19 maio 2010

Opinião: Horizonte vermelho

Terminou a época com a final da Taça de Portugal bem ganha pelo FC Porto contra um valoroso Desportivo de Chaves que se bateu muito bem dentro das suas possibilidades. O clube transmontano foi até o primeiro a criar perigo enviando uma bola ao poste quando um seu jogador, Edu, se antecipou a Helton e lhe fez um bonito chapéu. Mas claro que o Porto atacou muito mais, marcou o primeiro golo muito cedo, com Guarin a dar um subtil toque com a mão na bola antes de arrancar para a baliza. O árbitro não assinalou a irregularidade e é compreensível, pois só numa repetição se consegue ver a falta de Guarin. Seja como for, este golo serenou o Porto e depois a categoria de Hulk fez o resto pois o avançado portista destroçou a defesa do Chaves, criando várias jogadas para golo, mas nunca conseguindo concretizar, pelo que decidiu oferecer a Falcao, esse sim, um finalizador nato, o segundo golo do Porto. Também o golo do Chaves já quase no fim do jogo parece precedido de toque com a mão do jogador transmontano, mas o maior culpado do golo foi Bruno Alves que hesitou juntamente com Helton tendo Clemente aproveitado a oportunidade. Bruno Alves, o maior caceteiro da primeira liga portuguesa, terá feito ao que se diz, o seu último jogo pelo Porto pelo que se terá despedido em beleza. Mas desta vez não ficou impune como de costume e foi mesmo expulso. O FC Porto ganhou assim a sua décima quinta Taça de Portugal, igualando o Sporting mas ficando ainda longe do Glorioso que já ganhou vinte e quatro taças. De qualquer forma, já deu para compor a época. Para além do Desportivo de Chaves e do FC Porto outro clube esteve presente no estádio: foi o Sport Lisboa e Benfica que foi homenageado pelos adeptos do Porto que embora estivessem a jogar com o Chaves não conseguiram esquecer o Glorioso e com os seus cânticos grosseiros demonstraram mais uma vez a raiva e a inveja de, ganhem o que ganharem, jamais chegarem aos calcanhares do Glorioso em prestígio e aceitação nacional e internacional.

Como prometi, gostaria de comentar as regras sobre expulsões de jogadores. É verdade que o futebol é um jogo de equipa, devendo a equipa ficar a ganhar ou a perder com o que cada jogador faz durante um jogo. Assim, se um jogador faz uma grande jogada individual e marca golo isso é bom para ele e para a equipa que representa e se é expulso porque agrediu ou cortou com a mão uma jogada de perigo, isso prejudica o jogador e a sua equipa. Dentro desta perspectiva a lei está correcta, mas temos hoje em dia de ver o futebol de competição sobretudo como um espectáculo que custa bom dinheiro a quem ele quer assistir. Ora poucas coisas prejudicam mais esse espectáculo do que uma equipa se ver reduzida a dez ou menos jogadores, muitas vezes fruto de decisões polémicas de árbitros que prejudicam mais do que ajudam o espectáculo. Amputar uma equipa de algum dos seus elementos adultera o jogo e desculpabiliza qualquer estratégia ultra-defensiva que a equipa lesada venha a tomar. Pergunto-me pois se não seria possível expulsar o jogador, agravando-lhe até o castigo que viesse a sofrer, mas permitindo que o treinador pusesse outro no seu lugar. Claro que não seria tão prejudicial para a equipa do jogador expulso, mas algum prejuízo haveria pois se o treinador colocou de princípio um jogador e não outro é porque achava que seria melhor para tentar ganhar o jogo. Em resumo, a equipa do jogador expulso não seria tão prejudicada por um acto porventura irreflectido do seu jogador e o jogo tenderia a ser mais justo e equilibrado, proporcionando aos espectadores um melhor espectáculo. Gostaria que os habituais comentadores deste blogue comentassem esta ideia o que desde já agradeço.

Este fim-de-semana ocorreram as “eleições” dos corpos directivos do FCP. E se mais nada houvesse bastariam estas eleições para nos mostrar que tipo de clube é este e qual o ambiente interno que nele reina. Ora vejamos: o presidente agora “reeleito” é uma pessoa de avançada idade que embora tenha levado o clube a grandes vitórias, embora conseguidas através de métodos que lhe retiram muito do crédito, esta época falhou redondamente na estratégia traçada, o que o levou a perder o acesso à Liga dos Campeões. A forma como o Porto ganhou tantas vezes é coisa que não preocupará minimamente a maioria dos portistas, mas ficar em terceiro lugar e ter um presidente que confundiu a sua vida privada com o seu papel de dirigente arrastando o clube pelas vias da amargura não terá deixado nenhum portista descontente? Não terá havido ninguém no universo portista que achasse que seria altura de renovar o clube e lançar novos dirigentes? Não seria expectável, natural, saudável até, que sócios do Porto prestando embora homenagem ao actual presidente achassem que seria a hora do render da guarda e que candidaturas alternativas fossem apresentadas? Seria isso certamente o que aconteceria no Benfica, no Sporting, no Real Madrid, no Bayern de Munique ou em qualquer outro grande clube da Europa. Mas no FC Porto bastou o presidente dizer que se ia “recandidatar” para aqueles que porventura se achassem à altura de dirigir o clube adiassem as suas legítimas pretensões durante mais uns anos. É compreensível que o façam. Eles sabem que as pessoas que rebentam com estações de serviço pelo país fora e que ameaçam funcionários do clube como eram à altura Paulo Assunção, Co Adriansen, José Mourinho e outros, são as mesmas que servem de guarda pretoriana ao sr. presidente quando ele se decide ir a tribunal. Portanto lá se realizaram mais umas “eleições” de lista única. E diz o Porto que é o clube herdeiro do 25 de Abril. É hilariante. Quanto ao “acto eleitoral” em si: quantos sócios votaram? não se sabe; quantos foram os votos contra? não se sabe; quantos foram os votos brancos ou nulos? Idem. Enfim sabe-se que Pinto da Costa foi “reeleito” com 98% dos votos, fossem lá quantos fossem esses votos. Grande e pouco vulgar essa percentagem. Só é alcançada por certo tipo de presidentes...

O Sport Lisboa e Benfica anda em viagem por esse mundo. A equipa está na América, o presidente está em Timor. Por todo o lado aparecem adeptos a saudar e a festejar. Não há dúvida: é bom ser do Glorioso.
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5 comentários:

  1. Quanto à parte do maior caceteiro acho que todos concordamos que é o Luisão. Pior dá e não paga pelo que faz. Foram mais de 5 agressões durante a época. E você sabe tão bem como eu quais foram.

    Quanto à ideia das expulsões até seria interessante, mas chegaria a uma altura que os jogadores mesmo para empatar tempo já seriam expulsos propositadamente. Ou seja para os clubes grandes as coisas complicavam-se mais. Autocarros e carniceiros...

    Já agora o Benfica não seria campeão a jogar sempre de 11 para 11. EHEHEH

    Um abraço...

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  2. Senhor David.
    Ninguem pode saber se seria ou nao!
    Deixe os seus interesses clubisticos de parte uma vez na vida.

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  3. Qual é a dúvida de que os cabeçudos não seriam campeões?
    Basta ver os dois últimos jogos, enquanto estiveram a jogar contra dez perderam um e empataram outro ... então se fosse contra onze.

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  4. "Basta ver os dois últimos jogos, enquanto estiveram a jogar contra dez perderam um e empataram outro ... então se fosse contra onze."
    Muito verdade.

    Epa, eu nem sou clubista normalmente, e espero não me estar a fazer parecer tal, mas esta coluna do Benfica é verdadeiramente um nojo todas as semanas. Chamar caceteiro a um dos melhores centrais portugueses, que está a representar a nossa selecção, e verdade seja dita ele nunca lesionou ninguem, não é ser só um benfiquista ferrenho, é ser ignorante, ridículo e estupido.

    De resto, o escritor desta coluna seguiu com as suas criticas habituais unicas e exclusivas contra o FCPorto.
    Deixa que lhe diga uma coisa senhor, se ama tanto o seu Glorioso, pare de manchar-lhe a glória com as suas palavras e o seu ódio cedo e inócuo ao seu clube rival. É por pessoas como você que todos os clubes portuguêses cantam o famoso SLB SLB SLB mas só vocês metem Glorioso na letra.

    Como já disse, não gosto de ser nem me fazer parecer clubista. Mas tenho que dizer o seguinte: quem tem telhados de vidro não atire pedras.
    Por muito mal que diga do senhor Jorge Nuno Pinto da Costa e dos adeptos do clube que este representa, a verdade é que ele tornou o Porto num clube internacionalmente bem-visto e bem-sucedido.
    Devo recomendá-lo de antemão a ver bem a historia dos presidentes benfiquistas antes de criticar outros.
    Entre presidentes que foram efectivamente presos, presidentes que espancaram prostitutas, presidentes que forneceram prostitutas a árbitros europeus (como no caso King), presidentes que disseram que se estavam "a cagar" em directo para a RTP e vários com outras diversas peripécias, acho que devia ter cuidado com as criticas apontadas.

    Quanto a "guarda pretoriana", creio que se refira a adeptos(?), não foi esclarecedor o suficiente.. Mas acho que um adepto dum clube que ameaçou de morte árbitros no inicio desta época, teve guardas a pontapear membros técnicos de outros clubes, treinadores a meterem as mãos na cara e provocar jogadores adversários e um dirigente desportivo com uma presença no mínimo sinistramente abusiva em todo e qualquer assunto remotamente relacionado com o clube (até quando a rede duma baliza se rompeu ele foi averiguar com o árbitro se "tudo estava segundo ordem")... Um adepto deste clube não tem moral para dar discursos de galo e auto-intitular-se como bom exemplo.

    Agora quero ver se vai mostrar como esta coluna tem tão pouca classe ao ponto de ter que se justificar perante comentários, ou se vai engolir as minhas palavras.
    Sinceramente, espero que faça ambos.

    Cumprimentos e bom resto de dia.

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  5. "É por pessoas como você que todos os clubes portuguêses cantam o famoso SLB SLB SLB mas só vocês metem Glorioso na letra."

    É VERDADE, VOCÊS AUTO-ELOGIAM-SE, E AINDA APROVEITAM PARA HOMENAGEAR QUEM VOS PARIU.

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