14 fevereiro 2011

«Não posso permitir que ponham em risco a FPF» - Gilberto Madail

Direcção da FPF deu instruções para que sejam accionados mecanismos jurídicos que ultrapassem as ilegalidades detectadas pela PGR. Minoria de bloqueio com dias contados.

- O que é que a Direcção da FPF decidiu fazer? Há rumores de que se prepara uma alteração de estatutos sem passar pela Assembleia Geral...
- Decidimos, por unanimidade, mandatar os serviços jurídicos da FPF para analisarem o problema, nomeadamente à luz da notificação que recebemos na quarta-feira passada do Ministério Público. Uma alteração de estatutos implica uma deliberação da Assembleia Geral. Os serviços jurídicos terão essa consciência mas mandatámo-los para encontrarem uma forma juridicamente viável e eficaz para ultrapassar as ilegalidades apontadas pela Procuradoria da República e começar a resolver definitivamente este imbróglio. Perante o espectro de o Ministério Público intentar uma acção de nulidade de normas dos estatutos que existem neste momento, eu não posso deixar pôr em risco a instituição a que presido porque uma minoria de bloqueio insiste em manter-nos na ilegalidade.

- É isso que justifica a tomada desta medida apenas agora?
- Esta foi, digamos assim, a causa mais próxima, o facto novo. Sempre defendi que era necessária uma revisão mais abrangente dos estatutos, que incorporasse normas que permitam à FPF ter uma acção mais eficaz na defesa do futebol português. Por vezes somos acusados de não tomar medidas, ou não as tomar na altura certa, porque as pessoas não sabem que estamos obrigados a levar a esmagadora maioria das acções que pretendemos tomar a uma Assembleia Geral, onde, para além do tempo que levam para ser aprovadas, normalmente sofrem alterações que acabam, por vezes, por descaracterizá-las ou criar problemas à sua implementação. É o caso dos quadros competitivos, é o caso dos regulamentos e normas disciplinares que urgem actualizar, entre tantos outros. Por outro lado, tentámos a todo o custo o consenso. Motivámos variadíssimas reuniões e conversas, marcámos várias Assembleias Gerais. Na última iniciativa, conduzida pelo sr. presidente da Liga, dr. Fernando Gomes, chegou-se até a uma grande maioria de mais de 70% dos sócios mas isso não foi suficiente e agora há um facto novo que é a notificação do Ministério Público, na qual se afirma que 16 artigos dos estatutos não estão conformes à lei. Perante este quadro temos de tomar medidas e por isso mandatámos os serviços jurídicos para encontrarem urgentemente uma maneira dar resposta à situação dentro do quadro regulamentar e legal ao qual estamos obrigados.
in: abola.pt

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