Após uma primeira
meia-final riquíssima em termos táticos, seguiu-se uma segunda meia final que opunha dois treinadores da minha preferência:
Puel, um taticista tipicamente Francês e
Van Gaal um fiel seguidor da escola Holandesa.
Dois “futebois” de qualidade mas diferentes, duas equipas com
bons talentos mas que valem sobretudo pelo
seu todo.

Até ao minuto 37 tivemos um
Bayern bem á imagem do seu técnico e tudo parecia indicar que os Alemães iriam ser sempre a equipa a mandar na partida.
Uma equipa posicionada ofensivamente de
forma larga, com o objectivo de “pisar todos os pedaços de relva” do terreno, através de uma
boa e rápida circulação de bola, muitas
variações de flanco na tentativa de encontrar desequilíbrios adversários e também na tentativa de “cavar” situações de 1x1 para Ribery ou Robben resolverem. Excelente noção de quais os espaços para pausar ou acelerar o ritmo de jogo de forma a surpreender os Franceses.
No fundo, uma equipa com um pouco de tudo daquilo que marca um futebol estético: circulação de bola com qualidade e sentido mas com espaço para a criatividade das suas peças mais talentosas.
Aliás, nesse sentido Van Gaal optou até por colocar os jogadores trocados nas alas (como tem feito com regularidade), por forma a apostar em diagonais interiores com finalização.
O
Lyon viajou a Munique para apostar num
futebol cauteloso e expectante.
Apostado num 4-2-3-1, colocou em campo jogadores capazes de interpretar com a mesma qualidade os momentos defensivos e ofensivos (Lisandro é um caso evidente disso mesmo).
Ao contrário da equipa da casa, optaram por um
posicionamento mais fechado, com todos os elementos da equipa
mais próximos no sentido de reduzir espaços, mas também em termos ofensivos para evitar passes de risco e possíveis perdas de bola que poderiam ser fatais, face á velocidade dos atacantes Bávaros, face á qualidade dos Alemães nas transições ofensivas.
Contudo o posicionamento dos Franceses retirou-lhes capacidade para circular a bola. No momento da recuperação da posse, por se “estenderem” pouco no terreno, foram sendo facilmente cercados e a bola raramente esteve períodos de tempo dignos de registo nos pés dos jogadores do Lyon.
Esta incapacidade para reter a bola em seu poder, obrigou a equipa
a apostar em situações individuais de penetração. Foram inúmeras as tentativas dos atacantes Francenses em furar com bola nos pés, naturalmente
sem grande êxito, pois quando se joga “a top” nunca é fácil resolver os problemas colectivos com raídes individuais pouco lúcidos.

Mas este jogo viria a conhecer outra História, quiça decisiva para as aspirações Bávaras.
Num lance ingénuo de
Ribery, o Francês, até então o mais rematador da partida,
é expulso de forma justa e coloca o Bayern com duas contrariedades: fica a jogar com 10 e perde o mais influente dos seus jogadores.
O que esperava então?Um Bayern mais recolhido, na tentativa de evitar sofrer golos em casa, adiando a decisão da eliminatório para a 2ª mão.
E esperava-se um Lyon a correr mais riscos, mais estendido, com mais capacidade para ter bola, fruto da superioridade númerica.
A verdade é que Van Gaal vai provando que é um treinador de grande nível, um grande estratega.
Retira Olic, coloca Tymoschuk como duplo pivot com Pranjic, mantém Robben á direita, empurra Muller para o corredor esquerdo e coloca Schweinsteiger como médio mais ofensivo (falso avançado).
Durante 8m, vimos
um Bayern por cima. Ou seja, mesmo com dez nunca se esqueceram do mais importante num jogo,
ter a bola.
Se é verdade que o jogo do Bayern começou a ser
mais vertical e individualizado, não é menos verdade que o arranjo táctico de Van Gaal
garantiu consistencia,
mobilidade ofensiva e capacidade para o Bayern não alterar a matriz de jogo que o caracteriza: uma equipa
agressiva em termos ofensivos.

Depois, bom, depois a história resume-se facilmente.
Toulalan é expulso e o Bayern em igualdade númerica acentuou a sua supremacia e arriscou ainda mais em termos ofensivos.
Vitória justa do Bayern, que me parece uma equipa muito interessante do ponto de vista estético mas que ainda revela, aqui e ali,
dificuldade para se manter equilibrada nas transições defensivas, sobretudo frente a equipas que se atrevam a atacar e a assumir o jogo.