Alex Sandro faz um cruzamento mal medido para dentro da área, tão mal medido que a bola entrou na baliza, para desespero e estupefacção do pobre Cássio. A partir daí o Paços ainda tentou ser mais atrevido mas o mal estava feito e as melhores oportunidades continuaram a ser do Porto, que ainda fez o segundo golo por Izmaylov, (não confundir com Izmailov, antigo jogador do Sporting). O russo do Sporting estava sempre semi ou totalmente lesionado e quando jogava parecia estar a fazer um frete. Fazia lembrar outro ex-jogador do Sporting, o famoso “maçã podre”. O russo do Porto, pelo contrário, respira saúde e motivação. Com ele e com James, que deve estar quase a regressar, o Porto será um ainda mais sério candidato ao título.
Moreirense – SL Benfica: Jogo tranquilo com vitória justa do Glorioso. O Moreirense, que está num destacado último lugar, já com seis pontos a menos que o penúltimo, costuma dar o litro sempre que joga com o Benfica, o que só lhe fica bem. Foi o que aconteceu neste jogo do campeonato, valorizando a vitória do Benfica. Numa partida sem grandes motivos de interesse e não muito bem jogada, destaque-se a tranquilidade do actual líder da prova, ao não se perturbar por ter chegado ao intervalo com a partida empatada. Com um grupo cheio de bons jogadores, desta vez coube a Salvio ser a estrela da companhia, bem acompanhado por Lima e Luisão. O defesa central não acusou o facto de ter vindo de uma lesão e estar há bastante tempo sem jogar, só lhe falta voltar a ser um temível jogador de cabeça, quando há cantos a favor do Benfica.
Algumas notas finais:
Começa a notar-se um padrão nestas idas para o Porto de jogadores do Sporting. Começa por um encontro “casual” com alguém ligado ao clube nortenho. Depois os jogadores começam apresentarem-se lesionados ou desmotivado ou ambas as coisas. Auferindo altos ordenados, ainda mais caros se tornam por não renderem desportivamente. Apertado com dificuldades financeiras, o Sporting começa a pensar o que há-de fazer a esses jogadores. Surge então o Porto, oferecendo bem menos do que o jogador em princípio vale e também um outro elemento do plantel do qual se quer ver livre. O Porto vai assim buscar ao Sporting, jogadores de qualidade, já habituados ao futebol português e que teve a oportunidade de acompanhar de perto. E pagando bem menos do que os jogadores valem. Isto, enquanto os dirigentes do Sporting estão ocupados com intrigas e rivalidades internas, falando e escrevendo para a comunicação social as maiores barbaridades, enquanto o seu património humano é vendido a preço de saldo. Não sei o que será mais lamentável, se a cegueira e a falta de uma tomada de posição firme por parte do Sporting, se a falta de ética dos jogadores e do clube que os alicia.
O que se está a passar com Jesualdo Ferreira representa o que de mais ridículo e aberrante existe na burocracia em Portugal. O agora treinador do Sporting é das pessoas com mais habilitações académicas e profissionais em Portugal, para exercer o cargo de treinador. Mas como lhe falta um papeleco qualquer, é obrigado a estar longe da área dos treinadores, dando disfarçadamente as suas instruções, como se estivesse em semi-clandestinidade. Não sei quanto tempo mais irá esta situação durar, mas em cada dia que passa, é realçado o facto de, em Portugal se dar muitas vezes mais importância à forma do que ao espírito das leis.
O presidente do Braga continua o seu tirocínio para se tornar daqui a alguns anos presidente do clube dos quinhentinhos, fruta e conselhos matrimoniais. Os seus comentários sobre a arbitragem proferidos após o Braga-Setúbal, devem ter enchido de orgulho o seu mentor.