Esta semana FC Porto e Sporting acentuaram o seu atraso sobre os dois primeiros, Benfica e Braga, que continuam a sua luta taco a taco para a vitória. Mas antes do campeonato uma referência à Taça da Liga.
FC Porto – Académica: Depois de no jogo anterior ter ganho sem mácula, eis que o Porto regressa às vitórias com cheirinho a favorecimento. Por acaso estou particularmente à vontade para falar dos casos deste jogo porque não tendo possibilidade de o ver em directo, gravei-o, o que possibilitou ver várias vezes os lances duvidosos, parando a imagem em caso de necessidade, como no golo do Bruno Alves. Então aqui vai: dois penaltis por marcar contra o Porto, aos trinta e três e aos oitenta e oito minutos, o segundo dos quais com investida de cabeça de um jogador do Porto sobre o capitão dos estudantes. Um golo anulado ao Porto que não foi um erro escandaloso como alguns quiseram fazer crer. Com efeito, se é verdade que Bruno Alves parte muito em jogo em relação à defesa da Académica, o facto é que parando a imagem no momento em que o livre é batido, ele já está a passar o último defesa, tornando muito difícil decidir sobre o lance. Foi decidido anular o golo e depois a arbitragem compensou fazendo vista grossa a dois penaltis, enfim...Destaque para o grande golo de Mariano num jogo muito equilibrado em que a Académica voltou a mostrar um bom fio de jogo.
Paços de Ferreira – Sporting: Jogo disputado debaixo de muito frio que congelou qualquer tentativa de bom futebol. Foi um jogo muito fraco, sem fintas, sem jogadas de combinação com princípio meio e fim, sem remates, sem quase nada que valorizasse o espectáculo e justificasse a ida ao futebol em tão fria noite. A entrega dos jogadores não esteve em causa mas faltaram ideias e qualidade de execução a ambas as equipas. Claro que essas faltas tornam-se mais evidentes no Sporting, habitual candidato ao título, do que no Paços que luta pela manutenção. Assim, o empate sendo justo, castiga muito mais os leões do que os castores.
Benfica – Belenenses: Jogo fraco por parte do Benfica que ao marcar cedo decidiu baixar o ritmo do jogo e fazer circulação de bola sem grandes esforços para aumentar a vantagem. Nem mesmo depois de Fajardo desperdiçar uma grande oportunidade para o Belenenses, o Benfica mostrou maior acutilância e só quase no fim do jogo é que voltou a ter algumas boas oportunidades de golo, desaproveitadas na maioria pelo ansioso Weldon. O Benfica pareceu estar cansado e embora a vitória tenha sido mais do que justa, deve-se realçar a boa organização defensiva do Belenenses que não praticou qualquer anti-jogo, antes procurou dentro das suas possibilidades marcar golo, o que ia conseguindo em pelo menos duas ocasiões. O Belenenses parece ter jogo para estar muito melhor no campeonato, embora se saiba que contra o Benfica quase todas as equipas se transcendem. Mas enquanto noutras isso acontece graças a uma enorme motivação, só presente nos jogos contra o Benfica, o Belenenses “limitou-se” a mostrar bom futebol e boa organização. Como pessoa nascida e criada em Lisboa, essa linda cidade, desejo muito que o Belenenses permaneça entre os grandes, que é o que a sua história e a história do nosso futebol exigem do prestigiado clube de Belém. Tempos houve em que mais equipas de Lisboa estavam na primeira Liga. O Atlético, clube de Alcântara, e o Oriental, clube do norte de Lisboa, já pertenceram à elite do nosso futebol e quem sabe se algum dia a ela voltarão. Isso foi há muito tempo, eu mal me lembro, mas como verifiquei que há vários leitores da terceira idade, que tão bem se lembram de coisas dessa altura, como por exemplo do Calabote, achei por bem fazer esta pequena evocação.
Leixões – FC Porto: Jogo muito ingrato para os portistas que mereceram largamente a vitória que lhes foi negada por um conjunto de circunstâncias. Primeiro, jogaram contra um clube que tinha mudado de treinador, contratando alguém que não sendo português conhece bem o nosso futebol. Sabe-se que após uma mudança de treinador ocorre nos primeiros jogos uma motivação extra, levando muitas vezes a melhores resultados, mesmo que depois volte tudo ao mesmo. Segundo, o Porto foi manifestamente infeliz, falhando muitas oportunidades claras, daquelas em que parece que o mais difícil é falhar. Terceiro, o FC Porto foi prejudicado por uma arbitragem que, em caso de dúvida, decidia quase sempre contra o Porto. Exemplo claro é o penalti sobre Rúben Micael, que não sendo tão evidente como isso, o jogador portista começou logo a atirar-se para o chão mal viu o adversário mexer o pé, deveria ter sido assinalado. O árbitro também permitiu anti-jogo por parte do Leixões, cujos jogadores se atiraram para o chão por tudo e por nada. É por causa de situações destas que eu há muito defendo o uso de cronómetro no futebol e que siga o princípio de pára a bola pára o jogo a exemplo de outras modalidades. E não me venham dizer que seria muito caro.
Este Leixões – Porto deu origem a um momento extraordinário que muita tinta irá fazer correr. Depois do jogo, Bruno Alves na entrevista rápida que sempre se efectua, lamentou atónito e preocupado que a arbitragem não tem nesta época facilitado nada para o FC Porto. É caso para dizer que uma pequena entrevista em directo vale mais que várias escutas telefónicas. Claro que não é bem como o Bruno disse. O Porto já foi esta época beneficiado várias vezes a ultima das quais contra a Académica na semana passada. Mas não o tem sido como em anos anteriores e contra o Leixões, surpresa das surpresas, até foi prejudicado, coisa que acontece a todos os clubes mas no que ao Porto diz respeito é algo absolutamente inesperado para os portistas, a começar pelo seu treinador, que na mesma entrevista rápida não escondia a sua estupefacção.
Everton – Sporting: Ainda deu para ver o Sporting em jogo para a liga europeia. Embora o Everton não se tenha apresentado muito melhor do que contra o Benfica, o Sporting passou por algumas dificuldades a defender e foi pouco acutilante a atacar valendo-lhe uma vez mais esse magnífico Liedson que conseguiu arrancar um penalti e uma expulsão de um jogador do Everton quando o jogo tendia mais para o três a zero do para o dois a um. A grande penalidade foi muito bem convertida por Veloso e agora o Sporting tem grandes hipóteses de seguir em frente, bastando-lhe ganhar no seu estádio por um a zero. Oxalá os jogadores do Sporting se consigam apresentar calmos e concentrados pois têm valor suficiente para, apoiados pelos seus adeptos, seguirem em frente nesta prova europeia. Esperemos que assim aconteça.
O "nosso" Benfica está a perder o fôlego. Vamos lá ver o que dá. Friamente o FC Porto foi prejudicado com o Leixões e até digo que são equipas com essa de Matosinhos que não fazem falta ao nosso campeonato.
ResponderEliminarMas temos pena e o Benfica a mal ou a bem lá segue rumo ao título. Força.
A ideia do cronometro é muito boa.
Tem sido salientado por todo o lado que o Benfica não é o mesmo. Pergunto eu, e poderia? Um facto natural devido ao desgaste de muitos jogos e com a constante utilização dos que oferecem mais garantias. Porém referido como demérito.
ResponderEliminarQuem souber duma equipa que tenha tido uma época sem "quebras" diga-me!
Não é justa a sua visão dos lances do FC Porto. No golo anulado ao Bruno Alves, em caso de dúvida é favorecido o ataque, seja o do Porto, do Benfica ou do Sarilhense.
ResponderEliminarNão percebo porquê o receio de defrontarem o FC Porto no Estádio do Algarve, onde joga o Estoril, irá acontecer o mesmo que aconteceu ao Sporting o ano passado, o Porto vai ser roubado.
Um abraço.
Caro Sr. Manuel Oliveira: então não acha esta crónica muito anti-portista como classifica a do comentador do Porto? Afinal você é tipo feijão frade. Estranho é que use a mesma foto. Na verdade você parece ser bem mais fanático que todos os outros comentadores que por aqui aparecem.
ResponderEliminarJoão Rebelo