02 março 2018

Conheça a nova competição que vai surgir em Portugal; Vieira trava investimento para a próxima época. Há alvos em cima da mesa. Benfica deverá oficializar reforço no final do mês

Numa altura em que a liquidação do passivo – com prioridade ao bancário, que passará a ser residual já até final deste mês, como adiantou o CEO da SAD, Domingos Soares de Oliveira – é prioritária na Luz, Luís Filipe Vieira tem desde já bem definido que a política de investimento que marcou as janelas de mercado de verões anteriores não será sequer aproximada, por exemplo, dos quase 50 milhões de euros aplicados em 2016/17. Segundo o Record apurou, os responsáveis encarnados apontam a travar o investimento com novas contratações, não querendo isto dizer que não chegarão reforços para a próxima época.
Na prática, esta mudança de paradigma está mais relacionada com um corte que pretende fazer-se em relação ao passado recente, com investimentos avultados em alguns jogadores – caso dos cerca de 22 milhões de euros aplicados em Jiménez, dos mais de 16 milhões pagos por Rafa ou os 14 milhões investidos em Pizzi. O plano passará cada vez mais, e já com reflexo no próximo verão, por olhar para dentro e, em primeira análise, avaliar sempre se existem soluções já nos quadros que estejam prontas a evoluir na equipa principal.
Para além disso, em vez de sequer cogitar o avanço de largos milhões – leia-se, na casa dos valores antes referidos por Jiménez ou Rafa –, o planeamento passará por encontrar atletas com preço bem mais reduzido e larga margem de progressão, sempre com foco numa futura venda. Neste sentido, jovens com vínculos mais frágeis ou elementos de qualidade em final de contrato continuam a estar sempre num apertado radar.
A qualificação para a fase de grupos da próxima edição da Liga dos Campeões será fundamental na definição do orçamento para a campanha 2018/19. Não só porque, de forma geral, os dirigentes benfiquistas projetam uma receita na casa dos 35 milhões de euros – partindo do princípio de chegada aos oitavos-de-final –, mas também porque, caso as águias não cheguem ao penta, ficarão numa de duas situações: ou disputam a 3ª pré-eliminatória de acesso à liga milionária ou, em caso de terceiro posto – o pior cenário cogitado na Luz por esta altura –, rumam à Liga Europa, onde as receitas dificilmente chegam aos 20 milhões de euros.
A forte aposta que a SAD vem fazendo no alargamento do Seixal e da criação de mais e melhores condições para formar talentos vem precisamente nesta linha que os tetracampeões pretendem vincar de cada vez menor investimento em contratações avultadas, substituindo tal política pelo aposta na prata da casa e em juventude que possa vir posteriormente a ser rentabilizada do ponto de vista do mercado.


Reforços assegurados. O Benfica continua a pensar a longo prazo e já conta com quatro reforços contratados para a próxima temporada. Odisseas Vlachodimos, Mato Milos, Tyronne Ebuehi e Erdal Rakip foram garantidos ainda durante a presente época, com vista a serem hipótese a partir de 2018/19.

Se três desses reforços já foram oficializados e dois deles estão mesmo emprestados, já o caso de Tyronne Ebuehi continua sem oficialização, mas a mesma deverá ocorrer no final deste mês quando existir a pausa para as seleções, avança o jornal O Jogo.


Vários alvos bem referenciados. Ignacio Pussetto, extremo do Huracán, de 22 anos, é um dos alvos prontos a avançar, já precavendo uma possível saída de Salvio no final da época – a presença no Mundial da Rússia poderá naturalmente ajudar a valorizar o internacional argentino –, mas também para o meio-campo há jogadores bem posicionados na lista. Nikola Moro, polivalente centro-campista do Dínamo Zagreb, de 19 anos, e o seu companheiro Borna Sosa (lateral-esquerdo, de 20) estão bem cotados no departamento de prospeção. No entanto, os valores a que o emblema croata aponta são considerados elevados na Luz: 15 milhões por Moro; 7 milhões por Sosa.


O campeonato nacional de sub-23 vai mesmo para a frente e pode ser já na próxima época. A intenção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) é criar duas divisões para permitir o acesso a todos os emblemas que queriam inscrever uma equipa. Ao mesmo tempo, será criada uma Taça de Portugal dirigida a futebolistas que estão a dar os primeiros passos como seniores.
As bases da competição foram estabelecidas ontem de manhã numa reunião ocorrida na sede da FPF, na Cidade do Futebol, onde estiveram o presidente do organismo e representantes de praticamente todos os clubes da Liga NOS – a exceção foi o Marítimo, cujo presidente, Carlos Pereira, não conseguiu voo para Lisboa devido ao mau tempo na Madeira.
A intenção da FPF ficou clara: pretende uma prova aberta a todos os clubes da Liga NOS que queiram criar uma equipa de sub-23. Poderá arrancar já na próxima época, mas o modelo e os regulamentos terão de ficar fechados até 30 de abril. As equipas serão divididas em dois escalões. O número de formações no primeiro ainda não ficou definido, mas poderá ser de 12 a 14. As seis primeiras seguirão depois para uma fase final de apuramento de campeão, enquanto as restantes lutarão pela permanência.
Na 2ª Divisão, haverá subidas mas não haverá despromoções. Aliás, será a porta de entrada aberta para todos os clubes que queiram participar mais tarde. Ao mesmo tempo, haverá uma Taça de Portugal, de forma a replicar ao máximo a competição sénior.
Com isto, a FPF não pretende acabar com as equipas B ou tirá-las da 2ª Liga. A intenção é, aliás, que possa haver circulação livre de jogadores para cima e para baixo – entre os vários escalões do clube. Tudo para criar um novo espaço de competição paralelo para futebolistas que deixam de ser juniores e iniciam a carreira de seniores. Os registos da FPF indicam que se perderam 8.338 futebolistas nessa transição. Também por isso, haverá obrigatoriedade de cada equipa se apresentar com dois terços de jogadores formados localmente.
A nova competição de sub-23 irá também servir para lançar... árbitros. Também presente na reunião com representantes dos clubes, o presidente do Conselho de Arbitragem (CA), José Fontelas Gomes, explicou que esta prova servirá para lançar jovens árbitros que estejam à porta da 1ª categoria. E, tal como os jogadores, ainda poderão ser promovidos pontualmente durante a época. A ideia é também dar-lhes um espaço de evolução, onde possam aperfeiçoar-se e adotar um estilo que se adeque mais àquilo que o CA entende que deve ser a arbitragem no futuro.
Uma das principais preocupações da FPF é o baixo tempo útil de jogo em Portugal, inferior ao que acontece na maior parte dos países europeus. Será, por isso, natural que os árbitros que dirijam encontros de sub-23 tenham instruções claras para interromper menos vezes o jogo, mesmo que, com isso, cometam alguns erros de não assinalar algumas faltas.
Na fase de apuramento de campeão, para a qual se apuram as seis melhores equipas da 1ª Divisão, haverá também vídeo-árbitro. A ideia é começar, também, aos poucos a criar uma especialização nesta função. Porque há árbitros que podem ser excelentes dentro de campo e nem por isso em frente aos monitores – e vice-versa.
Apesar de nada estar ainda fechado, a FPF propôs que os jogos sub-23 se disputem aos sábados de manhã, de forma a preencher um vazio de futebol ao fim de semana. Além disso, pretende que todas as partidas sejam em relvados naturais, algo que nem todos os clubes conseguem, neste momento, garantir. Cada equipa poderá fazer quatro substituições (mas apenas em três paragens) e ter 12 suplentes em cada jogo. Haverá espaço para três jogadores com mais de 23 anos, mas o guarda-redes não entra nestas contas.
Os clubes que terminem nos seis primeiros lugares da 1ª Divisão terão também a oportunidade de disputar um torneio internacional que será promovido pela FPF, um pouco à imagem do que sucede com a Premier League International Cup sub-23, prova inglesa onde costumam participar FC Porto e Benfica. Para fazer da competição um espaço de análise à evolução dos futebolistas, haverá encontros trimestrais de todos os treinadores com o departamento técnico da FPF. Será uma forma de tirar conclusões sobre necessidades e melhorias a fazer a vários níveis.

2 comentários:

  1. Artur Soares Dias, esse grande Sportinguista, no jogo que pode decidir um titulo. Muito bom.
    É disto que falam os gémeos quando se referem ao Fontelas ter o filho em Alcochete, ou o Rui Santos com a sua Liga do ressabiamento anti-BdC, certo?

    Sai uma dose de polvo para a mesa dos gémeos!

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  2. Acho mal o campeonato sub 23. As equipas b promovem mais ritmo competitivo aos jovens.

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