29 maio 2011

Balanço da Época Portuguesa


2010/2011 é uma época que fica para a história, os clubes portugueses conquistaram a Europa e o país conseguiu ficar em 1º lugar-pela primeira vez na história-no ranking da UEFA.

Começando pelo final, as equipas de 2º e 3º linha da Liga tiveram uma prestação normal. A descida do Portimonense e da Naval não causa surpresa a ninguém-o mesmo acontecia se muitas outras equipas da liga descessem- e os apuramentos para a Europa foram para as equipas do costume. Uma nota mais para o P.Ferreira que esteve quase a classificar-se para a UEFA (7º), foi à final da Taça da Liga e bateu-se com adversários como o Porto, Sporting ou Braga, tudo isto praticando um futebol bastante atractivo com um orçamento muito limitado.Uma nota menos para o Marítimo que com o seu excelente plantel-principalmente o ataque- devia ter lutado pela Europa, ao invés de fazer uma época decepcionante (13º).

As grandes decepções ficaram pela 2º circular, Sporting e Benfica fizeram uma época muito abaixo dos objectivos propostos. O Sporting começou a época já em "depressão", a época anterior e as más contratações feitas ditaram este mau inicio que se expandiu pelo resto da época. O terceiro lugar conquistado de forma muito sofrida (na última jornada), a distância de mais de 30 pontos para o campeão e as eliminações nas 3 taças conseguiram tornar a época dos leões pior que a anterior. Foi deprimente para os adeptos verde e brancos ver a (triste) demissão do seu presidente, os constantes maus resultados em casa e principalmente o paupérrimo futebol praticado pelos leões sempre com poucos golos, pouca imaginação no meio campo e dando sempre uma parte de avanço (uns jogos a 1º outros a 2º) aos adversários.

Do outro lado da estrada, mora um adversário que apesar dos melhores resultados as desilusões também foram maiores. Se tivesse o hábito de gastar o meu dinheiro em casas de apostas, no inicio da época este teria ido para aposta que dissesse "Benfica campeão 2010/2011". A época anterior tinha sido brilhante, este ano havia a Champions e as vendas de Di Maria e Ramires pareciam ter sido colmatadas, mas um início de época desastroso marcou a temporada inteira. As derrotas com Porto, Académica, Nacional e Guimarães tornaram uma equipa em estado de graça, numa equipa (super) pressionada e contestada, que tardava em afirmar-se. A partir daí Salvio e Gaitan perderam toda a margem de manobra e viu-se que ainda não estavam preparados para substituir os outros dois sul-americano, só começando a render à seria a partir de Dezembro-correspondendo consequentemente à melhor fase do Benfica durante a época.

Vários elementos nucleares da época anterior-Saviola, Javi, Maxi...-também tardaram em recuperar o pleno de forma, juntando-se ainda Roberto que sendo o guarda-redes mais caro da história do futebol português conseguiu estar directamente ligado a várias derrotas do clube da luz durante toda a temporada-desde os jogos iniciais até ao jogo da liga com o Porto. As várias derrotas importantes (e grandes) com o grande rival do Norte foram humilhantes para as águias, juntamente com o objectivo de seguir em frente na Champions que acabou barrado num modesto 3ºlugar do grupo .

No entanto é justo dizer, que de Dezembro a Maio vimos um Benfica excepcional ao nível da época anterior, praticando um futebol que nem o Porto foi capaz de praticar, dando sempre espectáculo conseguindo assim uma impressionante série de 18 vitórias consecutivas. Mas o que fica é um Benfica pouco consistente e irregular, com uma diferença de qualidade tremenda entre o onze e o banco e com um único titulo na bagagem. Dentro das lágrimas todas a única alegria foi mesmo Coentrão.

Como tem sido a moda dos último anos, o grande vitorioso da época foi o norte, Braga (ou Bragão) e Porto orgulharam o país com as suas prestações europeias.

No Minho moraram verdadeiros guerreiros, e se a última época tinha sido excelente, esta roçou a perfeição. Um terceiro lugar perdido apenas na última jornada-para um clube com um orçamento muito maior- e um percurso europeu épico foram a consequência da melhor época da história bracarense. Foi com grande satisfação que todos os portugueses viram Celtic, Sevilha, Liverpool, D.Kiev... tombar ás mãos de um "tal" clube português chamado Braga.

E porquê tanta vitória?É muito simples, um grupo de trabalho completamente unido, uma equipa consistente e 3 ou 4 jogadores que conseguiam fazer a diferença. Conseguimos ver um Braga de duas faces, aquele que quando enfrentava adversários mais fortes (teoricamente)-principalmente na Europa- estudava muito bem o adversário e fazia um jogo bastante pragmático, na maioria dos casos dando algum domínio ao adversário, e viu-se o Braga poderoso e dominador quando enfrentava adversários mais fracos, procurando assumir o jogo com ampla posse de bola e várias oportunidades de golo.

Por fim há que referir a máquina chamada Porto, uma equipa que ganhou quase tudo e terminou a época apenas com 4 derrotas, sendo que na liga ficou invicto. Foi histórico para os azuis e brancos humilharem o Benfica várias vezes, maravilharem a Europa com vitórias atrás de vitórias, e claro, conseguirem fazer a (mini) tripla.

O adjectivo "máquina" tem de ser aplicado de forma literal na caracterização desta equipa, é impressionante ver os automatismos e a forma como jogam de olhos fechados e de forma compacta, o mesmo se pode dizer da leitura que os dragões fazem dos jogos, se é preciso abrandar os dragões descem o ritmo de jogo, quando é preciso assumir a partida o pressing total é feito ou se é preciso arriscar então a equipa corre todos os riscos possíveis, no entanto parece sempre ser tudo detalhadamente calculado e os resultados aparecem sempre. Não podemos também esquecer que Hulk e Falcão na equipa tornam as coisas muito mais simples.

Este Porto é uma das melhores equipas portguesas de sempre, e só não pode aspirar ao título da Champions porque há clubes europeus de outro planeta.

Para o ano teremos um campeonato mais equilibrado (era desastroso se não o fosse) com um Porto a manter a pujança, um Benfica incógnito, um Sporting mais forte e um Braga a cimentar o seu estatuto de 4ºgrande.

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