Que Quaresma não gosta de ficar de fora, já Lopetegui sabe, como antes o souberam Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira, Paulo Fonseca e Luís Castro. Mas o que ainda poucos tinham visto era o lado de adepto do extremo, este ano exacerbado na forma como sentiu, de fora, os desaires com Sporting e Benfica, em pleno Dragão. E se contra os leões nem sequer entrou, contra as águias ainda foi o orgulho do extremo a agitar as águas, criando a ilusão de uma reação portista. É o sentimento em campo e é isso que Quaresma, que em anos de casa só perde para Helton, se tem esforçado por passar às imensas caras novas no plantel desta temporada.
“Explicar o que é ser Porto é difícil. É algo que simplesmente se sente. E eu sinto-o desde que entrei no FC Porto, há dez anos. Percebi logo que este era o meu clube. Fui aprendendo o espírito do dragão e da cidade e hoje em dia, apesar de já ter passado pelos melhores clubes do mundo, posso dizer que o FC Porto é o melhor de todos”, afirma, na linha das declarações de amor que tem feito desde que regressou ao clube.
Para Quaresma, o máximo compromisso para com o que os dragões simbolizam é ponto de honra. “O que peço a todos os jogadores que representam ou venham a representar o FC Porto é que honrem esta camisola e que percebam que esta camisola é maior do que toda a gente”, atira, numa declaração relevante tendo em conta que parte de um jogador que até é apontado como tendo um ego desmesurado. O internacional português ressalva, porém, que a autoestima não tem de ser um obstáculo ao empenho máximo pelo clube. Aliás, sustenta, as coisas até estão interligadas. “Não gosto de perder e dou tudo o que tenho até o árbitro acabar o jogo – isto é ser Porto. É lutares contra tudo e contra todos e dares o teu máximo até ao fim. É teres força para ultrapassares os obstáculos. É essa mística que caracteriza os inúmeros títulos que ganhámos, apesar de isso custar a muita gente”, disparou.

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