03 fevereiro 2018

Mário Jardel: um goleador "à moda antiga"

Voar como o Jardel sobre os centrais. Esta frase presente na letra da música Não me mintas, da autoria de Rui Veloso, define como era Mário Jardel como jogador: um autêntico pássaro que voava sobre as defesas contrárias pronto a dar a bicada final.
Mário Jardel foi um dos melhores avançados que passaram no futebol português durante a década de 90 e o início de 2000, quando vestiu a camisola de dois grandes clubes em Portugal: Futebol Clube do Porto e Sporting Clube de Portugal.
Polémicas extra-futebol à parte, Mário Jardel, ou Super Mário como era conhecido cá em Portugal, foi considerado por muitos adeptos como um avançado que só jogava à mama, ou seja, estava sempre plantado no ataque. Mas no fundo esse é o papel dos avançados: marcarem golos e não defendê-los. Ainda assim, desde o início da sua carreira até à chegada a Alvalade, Mário Jardel apresentou números dignos de goleador, mas quando a sua carreira começou a entrar em declínio os golos começaram a ser escassos. Mas vamos por partes.
Com passagem pelos escalões de formação do Ferroviário e do Vasco da Gama, Mário Jardel chegou à equipa principal do clube vascaíno no ano de 1992 e onde permaneceu até 1994. Ao serviço do Vasco da Gama, Jardel participou em 75 jogos oficiais e marcou cerca de 36 golos pela equipa vascaína. Ainda no Brasil, depois do Vasco da Gama, seguiu-se o Grémio de Porto Alegre, onde ficou dois anos, mas onde mostrou novamente números de goleador puro: 84 golos marcados em 93 jogos oficiais pelo emblema tricolor e arquirrival do Internacional de Porto Alegre.
Terminada a sua passagem pelo seu país, Mário Jardel rumou ao futebol português para representar o FC Porto, onde permaneceu durante quatro temporadas e onde apresentou os melhores números de toda a sua carreira ao mais alto nível: em 175 jogos oficiais pelo clube azul e branco, o ponta-de-lança brasileiro apontou cerca de 168 golos em Portugal. Após quatro épocas, ao mais alto nível, em Portugal, Jardel foi para a Turquia, onde representou o Galatasaray e onde não marcou assim tantos golos como havia feito antes: em 17 jogos pelo emblema turco, o avançado brasileiro apontou 11 golos. Acabaria por regressar a Portugal, para assinar pelo Sporting e permanecer assim durante duas épocas, e onde voltou a mostrar os seus dotes de goleador: em 62 jogos oficiais pelos leões acabou por marcar cerca de 67 golos.
Depois de ter saído do Sporting, Mário Jardel passou a ser globetrotter e começou acumular experiências falhadas atrás de experiências falhadas (e até chegou a engordar imenso nesse longo período). No Bolton Wanderers, Jardel participou em 12 jogos oficiais e marcou, apenas, 3 golos e depois, em Itália, pelo Ancona, o avançado sul-americano jogou, apenas, 3 jogos e não marcou nenhum golo em solo transalpino.
Após o falhanço em Inglaterra e em Itália, Mário Jardel viajou para a Argentina, onde assinou pelo Newell's Old Boys, mas jogou apenas 3 jogos e nem um golo marcou no país das pampas. Seguiu para o Góias, no regresso ao Brasil, mas jogou só em 8 jogos oficiais e marcou, apenas, 2 golos no seu país. Na época de 2006/2007, Mário Jardel regressou a Portugal, assinando pelo Beira-Mar, e em Aveiro o avançado brasileiro participou em 13 partidas oficiais pelo clube aveirense e marcou 4 golos. Continuou a sua viagem para o Chipre, onde jogou no Anorthosis Famagusta e participou, apenas, em 7 jogos oficiais e marcou 2 golos. Seguiu-se a Austrália, onde representou o Newcastle Jets e onde jogou em 11 jogos e não marcou qualquer golo.
Após o falhanço futebolístico no Chipre e na Austrália, Mário Jardel regressou, quase definitivamente, ao Brasil e onde passou a jogar por clubes menores do futebol canarinho: no Criciúma jogou em 17 jogos oficiais e marcou 6 golos; no Ferroviário, clube onde se iniciou, participou, apenas, em 6 jogos e marcou 5 golos; no América-CE, Super Mário jogou em 11 jogos e apontou, apenas, 8 golos; e no Flamengo-PI, Jardel marcou presença em 16 jogos e marcou uns impressionantes 12 golos no declínio da sua carreira de futebolista.
Ainda assim, Mário Jardel regressou ao continente europeu, mais concretamente à Bulgária, onde assinou pelo modesto Cherno More e onde participou 8 jogos oficiais, marcando, apenas, 1 golo. Mesmo assim, Jardel decidiu ir para a Arábia Saudita, onde representou o Al Taawon e onde participou em 17 jogos oficiais, marcando 18 golos para gáudio dos adeptos. Pela Seleção do Brasil, Mário Jardel registou, apenas, 10 internacionalizações e 1 golo marcado, mas também tinha uma concorrência feroz no ataque da Canarinha.
Em suma, a carreira de Mário Jardel divide-se, talvez e na minha opinião, em dois momentos distintos: uma primeira parte onde mostrou nível e qualidade de um verdadeiro goleador em estado puro; e uma segunda parte onde começou a entrar em declínio e marcador menos golos e mostrando menos qualidade. Se tivesse tido mais cabeça, poderia ter sido um caso ainda mais sério no futebol do que realmente foi.

2 comentários:

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