23 março 2014

"Vai chegar o dia em que os árbitros vão ter de dizer 'basta'"

Não há semana em que não se fale de erros de arbitragem e o presidente da APAF, José Fontelas Gomes, declarou ao jornal O Jogo que não falta muito para a classe explodir. O ambiente em torno dos árbitros e a intranquilidade que isso está a gerar para os juízes em termos familiares encontra-se perto do limite e entre os responsáveis estão, para o líder dos árbitros, as instâncias disciplinares, que protegem os clubes. 
"Há um clima de terror à volta da arbitragem, com consequências para o futebol português. A pressão sobre os árbitros atingiu proporções insuportáveis. Vasco Santos foi ameaçado durante a noite por telefonemas e com a publicação da morada da sua casa, quando não estava lá a família. Manuel Mota foi alvo de vandalismo nos seus estabelecimentos e de uma carta ameaçadora com a inscrição: “Uma bala para ti e outra para a tua família será o suficiente”. A Duarte Gomes vandalizaram a viatura, também foi ameaçado em sítio público, com a sua filha, que tem três anos. Houve ainda ameaças por telemóveis... A verdade é que existe uma ligação direta entre as declarações de dirigentes sobre arbitragens e as consequências para os árbitros. Os dirigentes têm o dever de contenção e o direito à crítica civilizada. A colocação de árbitros em listas negras, as insinuações de corrupção ou de erros propositados são inaceitáveis. O Regulamento Disciplinar da Liga deve ser menos permissivo e contemplar medidas de punição exemplares. Tem de acabar esta impunidade", disse o líder da APAF alertando que os erros de arbitragem em geral acontecem no seguimento das críticas.
"A maior parte é a seguir ou antes desses jogos, mas está a alastrar-se a outro nível. Está em causa a integridade física e até a vida dos árbitros. Com este ambiente, um árbitro não sabe, se cometer um erro num campo de futebol, se amanhã está vivo ou não! Com o fanatismo, correm o risco de que aconteça algo trágico", disse antes de criticar a falta de mais regulamentação para as intervenções de dirigentes.
"Há meses fizemos denúncias por comentários dos presidentes do Sporting e do Braga e o que nos choca é que foi tudo arquivado. Essas instâncias disciplinares ajudaram a que o ambiente que se vive possa até vir a aumentar. A arbitragem saberá defender-se. Arquivar um processo em que se chama “ladrão” ao árbitro é clara proteção ao clube. Quando há manifestações à volta de um estádio, quando há ameaças por telefone, quando não deixam os árbitros dormir ou viajar descansados porque lhes ameaçam as famílias, quando os bens pessoais são destruídos e ninguém faz nada, então os árbitros vão ter de fazer alguma coisa. Estamos há dois meses a encher, e um dia tem de rebentar. Temos dado espaço para que as pessoas ponham a mão na consciência e vejam o que estão a fazer... Mas vai chegar o dia em que os árbitros vão ter de dizer “basta”, porque não aguentam mais.  
Paragem? "Nem que, no limite dos limites, seja de facto uma paragem. Se o árbitro não sente que vai fazer um bom trabalho, obviamente que o melhor é ficar em casa. Espero que não seja necessária uma tragédia para que se ponha a mão na consciência e as pessoas se sintam responsáveis. Todas as semanas temos dirigentes a atirar mais achas para a fogueira".

2 comentários:

  1. concordo,basta de roubar,basta de corrupção,basta de favores,basta de "erros" grosseiros que são visiveis por todos nas bancadas mas não pelos apitadores profissionais,BASTA

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  2. está cada vez mais perto o dia em que vais ser tu a enfardar, zézinho porkinho da apaf.
    a paciência já esgotou, mas tu achas que ainda não... então continua.
    olha que não foi o bruno de carvalho que andou a gamar impunemente durante décadas, sabias?
    chegou a hora de tu e os da tua laia pagarem pelo que fizeram e fazem. tem mais cuidado por onde andas e pia muito baixinho.

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