Sete meses após trocar o Sporting pelo Monaco, Leonardo Jardim foi entrevistado no principado pelo jornal Record, onde falou de falou de vários temas incluindo o assunto do momento: Marco Silva. O treinador madeirense disse ainda estar disponível para treinar o Benfica ou o FC Porto no futuro. E falou da personalidade de Bruno de Carvalho...
"Eu tenho tido experiências com presidentes com personalidade vincada, alguns deles difíceis de trabalhar (risos). Mas o importante é as pessoas manterem o respeito e que justifiquem a sua posição. Eu não tenho de concordar sempre com os presidentes, mas sim manter as coisas viáveis. Mas atenção, eu tenho uma boa relação com ele. Trata-se de alguém que vive o Sporting com intensidade, foi necessário no processo de mudança do clube. É um facto que tem uma personalidade diferente da minha. Ele tinha as opiniões dele publicamente e em termos de futebol eu dava a estabilidade que eu entendia que o grupo necessitava. A sua forma de ser por vezes é difícil, realmente, se não estiver em consonância com aquilo que estamos a fazer, mas entre nós houve sempre respeito. Ao longo da época eu e Bruno de Carvalho tivemos algumas opiniões diferentes, mas as nossas decisões foram sempre em prol do êxito do Sporting. As opiniões entre um treinador e um presidente nem sempre convergem, pois um presidente defende o clube e o treinador o grupo, mas há que levar sempre em consideração a estrutura. A sua presença no banco? Quando estou no jogo nem sinto a presença do presidente ou de qualquer outro fator extra-jogo. A mim não me cria qualquer problema uma realidade dessas. Nunca senti que o presidente tentasse interferir no que quer que seja. Aliás, nem me lembro de conversar com as pessoas durante o jogo", relembrou Leonardo Jardim antes de falar sobre o atual momento leonino.
"Evito, nestes momentos, falar com as pessoas do Sporting. Com o Marco não falo desde o início da época e com Bruno de Carvalho a última vez que falei foi no sorteio da Champions. O Sporting tem as pessoas certas para resolverem os seus problemas. Mas acho que tudo aquilo que se está a criar à volta do clube não tem razão de ser. A equipa está na Taça de Portugal, fez um grande resultado no Dragão, fez aquilo que era normal na Champions – qualificar-se para a Liga Europa –, embora possa ter ficado algum amargo por não ter ido mais além. Na Liga está diferente, mais forte nos duelos com o FC Porto e Benfica, mas com as equipas chamadas pequenas está com alguma dificuldade. Aliás, a diferença para a liderança tem a ver com essa irregularidade frente aos clubes mais pequenos", atirou acrescentando ainda: "Acho que os projetos devem ser sempre do clube e não dos treinadores. Contudo, também não acho nada positiva a alteração de um técnico que, como já disse, eventualmente poderia estar melhor na Liga, mas que nas outras provas está a fazer um bom trajeto. Não vejo motivo ou razão para existir uma rutura, para despedir Marco Silva, mas estou só a falar em termos desportivos."
Leonardo Jardim falou ainda de um possivel regresso a Portugal deixando bem abertas as portas a Benfica e FC Porto.
"Um dia, com certeza que vou regressar. Voltando, a ambição será sempre treinar um clube de elite, que luta pelo título, e o FC Porto e o Benfica, tal como o Sporting, fazem-no. É difícil dizer quando o vou fazer, mas gostava", disse sem ver preocupações por já ter treinado o Sporting.
"Um treinador não pode estar ligado ao sentimento de adepto. Diz-se que o Jesus é sportinguista e não é por isso que não está a ter sucesso no Benfica. Tenho grande respeito pelo Sporting, mas um dia poderei treinar outro dos grandes".
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