Bruno de Carvalho não só espera um clima pesado como teme mesmo pela sua integridade física no Estádio do Dragão, palco do FC Porto-Sporting a contar para a Taça de Portugal no próximo dia 18. Anteontem à noite, o líder dos leões deixou um alerta, pediu ação à justiça sob pena de um dia se verificar uma cena trágica e foi mesmo ao ponto de declarar que a receção que teve em casa dos azuis e brancos “já foi tão má da primeira vez que pior desta feita só se sair de lá morto”. O jornal O Jogo ouviu alguns dos antecessores de Bruno de Carvalho na cadeira presidencial de Alvalade e nenhum se recorda de sofrer qualquer problema sempre que se deslocou às Antas ou ao Dragão.
Presidente do emblema leonino entre 2000 e 2004, António Dias da Cunha protagonizou alguns despiques com o seu congénere Pinto da Costa, mas andar por casa de um dos grandes rivais nunca constituiu fonte de problemas, desde a porta de entrada à de saída.
“Geralmente, entrava sozinho ou com um amigo, a pé, entre a generalidade das pessoas que iam ao jogo no Dragão ou, antes, nas Antas. Nunca temi pela minha segurança, nem ali nem lado nenhum”, esclareceu. Antes ainda de Dias da Cunha, Sousa Cintra cumpriu mandatos entre 1989 e 1995 e também nunca sentiu hostilidade na Invicta ou em qualquer outra latitude. “Eu tinha boa relação com todos os clubes e presidentes. Fui sempre bem recebido incluindo, na altura, nas Antas. Jamais tive guarda costas ou coisas do género. Nunca tive quaisquer problemas com o FC Porto ou o seu presidente. Ameaças? Nunca as senti”, reforçou.
Curiosamente, Dias da Cunha recorda-se de observar hostilidade... mas na sua própria casa, no tempo em que era ele o responsável máximo pela condução dos destinos do Sporting. Desde impropérios vindos das bancadas a cenas registadas em sede de assembleia geral, as palavras nunca passaram disso mesmo, mas Dias da Cunha relembrou: “Nunca fui agredido, mas só me deparei com atitudes ameaçadoras em Alvalade, no nosso antigo estádio.”
A relação com Pinto da Costa era, ao tempo de ambos os presidentes leoninos, bem diferente da total ausência de contacto sequer institucional que agora se verifica. Dias da Cunha conseguiu estabelecer pontos de convergência com o líder dos portistas – marcou presença na final da Taça UEFA, em Sevilha, ganha pelos dragões ao Celtic em 2002/03, mas depois rejeitou o convite para presenciar a inauguração do Estádio do Dragão.
“No meu tempo, houve o movimento dos presidentes para tentarmos chegar às grandes mudanças para melhoramento do futebol português. Era do conhecimento público que mantínhamos reuniões e procurávamos um entendimento. Posso dizer que o meu relacionamento com o presidente Pinto da Costa foi sempre muito bom”, concluiu Dias da Cunha.
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