01 agosto 2019

Capas: Novo alvo para a baliza do Benfica. O reforço do FC Porto. O futuro de Bruno Fernandes. Os rumores de mercado e as entrevistas

A BolaRecordO Jogo

2 comentários:

  1. O CASO CASHBALL

    “Tenho na minha lista dois juízes-conselheiros do Supremo, um procurador da República e um juiz-desembargador. Acha que estas pessoas não vão fazer braço-de-ferro na justiça pelo Sporting?”. Varandas


    1) REDE DE CRIME ORGANIZADO.

    "Se o meu marido for preso, vou dizer toda a verdade e o BdC que se defenda como pode. A culpa não pode morrer solteira". Mulher do ANDRÉ Geraldes.

    Quando entraram nas instalações do SCP no Estádio Alvalade, a PJ do Porto queria, acima de tudo, evitar a destruição de prova essencial para compreender o suposto esquema de corrupção alegadamente chefiado por André Geraldes. Furiosos com as notícias e entrevista do empresário e denunciante Paulo Silva ao CM, os inspetores nortenhos sabiam que o efeito surpresa já tinha desaparecido. Mas as buscas judiciais são autênticas caixinhas de surpresas.

    Estes indícios sobre a existência de um saco azul no Sporting vão levar inevitavelmente à abertura de uma nova linha de investigação que terá mais dirigentes do clube na mira. Os investigadores não acreditam que um funcionário como André Geraldes (que nem sequer faz parte dos órgãos sociais do clube nem da SAD, mas é “team manager” do futebol desde a saída de Octávio Machado, depois de ter sido responsável pelo Gabinete de Apoio aos Atletas e Modalidades) fosse capaz de implementar este alegado esquema sem o conhecimento de outros dirigentes do Sporting. Nesse sentido, o DIAP e a PJ do Porto suspeitam que mais dirigentes do Sporting poderão estar envolvidos no caso.

    A surpresa chamou-se “cofre” num armário do gabinete de trabalho do principal alvo daquelas buscas: André Geraldes. Era um pequeno cofre com recheio significativo: 63 mil euros devidamente acondicionados em vários envelopes. Na face de alguns deles estavam iniciais escritas à mão, enquanto que outros continham documentos.

    Conjugada esta descoberta com prova documental e testemunhal do denunciante Paulo Silva que apontam para a alegada liderança de André Geraldes de um esquema de alegada corrupção no Campeonato Nacional de andebol da temporada 2016/17, que foi mais tarde alargado à Primeira Liga de Futebol, a PJ do Porto e o DIAP do Porto, titular dos autos, não tiveram dúvidas em defender no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto de que existiam indícios de que o Sporting tinha um alegado saco azul que financiava pagamentos de alegadas ‘luvas’ a árbitros de andebol.

    Isto porque:
    Os 63 mil euros não pertenciam ao património pessoal de André Geraldes;
    Tais fundos seriam utilizados em práticas alegadamente ilícitas para beneficiar o Sporting em detrimento de outros clubes desportivos;
    E indiciam a existência de um alegado saco azul com pagamentos que, pela sua ilicitude, não podem ser contabilizados pelo clube.

    Aliás, os investigadores estão convencidos que os referidos 63 mil euros pertenciam efetivamente ao Sporting, até porque os fundos foram encontrados no Estádio José Alvalade e no espaço de trabalho de um alto funcionário do futebol profissional. Se os mesmos fundos tivessem sido encontrados, por exemplo, em casa de André Geraldes, a questão seria diferente.

    Por isso mesmo, a PJ do Porto terá de perceber a origem de tais fundos e se, efetivamente, os mesmos têm origem em contas bancárias do SCP. Para despistar totalmente a matéria, as contas de André Geraldes, de Gonçalo Rodrigues e do clube deverão ser passadas a pente fino pelos investigadores. O objetivo será reconstruir o circuito financeiro que teve como consequência os referidos 63 mil euros.

    Daí André Geraldes e Gonçalo Rodrigues terem sido proibidos de contactar com todos os dirigentes do Sporting e da SAD — grupo no qual se inclui o presidente Bruno de Carvalho. Aliás, quer o DIAP do Porto, quer a juíza de instrução criminal titular dos autos, fazem questão de referir-se a André Geraldes como o braço direito do presidente do Sporting.

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  2. 2) Paulo Silva foi constituído arguido

    A Operação Cashball iniciou-se em fevereiro com uma denúncia de um agente desportivo do andebol que o empresário Paulo Silva tentou aliciar em nome de Sporting, tal como o Público noticiou. Mais tarde, já em abril, Silva foi mesmo interrogado pela PJ do Porto, tendo sido constituído arguido por corrupção ativa desportiva. O empresário e alegado intermediário do Sporting foi ouvido a 19 e a 24 de abril, tendo aceitado denunciar mais factos do que aqueles que a investigação conhecia.

    Numa perspetiva de cooperação com a Justiça, Paulo Silva acabou por denunciar André Geraldes como o alegado “chefe” que é regularmente mencionado nas mensagens da aplicação WhatsApp e telefonemas trocados entre Silva e João Gonçalves (igualmente empresário que alegadamente fazia a ponte com Geraldes) e Gonçalo Rodrigues (funcionário do Sporting, como coordenador do Gabinete de Apoio aos Atletas e Modalidades, que também seria um alegado intermediário entre Silva e Geraldes).

    Paulo Silva denunciou um sistema de alegada corrupção do Campeonato Nacional de andebol da última temporada, em que os leões quebraram um jejum de 16 anos sem o principal título, aparentemente simples:
    1. A mando de João Gonçalves, que conheceu em 2013, contactava um dos elementos que compõem a dupla de árbitros que caracteriza o andebol;
    2. O número de telefone costumava ser cedido por João Gonçalves;
    3. Marcado o encontro pessoal com o árbitro, Silva prometia contrapartidas monetárias para favorecer o Sporting;
    4. O valor das contrapartidas variava consoante os objetivos a alcançar e só eram pagos após os jogos e validação dos objetivos cumpridos;
    5. A alegada comissão de Paulo Silva era de 500 euros, dos quais retirava 150 euros para João Gonçalves.

    Além dos contactos com João Gonçalves, Paulo Silva também era contactado por Gonçalo Rodrigues, funcionário do Sporting que, devido às suas funções, trabalhava de perto com as modalidades.
    A alegada atividade ilícita de Paulo Silva terá sido exercida em dez jogos do Campeonato Nacional de andebol na época de 2016/2017, que foi ganho pelo Sporting. Além dos encontros do conjunto verde e branco, também os do principal rival ao longo da temporada, o FC Porto, teriam sido alvo de atenção, nomeadamente a deslocação dos dragões à Luz que, com o trunfo do Benfica, acabou por estender a passadeira para o 1º lugar.

    Fonte da procuradoria confirmou que a Operação Cashball tem 7 arguidos constituídos.
    A investigação do MP ao alegado esquema de corrupção do Sporting para viciação de resultados no andebol e no futebol tem os 4 arguidos, André Geraldes, Gonçalo Rodrigues, João Gonçalves e Paulo Silva e mais 3 arguidos constituídos. São pessoas ligadas à modalidade do andebol.

    Uma rede de crime altamente organizada. Quem o diz é o MP que nos mandatos de detenção admite mesmo que os 4 arguidosfoquem emprisão preventiva, André Geraldes, diretor-geral do futebol do Sporting; Gonçalo Rodrigues, ex-responsável pelo gabinete de apoio ao atleta; João Gonçalves, empresário e intermediário no caso; Paulo Silva, empresário - agora arrependido - que terá corrompido árbitros de andebol e jogadores de futebol. Ficaram todos proibidos “de contactos com a estrutura directiva de clube desportivo identificado, com a sua SAD ou com funcionários dos mesmos”, e igualmente impedidos de contactar “dirigentes desportivos, árbitros desportivos, agentes desportivos e jogadores de qualquer modalidade desportiva”.

    O autor da participação criminal que deu origem à investigação da Operação Cashball foi um agente desportivo ligado ao andebol, que o empresário Paulo Silva tentou corromper no Porto. Por isso mesmo é que o inquérito está a ser dirigido pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto que delegou o apuramento dos factos na Secção Regional de Investigação da Corrupção da Directoria do Norte da Polícia Judiciária.

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