18 dezembro 2017

Clubes grandes assumem perdas de 35M€. SAD leonina tem mais de 16,1M€ a receber de “clientes de cobrança duvidosa”. Benfica soma perto de 15M€. FC Porto 'fica-se' por pouco mais de 5,5M€; Nuno Cabral vai ser travado por Fontelas Gomes

Foi com sucesso que Nuno Cabral terminou o curso de observador, organizado pelo Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Vila Real, mas isso está longe de querer dizer que o antigo delegado da Liga poderá desempenhar essas funções, mesmo a nível distrital. Isto porque o Conselho de Arbitragem tem poder para ‘anular’ o curso de Cabral, um dos nomes envolvidos no caso já conhecido como dos emails – o alegado esquema de corrupção do Benfica – por intermédio de Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto.
Isso deverá mesmo acontecer e o principal fator que inviabiliza o futuro de Nuno Cabral enquanto observador é mesmo a validade do próprio curso promovido pela AF Vila Real. De acordo com o artigo 34º do Regulamento de Arbitragem da FPF, "o curso de Formação Inicial para Observador Distrital é organizado pelos Conselhos de Arbitragem das Associações sob a orientação e supervisão da Academia de Arbitragem". Pois bem, é na última parte do referido artigo que reside o problema. É que, segundo o jornal Record apurou, o curso ainda não se encontra homologado pelo CA da FPF e, por isso, não tem qualquer tipo de validade para já.
A bola está, portanto, do lado do organismo liderado por José Fontelas Gomes, até porque há mais pressupostos que têm de ser cumpridos para que a aprovação dos cursos aconteça. "Cabe ao CA da FPF, em colaboração com a Academia de Arbitragem, definir os módulos e as matérias a lecionar, de modo a que a avaliação possa ser desempenhada de modo uniforme, competente e responsável", pode ler-se. Também este ponto terá de ser avaliado pela equipa de José Fontelas Gomes.
Caso o curso seja homologado, Nuno Cabral fica desde logo obrigado a estar um ano enquanto observador nos escalões distritais, antes de ter de fazer o curso de ‘Formação Avançada para Observador Nacional’.
Mesmo com as dificuldades em homologar o curso da AF Vila Real, nem essa aprovação abre as portas do panorama nacional enquanto observador a Nuno Cabral. Tudo isto porque a decisão final da promoção ao principal ‘escalão’ pertence sempre ao Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, como pode ler-se no artigo 68.º do Regulamento de Arbitragem da FPF. O antigo delegado da Liga teria de estar entre "os dez melhores classificados no curso de Formação Avançada para Observador Nacional" de forma a ser elegível. No final, o CA "selecionará, por proposta da Secção de Classificações, de entre os observadores nacionais, um grupo restrito que atuará, preferencialmente, na avaliação de árbitros das categorias C1, C2 Elite, AAC1 e AAC2".
Também com passado como árbitro de 3.ª categoria, Nuno Cabral foi acusado por Francisco J. Marques de trocar emails com Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves, presidente e assessor jurídico do Benfica, respetivamente. Tal acontecia, alegadamente, quando Cabral ainda desempenhava as funções de delegado da Liga e, nessa correspondência, passaria informação privilegiada sobre temas ligados à arbitragem. Além disso, o diretor de comunicação do FC Porto também acusou o ex-árbitro de tentar mover influências junto de dirigentes do emblema da Luz, sempre enquanto delegado do organismo atualmente liderado por Pedro Proença.

As sociedades que gerem o futebol profissional dos três grandes assumem nos seus relatórios e contas que não deverão receber cerca de 35 milhões de euros a que têm direito, isto porque os devedores foram inscritos na rubrica de clientes de cobrança duvidosa, ou seja, dos quais já não se espera que venham a assumir as suas dívidas. No relatório e contas referente à temporada passada, a Sporting SAD assume que a 30 de junho tinha a receber 16,147 milhões de euros de clientes de cobrança duvidosa, valor que, de resto, regista na rubrica "perdas por imparidade de clientes". Este valor, o mais alto entre as três sociedades, representa um acréscimo de quase 1,8 milhões face ao montante registado em igual data da temporada anterior (nas contas de setembro, o valor caiu para 15,9 milhões). Com a subida registada entre as épocas de 2015/16 e 2016/17, os leões ultrapassaram as águias neste campeonato. 
O relatório e contas da Benfica SAD refere que a "30 de junho de 2017 existiam créditos de cobrança duvidosa no montante de 13,072 milhões de euros, relativamente aos quais foram constituídas imparidades", acrescentando que "no final do período transato, os saldos ascendiam a 14,917 milhões de euros". De referir que nenhuma das duas sociedades enumera os devedores em causa. 
A fechar esta listagem surge a FC Porto SAD, que registava a 30 de junho mais de 5,541 milhões de euros em clientes de cobrança duvidosa, um ligeiro aumento de aproximadamente 60 mil euros face à temporada anterior. Ao contrário dos seus adversários, os dragões identificam os seus devedores, revelando que o "saldo da rubrica ‘Clientes de cobrança duvidosa’ considera, na sua maioria, contas a receber de clubes de futebol, como sejam da União Desportiva de Leiria, Futebol SAD e Esporte Clube Vitória [clube brasileiro de Salvador, na Bahia], entre outros". 

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