No futebol, como em todas as questões polémicas, cada um puxa a brasa à sua sardinha. Contudo, há factos que não podem ser negados. A realidade é que o Vitória Futebol Clube foi, na história do futebol em Portugal, um clube que marcou uma geração. Um clube que representava não só uma entidade futebolística e a sua massa associativa, mas também uma cidade e o seu povo de origem humilde. Um clube que ficou na memória dos veteranos da cidade do rio azul. Apesar de não ter um grande reconhecimento mundial, daqui surgiram nomes reconhecidos do futebol (Jacinto João, Pedroto, Félix e José Mourinho, são alguns exemplos). Foi nesta cidade que nasceu um sentimento de orgulho perante o clube que surgiu de suor e sangue do trabalho de gerações passadas.
Infelizmente, é inegável que temos vivido na sombra do que outrora foi o Enorme. Durante os últimos 10 anos, após 3ª Taça de Portugal estar nas nossas mãos, temos assistido a um Vitória instável, que passa de um ano a estar classificado para a Liga Europa, para o seguinte estar nos últimos lugares da competição, ou até lutar pela manutenção. Não é que não se sucedesse já nos anos anteriores, mas o que nos é transmitido é que a preocupação sentida pelos sócios e adeptos do clube pela situação corrente, não é partilhada pelos membros da direção. O que tem como consequência uma crescente perda de apoiantes das camadas mais jovens para os 3 grandes. Estádio cheio, só quando um destes vai jogar! E perde-se a essência do que é ser Sadino…
Muitos culpam o presidente Fernando Oliveira, mas a verdade é que a via democrática mostrou que é este representante que a maioria dos sócios quer ver na cadeira da liderança. Isto tornou-se uma bola de neve. Desde más escolhas de treinadores, a dívidas, a maus negócios com os patrocinadores e até a falta de dinheiro para pagar salários, o clube Sadino tem vindo a se enterrar. Mas como já foi referido, a história repetiu-se nas últimas eleições.
Foquemo-nos então no ano corrente. Não é possível deixar de demonstrar descontentamento com a pré-época e o jogo de presentação de nos foram presenteados até à última quarta-feira, sendo que o melhor resultado que obtivemos foi a única vitória contra o Real Betis (0-1). Podemos desculpar-nos com o facto de o Vitória ter renovado o plantel, perdendo jogadores essenciais como João Schmidt, Advíncula, Pedro Queirós e Ney Santos (cuja presença no balneário era um fator importante). Além das saídas, também o técnico atual do clube, Quim Machado, tem testado um sistema tático diferente ao que os jogadores têm estado habituados, passando do típico 4-3-3, para dar prioridade ao 4-4-2.
Mas servirá isto de desculpa para o que temos visto? Na minha opinião sincera…sim! A verdade é que com o novo treinador, sagrado campeão da II Liga, os jogadores têm visto um grau de exigência que não foi observável com os técnicos que passaram no clube na passada época. E isso é bom sinal. Não nos podemos esquecer que a pré-época tem o propósito de criar ritmo nos jogadores, experimentar o plantel e testar posições e táticas. Não deixo de ter receio do que iremos observar na primeira jornada (Vitória FC – Boavista). Com o começo da nova época mesmo à porta, apenas podemos agarrar-nos à esperança de que o ano passado não se repita. E que a vontade se sobreponha a qualquer obstáculo!
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