A culpa da crise que grassa em Alvalade não morre solteira, pelo menos é esse o entendimento de Elias, médio que o Sporting cedeu no início do ano por empréstimo ao Flamengo, que aponta o dedo a jogadores, dirigentes e ao mau momento económico em geral. E a conclusão a retirar de uma ferida tão extensa é negra.
“Acredito que a equipa vai levantar-se e voltará a disputar títulos, mas vai ser muito difícil que nos próximos cinco anos o Sporting possa competir de igual para igual com o FC Porto e o Benfica”, analisou em entrevista ao jornal O JOGO o internacional brasileiro.
Elias não encontra dificuldade para justificar a sua previsão de travessia do deserto. “Para que isso não aconteça, é preciso gastar dinheiro, investir em contratações. Tendo em conta a crise que o clube passa e os problemas existentes na economia da Europa, o Sporting não vai ter possibilidades de contratar. Por isso, ainda vai demorar um pouco para que os resultados apareçam”, explica o jogador.
Olhando por cima do ombro para o contexto desportivo que deixou em Portugal, o médio de 27 anos não deixa de assacar responsabilidades ao plantel, mas sem se esquecer do peso das decisões diretivas. “Em futebol, o resultado positivo depende de uma série de fatores. Boa parte da culpa é dos jogadores, que não renderam. A outra parte é da Direção, que não deu o apoio necessário. O clima de disputa política no clube também atrapalhou, assim como o reflexo da crise económica do país. Tudo isso prejudicou e ainda prejudica a equipa.”
Contratado no início de 2011/12 ao Atlético de Madrid, Elias faz um balanço pessoal positivo, pelo menos no que respeita ao seu arranque de leão ao peito, considerando que a sua passagem pelo Sporting “foi boa no começo”.
“Adaptei-me com rapidez e a equipa teve boas sequências, graças principalmente à superação do grupo”, analisa o médio, cedido no início deste ano ao Flamengo, que muda a tónica no discurso quando aborda a temporada em curso. “No segundo ano já foi muito complicado. Não tivemos uma boa temporada, pois os resultados não apareceram, e isso refletiu-se em todo o elenco.”
O facto de o Sporting ter tido cinco treinadores em menos de dois anos teve, segundo Elias, um peso decisivo no fracasso desportivo. “Essas trocam acabam por cortar o planeamento e o trabalho não tem continuidade. Até hoje não sei explicar a saída do Domingos Paciência. Faltou, por parte dos dirigentes, um pouco de paciência e de carinho com ele. Ficámos um mês sem vencer e mandaram-no embora. Depois disso, aconteceram outras trocas e as mudanças na filosofia do trabalho. Espero que, agora, a equipa esteja a entrar no caminho certo”, deseja o brasileiro.







