16 outubro 2011

O problema dos árbitros portugueses


Criticar o árbitro! Acto cometido por 99% dos portugueses, antes durante ou depois da partida é uma acção que está enraizada no nosso futebol.Faz parte de todas as conversas de café discutir se aquilo era penalty ou se o jogador x foi bem expulso, é algo tipicamente português.

Eu, como orgulhoso português com uma paixão gigante pelo meu clube, também "fervo" e muitas vezes crítico irreflectidamente a arbitragem, no entanto depois da exaltação me passar gosto de analisar as coisas a frio. Depois de várias épocas a olhar para a actuação dos árbitros em Portugal cheguei a uma brilhante conclusão, a arbitragem portuguesa é...má.

O problema dos nossos árbitros não é errarem em lances chave da partida-desde o penalty que ficou por marcar, ao golo que foi em fora de jogo-pois nesse capítulo se formos a Espanha, Inglaterra ou Alemanha são cometidos os mesmos erros. O árbitro é humano e em centenas de decisões durante o jogo é normal que falhe algumas.

A minha critica vai no sentido dos grandes "hábitos" dos árbitros portugueses: apitarem demasiado (muito mesmo!) e passarem a mostrar cartões, depois de um erro crasso há sempre a mentalidade de se aplicar a teoria da compensação para as contas ficarem "ajustadas", e há sempre o estigma de se apitar contra os grandes.

A questão das demasiadas interrupções e cartões é para mim a mais irritante, não há nenhuma necessidade de todo o contacto físico ser falta, não é por apitar centenas de "faltinhas" durante o jogo que o senhor do apito vai impor mais respeito, nem é por amarelar grande parte dos jogadores que ele vai-se tornar melhor árbitro. Pelo contrário, a intensidade do jogo desce consideravelmente prejudicando-se bastante a qualidade do mesmo -e por consequência a do campeonato- com os jogadores entrar neste "jogo" caindo no chão ao mínimo toque e recorrendo várias vezes a simulações.

A teoria da compensação é algo que parece muito enraizado na mentalidade dos nossos árbitros, depois de um grande erro ou decisão controversa, os senhores do apito parece que abandonam a coerência das decisões e criam um jogo artificial onde o que conta é compensar a equipa prejudicada (ou supostamente prejudicada) em vez de se aplicarem correctamente as decisões- dos problemas que eu apontei este é aquele cuja generalização é menor, há árbitros que conseguem manter a coerência independentemente das circunstâncias.

Quanto há vantagem que os grandes têm em relação aos árbitros, este é daqueles temas muito pouco politicamente correctos, mas a verdade é que quando o jogo começa a influência do árbitro não é de 50% para cada equipa mas sim 55% ou 60% para os grandes. Isto não se verifica no penalty mal assinalado ou no golo mal anulado, é em decisões muito mais simples desde faltas a meio campo, amarelos forçados ou perdão dos mesmo, simulações que dão em falta, e muitas outras pequenas infracções que se vê verifica esta dualidade de critérios. No conjunto de 90 minutos de jogo e de 30 jogos do campeonato, está aqui uma excelente vantagem que os grandes aproveitam.

Como um excelente exemplo de quase tudo o que aqui apontei gostava de lembrar o Guimarães-Sporting da última jornada. Depois de Rinaudo ter sido expulso de forma muito exagerada- as tais expulsões que só acontecem em portugal- o senhor Bruno Paixão decidiu compensar os leões e passou o resto do jogo a assinalar faltinhas a meio campo e a amarelar os jogadores do vitória, tornando o jogo em algo muito aborrecido com os jogadores a passarem mais tempo no chão do que a jogar.

O meu sonho era um dia ver a arbitragem portuguesa equiparar-se à inglesa- de longe a melhor do mundo- porque quando a arbitragem melhorar nestes aspectos a nossa liga irá dar um salto qualitativo gigante.

4 comentários:

  1. sonhar não custa, mas duvido

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  2. Tem de existir novas tecnologias

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  3. sim sim mas estes problemas de que falei podem ser todos ultrapassados sem novas tecnologias, a mentalidade dos árbitros é que tem de mudar

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  4. Não creio que aconteçam quaisquer mudanças, mas o tal salto qualitativo no nosso futebol passaria por, como julgo que sucedia há alguns anos, baixar de 5 para 3 a série de cartões para a suspensão, formar os árbitros para a necessidade absoluta de defender o espectáculo, procurando aumentar o tempo útil de jogo (lei da vantagem, apitar menos vezes, punir as simulações e as perdas de tempo deliberadas, etc.), e reunir na pré-época todos os dirigentes e capitães de equipa para apresentar estas novas regras.
    Ajudaria também que todos os dirigentes fizessem um pacto de silêncio sobre a arbitragem.

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