09 janeiro 2013

Duelo de gigantes à vista


Que condições de trabalho tem um treinador, quando a segunda figura mais importante do clube, o seu presidente da Assembleia Geral, diz numa entrevista que o treinador já não é treinador, só que ainda não o sabe? Poderá alguém trabalhar assim?

Enquanto o Sporting prossegue a sua caminhada para o abismo, já as atenções se viram para a próxima jornada e para mais um Benfica – Porto, que não sendo de forma alguma decisivo, não deixará de representar um ascendente psicológico para a equipa que ganhar, moralizando-a e fragilizando quem perder. Entretanto, a 13ª jornada decorreu sem surpresas, no que aos três maiores clubes diz respeito.

SC Portugal – Paços de Ferreira: de facto, já não se pode considerar surpresa a derrota do Sporting em sua casa e perante um adversário teoricamente inferior. Que condições de trabalho tem um treinador, quando a segunda figura mais importante do clube, o seu presidente da Assembleia Geral, diz numa entrevista que o treinador já não é treinador, só que ainda não o sabe? Poderá alguém trabalhar assim? E mais não digo.

FC Porto – Nacional: Há já alguns jogos que o Porto anda em poupança de energias, o que já lhe custou a eliminação da Taça de Portugal, a derrota com o Paris St.-Germain e um empate inesperado com o Estoril. É compreensível e será bem aceite se tiver bons resultados com o Setúbal e o Benfica. Mas não deixa de ser um risco. Com o Nacional também o Porto não fez grande exibição, embora a justiça da sua vitória seja evidente. Jackson Martinez marcou mais um golo, confirmando-se cada vez mais como uma boa aquisição e ainda houve algumas boas oportunidades para o Porto dilatar o marcador. Numa partida em que a arbitragem foi fraca, prejudicando sobretudo o Porto, James sofreu uma lesão de gravidade ainda desconhecida, podendo vir a ser uma baixa importante nos próximos jogos, visto não ter substituto à altura e ser sem dúvida o melhor jogador do Porto e um dos melhores do nosso campeonato. O Nacional, pese embora um esboço de reacção no começo da segunda parte, não mostrou grande coisa, apenas que o seu lugar na classificação se justifica plenamente.

SL Benfica – Estoril: a equipa que ainda há tão poucos dias, tantos problemas criou ao Porto, foi claramente derrotada por um Benfica que parece fazer o contrário do rival, isto é, joga sem fazer contas aos jogos que se aproximam, procurando dar espectáculo e marcar golos. Em minha opinião, embora as duas equipas titulares se equivalham em valor, o plantel do Benfica parece-me mais forte do que o do Porto, defesas laterais à parte. Será talvez por isso que Jorge Jesus mantém a exigência nas exibições da equipa. Veremos no que irá dar esta estratégia. O resultado escreveu-se com três grandes golos e um semi-frango, fruto talvez do facto de Artur ter passado a maioria do jogo como mero espectador. Gaitan, Garay, Lima e Salvio foram um regalo para quem gosta de futebol e Cardozo estreou-se como marcador de cantos, não se saindo nada mal. O Estoril tem uma equipa interessante, muito combativa e com alguns bons jogadores como Lica e Carlitos. A arbitragem foi de Duarte Gomes, que poderá não ser o melhor árbitro português, mas é sem dúvida o mais isento e equilibrado.

Duas notas finais: Como já se previa, Vercauteren deixou de ser o treinador do Sporting, mas o acordo de rescisão, à hora em que escrevo, ainda não foi alcançado, sendo natural que o Sporting procure gastar o menos possível, devido até à sua situação económica. No entanto, em minha opinião, quem devia pagar a indemnização era o presidente da Assembleia Geral do Sporting. Dinheiro não lhe falta e foi um dos maiores responsáveis pela saída do treinador.

Perante mais um Benfica - Porto formulo os desejos de sempre: que seja um bom espectáculo, sem violência dentro e fora do campo e se houver um vencedor, que o seja porque jogou melhor ou porque teve a sorte do jogo do seu lado.

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