25 dezembro 2014

Mercado separou Bruno de Carvalho e Marco Silva desde inicio

Já diz o povo que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. O adágio cada vez mais assenta na relação entre Bruno de Carvalho e Marco Silva que, escreve o jornal O Jogo, cedo se tornou tensa, embora o conflito se tenha agudizado na última semana, com o presidente a estudar um processo disciplinar ao treinador para o despedir com justa causa. 
Os dias mais recentes têm revelado as divergências profundas que remontam ao período anterior à competição. Foi durante o defeso e no ataque ao mercado que Bruno e Marco rumaram a posições diametralmente opostas, ainda mal tinha secado a tinta no contrato de quatro anos que unia as partes. Escolha de reforços, utilização dos mesmos, decisões acerca de processos internos, discursos desalinhados, tudo pesou e foi-se agravando, estando agora iminente a rutura e pela via litigiosa, porque o técnico, com o grupo do seu lado, não admite sair pelo próprio pé – e despedi-lo sem justa causa custa cerca de dois milhões de euros.
O primeiro grande ponto de discordância aconteceu por altura da definição do plantel, nas contratações com vista ao ataque a 2014/15. Depois de Bruno de Carvalho apontar ao título numa declaração secundada por Marco Silva na cerimónia de apresentação do sucessor de Leonardo Jardim, os alvos estiveram longe de gerar consenso. Todos os jogadores indicados pelo treinador não saíram do papel. Foi Bruno de Carvalho (e seus pares na gestão do futebol) que concretizou negócios à margem dos planos do treinador.
Ryan Gauld é o jogador que serve de exemplo no tocante à escolha de reforços e subsequente aposta nos mesmos. A promessa do futebol escocês foi uma contratação da exclusiva responsabilidade do presidente da SAD e Direção do emblema de Alvalade, tendo sido ele próprio quem observou o atleta e moveu diligências no sentido da sua aquisição, que se revelaria a mais cara do passado verão – cerca de 2,5 milhões de euros. 
O processo foi desencadeado sem prévia consulta da equipa técnica, que se deparou com um facto consumado. Em relação a todos os outros reforços, foi pedida a opinião de Marco Silva e seus pares para obter um parecer, mas a iniciativa e a escolha dos alvos partiu sempre da empresa encarregue de gerir os destinos do futebol leonino.

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