22 setembro 2010

Opinião: Horizonte vermelho

Apesar de terem havido muitos jogos esta semana tenho que falar do que se passa com a Selecção Nacional porque o caso da nossa Selecção passou de vergonha nacional a vergonha internacional, sendo por certo comentado com escárnio por essa Europa fora.

Já aqui escrevi que não deveríamos ter grandes ilusões quanto à nossa Selecção porque grande parte dos jogadores que conseguiram boas classificações no Europeu e no penúltimo Mundial já não jogam e até há alguns que, ainda jogando, já manifestaram a intenção de não mais representarem Portugal. A renovação da equipa nacional é cada vez mais difícil porque cada vez há menos portugueses a jogar nas melhores equipas (e até nas piores) o que encurta muito o campo de recrutamento optando-se antes pela solução enganadora de naturalizar jogadores estrangeiros. Tudo isso é, para mim, uma verdade evidente. Mas muito pior é quando a estrutura de apoio à Selecção dá a machadada final, com as atitudes de uns quantos “responsáveis” que parecem estar mais interessados em protagonismos doentios e em manterem os seus cargos custe o que custar.

Depois da difícil qualificação para o Mundial a que se seguiu uma actuação que alguns consideraram sofrível ou até má na África do Sul, onde apesar de tudo só fomos afastados pela Espanha, que foi sem dúvida a melhor equipa do Mundial e que foi a vencedora com toda a justiça da competição, logo se percebeu que o lugar de Carlos Queiroz iria ser questionado, havendo no entanto o problema da choruda indemnização que, por contrato, teria de ser paga ao seleccionador. Foi então que começaram a surgir notícias de um alegado mau comportamento de Queiroz durante um controle anti-doping efectuado algum tempo antes da ida para a África do Sul. O senhor Secretário de Estado para o desporto apareceu a dizer (antes de iniciado qualquer inquérito) que teriam ocorrido factos graves condenando na prática e logo à partida Carlos Queiroz. O senhor Presidente da Federação manteve a reserva que costuma manter quando as situações cheiram a chamusco e após algumas hesitações o inquérito lá se fez, tendo o Conselho de Disciplina decidido castigar o seleccionador com um mês de suspensão e à multa ridícula de mil euros. Esse castigo derivou do facto de considerarem provado que Carlos Queiroz teria ofendido verbalmente os doutores que foram efectuar o controlo. Esses senhores, que com toda a certeza nunca tinham ouvido tais expressões, devem ter ido com grande espírito científico consultar vários dicionários da língua portuguesa, desde o velhinho dicionário Torrinha até ao recente dicionário da Academia das Ciências, que até já tem a palavra bué e outras palavras modernaças. Só então perceberam as ordinarices do professor, estando assim explicado porque só vários meses depois das ofensas serem proferidas é que surgiu todo aquele alarido. Mas como o Conselho de Disciplina não deu como provado que essas horríveis ofensas verbais tenham impedido ou até prejudicado o dito controle, em vez de recorrerem aos tribunais civis, decidiram chamar a si o processo e decidir em causa própria, sempre com o beneplácito do sr. Secretário de Estado e o silêncio ensurdecedor do sr. Presidente da Federação. Aplicaram então, e em jeito de quem faz um favor a Carlos Queiroz, seis meses de suspensão. Mostraram assim estarem-se nas tintas para a selecção que foi jogar contra Chipre e contra a Noruega decapitada da sua direcção técnica.

Depois de tudo isto, a Federação lá reuniu e decidiu despedir Queiroz, o que irá por certo provocar uma batalha legal longa e provavelmente inconclusiva. Mas o pior vem a seguir: em vez de avançar decididamente para a contratação de um treinador, que em minha opinião deveria ser estrangeiro e descomprometido com o futebol português, o presidente da Federação procurou contratar Mourinho para apenas os dois jogos que Portugal disputará em Outubro. Para além de ser uma decisão absurda, Madail em vez de falar primeiro com o Real Madrid e, se tivesse a anuência do clube falar então com o treinador, fez ao contrário, fala em Madrid com Mourinho, que se mostra receptivo e depois volta para Lisboa sem ter falado com ninguém da direcção do Real. Claro que o clube madrileno já fez saber que não irá dispensar o seu treinador e agora parece que será Paulo Bento o escolhido, à maneira de mal menor.

Tudo isto seria anedótico se não fosse trágico, pois é o nome de Portugal que está em causa.

Vamos agora a um relance pelos jogos da semana.

SL Benfica – Hapoel: vitória justa do Benfica mas não quer dizer que a equipa tenha jogado bem, o resultado foi melhor que a exibição. Destaque para Pablo Aimar, que se distinguiu pela positiva da mediania dos seus colegas. Ficou também por marcar um penalti contra o Benfica, ainda com zero a zero que, a ser marcado, poderia ter levado o jogo por outros caminhos.

Arsenal – Sp. Braga: pesada derrota do Braga, que se apresentou em Londres com alguma falta de realismo, julgando que o que tinha resultado com o Sevilha também resultaria com o Arsenal. Resta-lhe a consolação de estar já muito próximo do FC Porto que da última vez que jogou com o Arsenal levou “só” cinco em vez de seis a zero. A propósito, sabem qual foi o único clube português que venceu o Arsenal no seu estádio? Foi esse mesmo, o Glorioso SLB!

FC Porto – Rapid Viena: Vitória fácil e indiscutível do Porto que jogou muito melhor do que o adversário. Uma das poucas vitórias limpas nesta época.

Lille – SC Portugal: inesperada e merecida vitória do Sporting, que se apresentou com uma quase equipa B, talvez já a pensar no jogo com o Benfica. Gosto muito que o Sporting ganhe em competições europeias porque tal como o Benfica, chega a essas competições sempre de uma forma limpa.

SL Benfica – SC Portugal: bom jogo e boa vitória do Benfica que criou as melhores oportunidades e dominou durante quase todo o jogo. Grandes exibições de Fábio Coentrão, que manietou quase por completo João Pereira, e ainda criou várias jogadas de perigo. Também Cardozo jogou muito bem estando perto de marcar mais dois golos para além dos dois que marcou. O árbitro mostrou-se um apitador compulsivo, chegando a irritar, mas não teve influência no resultado.

Nacional – FC Porto: não há dúvida, para o Porto jogar com doze é que é bom. Desta vez o artista convidado foi Bruno Paixão. Como é possível não ter visto aquele corte com o braço de Rolando dentro da área? A vitória do Porto não se discute tal a superioridade dos portistas, mas será que não conseguem ganhar um jogo que seja no campeonato sem a colaboração dos árbitros?

5 comentários:

  1. Boas!!!
    É impossível haver tranquilidade no futebol português. O Queiroz saiu da forma que saiu e o mesmo acontecerá ao Bento. O mal está lá dentro da FPF, mas isso parece passar ao lado de muita gente.
    O que o Scolari fez em Portugal teve em muito a ajuda de Mourinho, que agora não pôde ajudar a selecção infelizmente, o trabalho estava feito no FC Porto o brasileiro aproveitou os louros.

    Quanto aos jogos teve uma boa apreciação, mas faltou aí um cartão avermelhado ao Javi Garcia (mais um) logo aos 8 minutos, pelo menos é o que dizem os árbitros.
    O Porto venceu sem contestação e isso começa a preocupar aqueles que pensam que o Benfica, deste ano, assusta.

    um abraço

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  2. Assino por baixo tudo o que falou da selecção

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  3. Os benfiquistas falam sempre muito dos outros, mas quem é roubado descaradamente nos últimos anos é o Sporting

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  4. "Não há dúvida, para o Porto jogar com doze é que é bom"
    ihihih

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  5. "A vitória do Porto não se discute tal a superioridade dos portistas, mas será que não conseguem ganhar um jogo que seja no campeonato sem a colaboração dos árbitros?"

    O senhor tem direito à sua opinião tal o seu espaço aqui no blog, mas será que não consegue postar uma coluna que seja sem reconhecer a inferioridade do seu clube explicitamente ao invés de se armar em vitima e tentar minar, futilmente, o mérito de quem realmente o merece?

    Para menino de creche chorão já basta o presidente do seu clube.

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