27 dezembro 2015

JJ falou em lealdade ao Benfica; do candidato Sporting; de Rui Vitória; arrasou João Gabriel; o sonho de vencer a champions; o seu salário; as comparações com Mourinho; e muito mais

Em entrevista ao "Jornal das Oito", da TVI, Jorge Jesus fez um balanço dos primeiros seis meses no comando do Sporting e abordou questões da sua vida pessoal

Sporting campeão: "O Sporting é um dos candidatos. Ser candidato e favorito são coisas distintas. Os dois favoritos são o Benfica, que é campeão e tem direitos adquiridos, e o FC Porto. São duas equipas que têm mais responsabilidade. O Sporting pode ser um candidato ao título e intrometer-se entre os dois favoritos. Lutar pelo primeiro lugar foi sempre a ideia que tive e é isso que estamos a fazer. Estamos em segundo, que era aquilo que eu previa. Ainda estamos no segundo terço do campeonato, mas estamos na luta"

Terminar à frente do Benfica é importante?: "Para mim, o importante é ser tricampeão, num clube diferente. Sporting é um clube que, ao longo destes anos, perdeu identidade e poder, não só em termos de equipa, mas em períodos fundamentais para os clubes. Isso ganha-se com resultados. O Sporting perdeu esse espaço. Estamos a tentar recuperar a identidade perdida do Sporting. Hoje, os sportinguistas estão orgulhosos do que a equipa está a fazer. De estar a competir com os dois rivais"

Clássico: "São dois rivais e o FC Porto está por cima na classificação. No entanto é um jogo que não vai decidir nada. Os campeonatos não se ganham à 16ª jornada, ganham-se na última. O que vai decidir é quem será líder. Para mim é um jogo qualquer, mas mais mediático"

Pressão: "Às vezes não tenho noção disso. Não tenho muita noção da responsabilidade que tenho e da noção que tenho de ter para deixar muita gente feliz ou infeliz. Tenho a noção que a mudança do Benfica para o Sporting trouxe isso, mas na altura não tinha. Nestes meses tenho sentido isso na forma como sou abordado pelos adeptos dos dois clubes e não tinha noção que a mudança pudesse mexer com tanta coisa"

Traição ao Benfica: "Não podem apontar-me como traidor porque mudei de um clube para outro. O meu trabalho é o futebol e houve várias circunstâncias que me fizeram mudar. Voltaria a fazer o mesmo hoje"

Leal ao Benfica: "Fui 200% leal ao Benfica. Quando ganhámos a Taça da Liga, que foi o último jogo da época, tivemos mais dois dias de treino e fui sempre leal até ao último segundo. Cresci muito como treinador e pudemos ter conseguido mais. Conseguimos chegar às decisões, mas não vencemos algumas. A minha lealdade foi sempre dentro daquilo que é ser profissional"

Benfica podia ter evitado a saída: "Não podemos fugir à questão do Benfica e gostaria de falar um bocadinho do Sporting. Não sei se as coisas seriam as mesmas se soubessem que ia para o rival. Eles é que não foram leais comigo. Deslealdade do Benfica? O clube está em cima disso tudo. Os dirigentes também tinham o direito de achar que o meu ciclo tinha acabado e aceitava isso. As pessoas pensaram assim, mas não quiseram passar para fora que tinha sido assim. Optaram por dizer que eu era traidor e meteram-me um processo. São questões que não me afetam"

Críticas de João Gabriel: "Não dou muita credibilidade a essa pessoa porque não tem nada a ver com futebol. Veio da política e esse é um mundo diferente do futebol. Não me afetou nada. Afetava-me se as palavras viessem de alguém que gosta de futebol. Se viessem do Rui Costa teria ficado afetado. O Rui conhece o futebol de forma específica"

Rui Vitória: "Bom treinador que está numa grande equipa. Penso que ele é vítima de eu ter saído do Benfica. Porque se fosse qualquer um teria os mesmos problemas. Substituiu um treinador que esteve lá seis anos e ganhou tudo em Portugal. Ele pode ser o meu herdeiro e tem capacidade para isso"

Homem forte do futebol português: "Poderei dizer que o homem forte é ganhar. A força do futebol é feita pelos jogadores e pelos treinadores e depois é que aparecem as pessoas todas. Tudo isto gira à volta disto. Quando ganhas é que aparecem os homens fortes do futebol: os jogadores e os treinadores"

Pessoa polémica nas conferências de Imprensa: "Pode ser que seja controverso, mas não me calem porque eu acho que estou a ver as situações de outra maneira. Tenho a minha forma de estar como qualquer outra pessoa. Foi no futebol que me formei e esta é uma formação prática e a prática é o critério da verdade. Não me sinto obrigado a medir as palavras. Digo o que penso"

Revolução no Sporting: "Estou a mudar a ideia de jogo, a mudar o que é uma estrutura relacionada com o futebol. A SAD é responsabilidade do presidente. Estou a falar da estrutura da equipa de futebol para que possamos apresentar resultados. Para isso não basta ser treinador no campo e, no Benfica aprendi isso, que é preciso estrutura"

Champions: "Há dez equipas onde um treinador está mais perto de poder conquistar esse seu sonho e o troféu. As equipas mais fortes na Europa são o Barcelona, o Bayern, o Real, o Manchester City e o PSG. Gostava de chegar a essas equipas tal como, antes de chegar ao Benfica e ao Sporting, tinha o sonho de conquistar títulos. Não tive a possibilidade de ir para esses clubes. Quando saí do Benfica tive várias hipóteses para sair de Portugal, mas não eram clubes desse perfil. Não acredito que nenhuma equipa portuguesa vá a uma final da Champions. Há capacidade profissional, mas não há capacidade financeira. Os treinadores portugueses são os melhores do mundo e são os que têm mais conhecimento em todas as áreas. Se tivermos possibilidade de trabalhar numa equipa com grandes condições financeiras é mais fácil"

Salário: "Sabe que eu nunca fui habituado a ter uma grande relação com o dinheiro. Não coloco à frente dos meus objetivos desportivos as questões financeiras. Se assim fosse não tinha vindo para o Sporting. Tive propostas aliciantes da Turquia e não pus à frente o cifrão. Se me perguntar se eu alguma vez pensei que ia ter o salário que tenho hoje, eu diria que não"

Comparação com Mourinho: "Não faço comparações, mas colocando em questão aquilo que sei e aquilo que os outros sabem não tenho dúvidas que sou o melhor. Se só estamos em Portugal não tens a possibilidade e a capacidade de ganhar o que o Zé ganhou lá fora. Aí não me posso colocar ao nível dele. Em questão de treino tenho algumas dúvidas que possam ser melhores. Para seres diferente como treinador tivemos que nascer com talento e com alguma coisa diferente para a forma como abordas o treino. Acho que o treino é como arte, como se o treinador fosse um pintor. Não sei como o Zé trabalha. Eu sei é como eu trabalho. Quem pode falar dessas diferenças são os jogadores. O Mourinho vai continuar a ser um dos melhores e vai para uma boa equipa.

Glória ou poder?: "As duas coisas estão juntas no futebol. Só podes ter poder se conquistares títulos. A minha estrada como treinador é sempre ir à procura dos objetivos que os clubes onde eu trabalho se propõem"

Honrar o contrato: "O treinador nunca sabe onde vai estar. É uma profissão onde tudo muda e tudo se altera. Os anos de contrato não querem dizer nada. O treinador está dependente de resultados.

Debates televisivos: "Não me enquadro muito. Se vejo que há pessoas que sabem o que estão a falar eu vejo. Se existirem painéis onde há interesses de clubes não vejo tanto"

Opiniões sobre a sua pessoa: "Ninguém fica insensível ao que se diz sobre si. Estou habituado e tenho capacidade emocional para aguentar todas essas situações. Quando quero vitaminizar-me fecho-me no meu mundo, para depois entrar no dos outros"

1 comentário:

  1. "Estou a treinar o Sporting mas ainda tenho o sonho de chegar a um grande novamente"!! LOL!!!
    Quem diz a verdade...

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