Quando em Maio o Benfica se sagrou tetracampeão nacional, todos os adeptos (benfiquistas ou de outros clubes) terão pensado que seria a oportunidade ideal para estabelecer uma hegemonia no futebol português, à semelhança do que aconteceu com o FC Porto nos anos 90 - altura em que o clube das Antas foi pentacampeão. Mas todos esses sonhos não passaram disso mesmo: sonhos.
No mercado de transferências, durante o Verão, o clube encarnado vendeu Ederson Moraes, Nélson Semedo e Victor Lindelöf por valores astronómicos e todos os adeptos benfiquistas pensariam que esse dinheiro serviria para contratar jogadores de qualidade e que entrassem diretamente no onze da equipa de Rui Vitória. Mas saiu tudo ao contrário: o Benfica vendeu Ederson e repescou Bruno Varela e contratou Mile Svilar (o guarda-redes belga é, talvez, o melhor herdeiro do guardião brasileiro); o clube encarnado vendeu o Nélson Semedo ao Barcelona e para substituir o internacional português contratou o brasileiro Douglas (mal jogou no Sp.Gijón e mesmo assim foi contratado); Victor Lindelöf saiu para Old Trafford e o Benfica não contratou ninguém para o centro da defesa e ainda manteve os velhinhos Luisão e Jardel, que já não apresentam o nível desejado para jogarem ao mais alto nível.
E como senão bastasse os erros cometidos na baliza e no quarteto defensivo, durante o mercado de transferências, o Benfica decidiu ainda vender o ponta-de-lança grego Kostas Mitroglou para depois ficar com o suíço Haris Seferovic (o suíço não é jogador para um candidato ao título) e contratou o brasileiro Gabriel Barbosa (ou Gabigol) por empréstimo do Inter de Milão e com uma opção de comprar no valor de 25 milhões de euros.
E a péssima abordagem ao mercado de transferências traduziu-se num péssimo desempenho nas competições europeias, onde o Sport Lisboa e Benfica, sendo cabeça-de-série, ficou com uns desprestigiantes zero pontos, 1 golo marcado e 14 sofridos em toda a fase de grupos da UEFA Champions League. E nem à Liga Europa vão.
Por outro lado, nas competições internas, a Taça de Portugal já foi à vida neste jogo com o Rio Ave (as outras duas eliminatórias frente ao Olhanense e Vitória de Setúbal ainda disfarçaram algumas debilidades) e na Taça da Liga e na Liga NOS as coisas não estão nada fáceis, visto que no campeonato o Benfica está em terceiro lugar a três pontos dos líderes Sporting e FC Porto e na Taça da Liga, o Benfica está em segundo lugar, com menos dois jogos, e com um ponto (atrás do Vitória de Setúbal).
Agora, o Benfica terá que dar ao chinelo para se manter vivo no campeonato português e na Taça da Liga, visto que são, apenas, as duas competições internas que ainda poderá ganhar esta época.
Depois de duas épocas, sob o comando de Rui Vitória, onde o Benfica venceu vários títulos e onde teve boas prestações europeias, contribuindo com pontos para o ranking da UEFA, este ano o clube da Luz foi do oitenta para o oito e, se em Janeiro não entrar no rumo certo, poderá entrar numa espiral negativa que poderá ter efeitos negativos sobre a Direção, o treinador e os jogadores, já que a pressão da massa adepta irá fazer-se sentir. Rui Vitória, neste momento, tem sua cabeça na guilhotina e só depende dele e dos seus jogadores evitar que a lâmina lhe caia em cima. Agora, os adeptos do Benfica terão que esperar pelos próximos jogos para verem se a equipa vai reagir positivamente ou se vai continuar com medo de jogar futebol.
Nota FDJ: O artigo foi escrito antes dos jogos realizados ontem.
«Rui Vitória tem a cabeça na guilhotina...»
ResponderEliminarA não ser que se tratasse de uma visão teórica e abstrata de que todos os treinadores têm a cabeça na guilhotina, visto dependerem dos resultados, esta visão catastrófica não tem qualquer correspondência com a realidade.
Só um clube irresponsável e completamente desgovernado é que um treinador que, em dois anos, ganhou: 2 campeonatos, 2 Supertaças, 1 Taça de Portugal e uma Taça CTT, colocaria a cabeça na guilhotina estando em Janeiro a 3 PONTOS (!!!) da liderança do Campeonato que lhe dará o PENTA, se conseguir chegar à frente.
Só um clube de loucos e ignorantes é que não sabe que nenhuma mudança de treinador em Janeiro se traduziu na conquista do campeonato em Maio. Nem José Mourinho conseguiu tal desiderato no FCP.
O que há é meia dúzia de simplórios, como todos os clubes têm, que se julgam "nova geração", mesmo veiculando ideias velhas e relhas. Rui Vitória não só não tem a cabeça na guilhotina como está em condições (com um ou dois reforços...) de repetir aquilo que fez na sua primeira época no Benfica em que, nesta altura, ainda levava 4 ou 5 pontos a atraso da equipa do melhor do clube do Mundo e terceiro na Europa e, no fim, foi festejar para o Marquês...
O que o Benfica precisa é de se concentrar no jogo dentro do campo enquanto os cães vão ladrando e ganindo fora dos estádios.
Falar do rui derrotas depois do que esta a acontecer é lindo.
ResponderEliminarvai ser o treinador ideal para jogar nos pelados
Não entendo estas lógica da batata em que o treinador é ao mesmo tempo uma vítima porque lhe tiram os melhores jogadores do plantel sem comprar substitutos à altura e um vilão porque não consegue fazer omeletes sem ovos. Má abordagem na pré época, sem dúvida. Responsável por isso certamente não será RV.
ResponderEliminarQuanto ao falhanço no estabelecimento da hegemonia, a ver vamos. Se ganhar o campeonato, que reconheço não ser fácil, tudo se esquecerá e os jornais e adeptos falarão de uma hegemonia que neste momento parece utópica. O Benfica tem, feitos alguns ajustes em Janeiro, equipa para ganhar o campeonato. Lateral direito, lateral esquerdo, central e box to box com qualidade para discutir a titularidade fariam do plantel do Benfica o melhor em Portugal. Em termos individuais até já o é, mas claramente desequilibrado na defesa.
Rui VITÓRIA é uma Abécula, quer seja PETA OU NÃO....
ResponderEliminarO.MELHOR ainda está para vir, Pedro Guerra, digo José Nelinho!
O teu amigo
Paulo Gonçalves