Com o campeonato mais uma vez parado durante quase duas semanas, o que deve ser quase único na Europa, vou falar de algo que muito incomoda os “puristas” do futebol : A verdade desportiva e os meios que podem ser usados para a conseguir.
É um tema que incomoda muita gente e não percebo porquê. Que os adeptos do FC Porto fujam dele como o diabo da cruz é perfeitamente natural, nem é preciso dizer as razões, mas que haja adeptos de outros clubes não queiram um futebol mais transparente e justo, isso, é difícil de entender. Felizmente, o bom senso vai abrindo caminho e tanto a nível da UEFA como na nossa LPF já se fala em começar a ter auxiliares atrás das balizas. Já está a ser feito nalgumas competições de menor expressão na Europa e por cá também na próxima época se experimentarão em torneios de juniores e outros. Isto claro, se os do costume não conseguirem sabotar a evolução das coisas.
São vários os argumentos que alguns apresentam para que tudo fique na mesma. Dizem que a usar meios tecnológicos então tinha de ser em todos os jogos senão não seria justo. Um insigne colaborador deste blogue, numa crónica dedicada ao mesmo tema, até refere que um jogo entre o Pinhalnovense e o Olivais e Moscavide teria de ter também recurso a imagens se porventura essa tecnologia fosse usada noutros jogos, como a Liga dos Campeões. Isso faz algum sentido? Poderemos comparar o interesse competitivo, as massas de adeptos, o dinheiro envolvido, o prestígio das competições etc. de uns e outros jogos? Há modalidades em que certas tecnologias são usadas nuns torneios e noutros não. Por exemplo no ténis, nos torneios mais importantes é usada uma tecnologia muito cara chamada olho de falcão que determina com rigor se a bola caiu dentro ou fora de campo. Mas em outros torneios, devido ao preço dessa tecnologia, o olho de falcão não é usado e ninguém levanta problemas por isso.
Há também outros desportos que vão procurando ter mais verdade e justiça nos jogos. Usando dois árbitros, tendo um cronometrista para controlar o tempo de jogo real, acabando assim com as palhaçadas das falsas lesões e das substituições em câmara lenta. E não me venham dizer que é caro ter cronómetro e visor para controlar o tempo útil dos jogos.
Outros desportos, como o râguebi, usam as imagens de vídeo, não em todos os jogos evidentemente, e também aí ninguém levanta a falsa questão de se não há para todos não há para nenhum.
Enfim, todos os desportos se vão adaptando aos tempos, recorrendo ao que podem para tornar os seus jogos mais justos e transparentes. Só no futebol prevalece o imobilismo dos bem instalados, daqueles que, invocando aquilo a que chamam as “especificidades” do futebol, impedem que esta modalidade acompanhe as outras na procura da verdade desportiva.
Por último, uma referência para os que dizem que quem fala destas coisas é só para justificar a falta de vitórias. É o contrário. Se não dependesse apenas de um árbitro a condução e as decisões do jogo, menos probabilidades de erro haveria e muito menos desculpas se teriam para os maus resultados. Ou será por acaso que é no futebol onde isso mais acontece?
Feliz Ano Novo para todos.
30 dezembro 2008
Opinião: Horizonte vermelho
3 comentários:
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concordo com isso, para melhorar a arbitragem.
ResponderEliminarPor:MM
É um assunto delicado. Não concordo em despromover categorias. Existir na Champions, UEFA, Mundiais e Europeus tudo bem, agora em campeonatos... ao existir para uns existe para todos.
ResponderEliminarVamos imaginar o seguinte cenário: o Olivais e Moscavide joga frente ao Pinhalnovense. O arbitro numa decisão muito contestada anula um golo em que a maioria das pessoas viram existir, o mau posicionamento do arbitro auxiliar não permitiu ser assinalado o golo.
Na mesma semana o Olivais vai à Luz em jogo da Taça de Portugal, acontece um lance muito parecido ao anterior, vistas as imagens (ou conversando com o 4º e 5º arbitro) o golo é atribuído,para os da casa. O erro humano deixou de existir é um facto mas a sensação de injustiça prevalece. Não por validar o golo do benfica, mas porque a mesma equipa num lance de muitas duvidas viu dois pesos e duas medidas serem aplicados.
Acho que me fiz entender. Por isso terá que existir 5 arbitros ou imagens em todas as competições oficiais das federações.
Um abraço
Noticia maisfutebol que vai ao encontro da opinião:
ResponderEliminarImagine que o golo de Hélder Postiga, aos 73 minutos do Sporting-V. Guimarães, da 10ª jornada, tinha sido validado porque o árbitro recebera a confirmação através de um sinal electrónico ou de um auxiliar atrás da linha que a bola entrara na baliza de Nilson.
Ou que o mesmo tinha acontecido no Benfica-F.C. Porto de 2004/05, quando Petit rematou para a defesa de Vítor Baía; ou, na perspectiva contrária, que o golo do inglês Geoff Hurst na final do Mundial de 1966, frente à Alemanha, tinha sido, afinal, anulado, naquela que é considerada a mais polémica decisão de sempre.
Tal como a tarefa que lhe foi sugerida, não passam de cenários imaginários. Nenhuma das soluções apresentadas existe, apenas avaliações. É o que acontece, presentemente, com a introdução de mais dois árbitros assistentes no terreno de jogo, e que Portugal vai testar na próxima edição da Taça da Liga, depois de a FIFA ter rejeitado duas tecnologias que ambicionavam pôr fim à polémica dos golos-fantasma.
Decorridos três anos, é na prateleira do organismo que tutela o futebol mundial que se encontram o Hawkeye (sistema que combina as imagens fornecidas por 12 câmaras, junto da baliza), já utilizado no ténis, e a bola com microchip.
«É uma decisão ponderada. Identificámos claramente quão complicados são os dois sistemas. Os resultados não são conclusivos. Entendemos, também, que são sistemas muito caros, que nada acrescentam ao jogo e que são prejudiciais ao papel do árbitro», defendeu Joseph Blatter, aquando do anúncio do «não» à tecnologia na linha de golo.
O microchip falhou num dos sete jogos-teste efectuados durante o Mundial de Clubes de 2007, devido a interferências no sinal enviado ao árbitro, enquanto o Hawkeye «não garante a visibilidade da bola quando há muitos jogadores à entrada da baliza», justificou, ainda, o presidente da FIFA.
Premier League queria Hawkeye já em 2009/10
A Federação Inglesa de Futebol (FA) tinha esperança em introduzir a tecnologia Hawkeye já na temporada 2009/10 da Premier League, clubes e árbitros estavam em sintonia, mas a decisão da FIFA condenou a FA à ilusão do que poderia ser a nova era da verdade desportiva, crentes que estavam na precisão da informação fornecida por este sistema de vídeo.
O Hawkeye, garantem os seus criadores, é um sistema preciso, imediato e supera não só os critérios impostos pelo International Board ao fornecer uma resposta ao árbitro em menos de meio segundo, como a obrigação da FA em não ultrapassar a leitura da posição da bola em cinco milímetros.
O treinador do Arsenal, Arsène Wenger, assumiu-se um fervoroso adepto da tecnologia ao serviço do futebol, que, no seu entender, até poderia funcionar como noutros desportos. «Quero ver o número de decisões injustas reduzidas o mais rápido possível. Devia haver a possibilidade de contestar uma decisão como acontece, por exemplo, no ténis», defendeu.
O médio português Pedro Mendes, actualmente no Glasgow Rangers, foi protagonista de um célebre golo-fantasma, quando em 2005 vestia a camisola do Tottenham. Em Old Trafford, frente ao Manchester United, Pedro Mendes marcou, mas apesar de o guarda-redes Roy Carroll ter defendido um metro atrás da linha de golo, este não foi validado.