24 outubro 2017

Sporting vai mesmo à FIFA; Árbitros justificam greve: "Voltaram as conversas dos padres e missas"; Conselho de Arbitragem chocado com revelação da Liga; Os erros de arbitragem e do VAR. "Árbitros vão acabar por perder a confiança uns nos outros"

Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), esclareceu ao jornal O Jogo que a posição de força dos árbitros de categoria 1, que avançaram com a indisponibilidade de apitarem jogos da Taça da Liga marcados para novembro e dezembro, "foi tomada hoje" e justificou-a com "mais um fim de semana em que a seriedade dos árbitros foi posta em causa", disse. Para clarificar, sublinhou não estar a referir-se a críticas que surgiram na sequência de mau funcionamento ou decisões discutíveis relacionadas com o videoárbitro (VAR) - "essas fazem parte", argumentou - mas devido a outros comentários que diz ter ouvido no rescaldo da jornada - "voltaram as conversas dos padres e missas", especificou .
O comunicado refere, e Luciano Gonçalves repetiu, que o clima asfixiante no futebol português não é novo, mas "tem-se degradado". Por ser uma questão que se arrasta há algum tempo, as ameaças de boicote, comentadas nos bastidores, não são novas. O diário quis saber o porquê de a decisão ter avançado só agora, a coincidir com a Taça da Liga, e não anteriormente, a tempo de cumprir prazos para a fazer coincidir com o campeonato ou a Taça de Portugal, provas que têm até outro mediatismo. "Porque não houve uma intenção de 'timings' planeados; acontece é que este fim de semana tivemos novo ataque à seriedade dos árbitros; jovens árbitros que estão a começar já são tratados como futuros corruptos", criticou.
O facto de haver discordância dos árbitros em relação ao que recebem por apitar jogos da Taça da Liga, diz, é apenas coincidência. Uma coincidência mencionada no comunicado com a intenção de não ser essa a causa apontada. Luciano Gonçalves não quis, porém, especificar o que pedem concretamente os árbitros na negociação que está em curso. E nega também que fazer coincidir o boicote com a Taça da Liga possa ser visto como a APAF, de alguma forma, a intrometer-se no suposto clima de alguma crispação que se diz existir entre FPF e Liga. "Não, não", disse. Certo é que Conselho de Arbitragem da FPF foi informado da decisão e, garante Luciano Gonçalves, mostrou-se "solidário".
Questão óbvia a rematar: esta decisão tomada hoje pode voltar atrás? "Não vou comentar isso", começou por dizer, embora da insistência do diário tenha nascido uma brecha a dar conta dessa possibilidade. "Se os clubes se comprometerem a assumir um comportamento de mudança", deixou escapar. Mas, se as críticas são para comentadores, o que podem os clubes fazer? "Sabemos todos que isso é possível", rematou o líder da APAF.

De acordo com fonte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o Conselho de Arbitragem ficou chocado por fonte da Liga ter alegadamente revelado conteúdo do relatório do árbitro (Nuno Almeida) do jogo Aves-Benfica, facto que considera gravíssimo, uma vez que o relatório ainda não foi analisado pelo Conselho de Disciplina e poderá conter factos que obriguem o CD a manter-se em sigilo. Tal será o caso, por exemplo, de existir matéria constante do relatório que justifique a abertura de um inquérito ou processo disciplinar.
Recorde-se que a questão da avaria do videoárbitro é outro dos assuntos que continuam a dar que falar na sequência do encontro da nona jornada. Fonte da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, recorde-se, revelou ao jornal O Jogo que aquele organismo pediu esclarecimentos ao Conselho de Disciplina por não ter tomado conhecimento oficial da avaria que impediu as comunicações entre o VAR e o árbitro no dia do jogo, uma vez que, segundo o diário, a mesma não consta dos relatórios da equipa de arbitragem. A mesma fonte confirmou que a Liga foi informada formalmente pelo Conselho de Arbitragem, mas apenas ontem, tendo solicitado mais esclarecimentos no sentido de perceber a ausência de qualquer referência à avaria nos relatórios apresentados no final da partida.

O Sporting confirmou a ameaça e acionou, nesta segunda-feira, o Atlético Mineiro na FIFA devido a uma dívida em relação à recente venda de Elias. O emblema brasileiro tem um atraso de quatro meses no pagamento de parte da transferência, cujo valor, com juros já contabilizados, é de 2 milhões de euros.
Tendo a queixa já entrado na entidade máxima do futebol internacional, o "Galo" tem 30 dias para saldar a dívida ou , pelo menos, apresentar uma proposta de acordo. Terminado o prazo, e se não houver um desfecho, o clube devedor pode sofrer sanções.
Para contratar o médio, que deixou os leões em janeiro deste ano, o Atlético Mineiro acertou a compra de 70% do passe por 2,5 milhões de euros, com mais 1 milhão de euros por objetivos. Até ao momento, pagou apenas 1 milhão de euros no total.

Os erros na decisão e cooperação entre árbitros e vídeo-árbitros vai levar à descrença de lado a lado, defende Veiga Trigo, antigo árbitro, após uma jornada nove do campeonato marcada por muitos erros de arbitragem.
Em Alvalade, Rui Costa não assinalou penalti contra o Chaves, mesmo depois de visionar as imagens. Nas Aves, uma falha técnica impediu Nuno Almeida de recorrer ao vídeo-árbitro, no lance da segunda grande penalidade a favor do Benfica.
No Dragão, o árbitro Manuel Oliveira e o vídeo-árbitro Fábio Veríssimo não descortinaram uma mão de Ricardo na área pacense, tendo ficado por assinalar grande penalidade favorável ao Porto. No Feirense-Rio Ave, Rui Oliveira recorreu quatro vezes ao vídeo-árbitro, no entanto, nem sempre decidiu bem.
Em entrevista à RR, Veiga Trigo diz que, com situações desta natureza, "os árbitros acabarão por perder a confiança uns nos outros", acrescentando que "podem acontecer erros propositados", apesar de "dizerem que são muito amigos uns dos outros".
Veiga Trigo assistiu aos problemas, no fim-de-semana, mesmo com o vídeo-árbitro, e lamenta "os erros" que se acumulam.
O antigo árbitro sugere que "as comunicações entre árbitro e vídeo-árbitro sejam divulgadas publicamente", para que todos percebam quem está errado nas decisões tomadas.
Os erros "são maus demais para que vê", mas principalmente "para quem criou" o projecto do vídeo-árbitro.
Veiga Trigo recorda o que já tinha afirmado, que "na altura em que o vídeo-árbitro não fosse favorável a algumas pessoas", estas começariam a protestar, tal como está a acontecer.
Sobre o futuro do vídeo-árbitro, Veiga Trigo sublinha "que este não está a resultar", mas não acredita que a Federação "volte atrás com projecto", depois do investimento feito na nova tecnologia".
Acima de tudo, o antigo árbitro pede que "os responsáveis da Federação façam algo", porque o vídeo-árbitro "não está a resultar".

3 comentários:

  1. A questão já nem está bem no que a FPF quer: no próximo Mundial já vamos ter o VAR e Infantino já informou que vem para ficar. Por isso, o que há a fazer é simples: ir afastando os árbitros incapazes de despir o seu clubismo, através de sucessivos castigos aplicados em casos de falhas graves na sua missão. Só que...
    Pois, mas primeiro é preciso afastar a corja que se alimenta no CA e no CD.

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    1. Mas os árbitros incapazes estão todos identificados, é preciso é o Benfica deixar. Enquanto não for ninguém preso a pouca vergonha vai continuar.

      E não são só os árbitros, são todos os tentáculos de uma sociedade podre que o Benfica ramificou.

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  2. Para uma coisa o VAR serve: para mandar embora quem não presta mesmo contra a vontade de quem manda.

    Por exemplo, o Rui Costa, depois de não assinalar o penalty sobre o Gelson, tem necessariamente de ter nota negativa.

    O homem viu o VAR duas vezes e decidiu não assinalar.

    Da duas uma: ou não sabe para mais ou não "quer" saber.

    Em qualquer caso, não serve.

    Agora já não há desculpas.

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