10 dezembro 2010

Ricardo (Bétis) quer regressar a Portugal

Ricardo está de saída do Bétis e tem grande vontade em regressar a Portugal. Em entrevista ao Maisfutebol e à TVI, o guarda-redes revela que está a acabar a aventura em Espanha e que, se fosse hoje, não tinha saído de Alvalade.

«A situação em que me encontro é de em Janeiro poder ser um jogador livre. Estamos prestes a terminar com o calvário que estou a passar há cerca de um ano, embora pior nos últimos meses. Em Janeiro sou um jogador livre, que pode voltar ao activo. A faca espetada no coração está quase a ser arrancada. Devido a factos e situações menos dignas que se passaram, obrigaram-me a esta situação que está quase a terminar, com a garantia de um novo presidente que vai entrar no Bétis. Sou um jogador que tem contrato de trabalho, mas não pode trabalhar. Estou numa situação ilegal, o que por si só dava justa causa para rescindir contrato. Não fui inscrito, estou a trabalhar com os meus companheiros, faço tudo como eles fazem, só que chega ao fim-de-semana e falta o melhor: competir. Apesar de o meu contrato acabar só no final da época, espero que tudo se resolva. Também já ultrapassei a lesão no joelho e estou em perfeitas condições físicas e técnicas para desempenhar a minha função. Preciso é de gente que me dê carinho e acredite no meu trabalho.»

A situação no Bétis tornou-se insustentável, portanto, o que quer agora para Janeiro?
«Ser um jogador livre e poder assinar contrato por um novo clube. Vou ter respeito e carinho muito grande pelo Bétis e pelas boas pessoas e profissionais, que me dizem para seguir a minha vida. De certeza que isso vai acontecer e vou poder ter novamente os convites que tive no início da temporada, que me vi quase obrigado a recusar, porque tinha situações urgentes e que tinha esperança de resolver, o que não foi possível. Espero ser um novo Ricardo a partir de Janeiro.»

Esse novo Ricardo poderá ser visto em Portugal?
«A pergunta que mais oiço é: "Arrependes-te?" Foi uma opção que tomei. Se me perguntarem se voltava a fazer agora, possivelmente não. Se calhar tinha renovado com o Sporting, que era o desejo dos dirigentes na altura, para acabar carreira no Sporting. Foi um passo que dei, não me arrependo, mas correu mal. O desejo de voltar para casa é muito. Há interesse de dois clubes estrangeiros, mas têm de ser projectos e maneiras de ver as coisas muito sérias, porque o desejo de continuar fora esfumou-se. Tive 12 anos de campeonato português e tinha o desejo de experimentar coisas novas. Quando se está fora dá-se conta que no nosso país há coisas boas. É muito possível que volte a jogar em Portugal.»

Esses convites de inicio de época eram de Portugal? A voltar para o país, terá de ser para um clube em que terá de ser titular?
«Houve da I Liga e essa possibilidade está em aberto. O maior desejo que tenho é chegar ao fim-de-semana e ser opção. Ninguém garante que se vai ser titular, mas cada um tem o seu passado, as pessoas sabem com o que podem contar.»

É muito exigente no clube que quer?
«A exigência que coloco é sentir-me feliz. Independentemente dos objectivos do clube, quero reencontrar os sentimentos que tive quando joguei em Portugal como a solidariedade, o companheirismo. Sei que, para onde quer que vá, estou disponível para tudo! Em Portugal não se podem fazer contratos de um mês, três meses, porque até isso fazia, se fosse possível. Sei como estou e o que posso fazer. Há ano e meio não podia dizer isso. Se fosse possível contratarem-me por uma semana...»

Estaria disponível para assinar por uma semana, admite ir a custo zero até final da época?
«Sou profissional de futebol, quem trabalha tem direito a ser ressarcido, até para a profissão ter algum significado. Agora, a opção de ser muito caro não se coloca. Vou chegar a acordo para rescindir contrato. Tenho uma carreira comprida e bonita, com uma mancha neste último ano, mas uma carreira que me orgulha.»

Está desesperado para jogar?
«Pode ser uma palavra...»

Vê a situação do Eduardo parecida com a sua? Um Mundial em alta e depois uma mudança de opinião devido a golos sofridos, sobretudo aquele com a Noruega?
«Ninguém perde valor por estar numa baixa de forma. Não podemos individualizar. Há maneiras de ver as coisas e de as transmitir. Quando se quer minimizar um erro sabe-se como fazê-lo, quando se quer engrandecer, fala-se mais vezes do assunto. Nós sabemos como funciona e estamos preparados para isso. Felizmente, o Eduardo não passou nem metade daquilo que passei e espero que não voltem a repetir o que passei. Foram meses largos de perseguição maldosa. As pessoas têm de ter noção que fazemos parte da máquina, não se pode dizer que o guarda-redes perdeu o jogo ou que o avançado ganhou o jogo.»

O Paulo Bento é o treinador certo para o Eduardo não passar aquilo que o Ricardo passou?
«O Paulo Bento é o treinador certo para qualquer jogador. Tive um prazer enorme em ser colega dele na selecção e no Sporting. Depois foi meu treinador. Como técnico é exactamente o que era como jogador. É super conhecedor do que está a fazer, foi um jogador de eleição, e já pensava como treinador quando era futebolista. É trabalhador, dedicado, responsável e tem uma liderança aberta, mas com certas regras. O mister Scolari era mais fervoroso, mas tinha uma liderança igual, na medida em que para respeitares, tens de ser respeitado.»

E há alguma diferença no tratamento do Paulo Bento com os antigos colegas?
«Não é fácil. A primeira vez que tive um colega que passou a treinador foi com o Erwin Sanchez. Eu não respeitava nem mais, nem menos o Sanchez quando ele passou a treinador. Ele convivia durante o dia comigo, éramos muito amigos, as nossas famílias almoçavam e jantavam juntas. Para mim, ele sempre foi o «Espanhol». No início, era difícil chamar-lhe «ó Espanhol», porque tinha receio do que pensassem outros colegas, que não viveram o que vivemos. Com o Paulo foi a mesma coisa. Temos de saber separar as coisas. Não há privilégios, mas há um conhecimento maior de parte a parte.»

Há pouco falou em perseguições, refere-se a quem?
O que passou, passou. Havia colegas meus que jogavam comigo que diziam: "Ricardo, enquanto estiveres em Portugal a vida dos outros é fácil. Porque quando falhas, o assunto és tu. Aos outros não se cobra nada." Isto era o que diziam colegas meus, guarda-redes que jogaram comigo.»

Mas essa não é a pressão normal que tem o guarda-redes titular da selecção nacional?
«É a responsabilidade normal que toda a gente tem, podia era dividir-se um bocadinho por todos e não ser só para um. Mas pronto, foram momentos difíceis que nos fazem crescer. Passei por eles e, pela saúde dos meus filhos, não guardo rancor a ninguém.»

E está preparado para voltar a ter essa pressão em Portugal?
«A vida ensina-nos muitas coisas. Claro que, se voltasse atrás não teria feito certas coisas, mas isso é normal na vida de qualquer um. Criei uma capa com a imprensa, para defesa pessoal, porque foi um momento em que sofri muito. Não estava habituado a ser assim, estava habituado a ser uma pessoa aberta. Se calhar não seria tão agressivo, entre aspas, na relação com a comunicação social. Se houver respeito entre todos, as coisas funcionam.»

E se voltar em Janeiro, quem vê campeão no final?
«Não faço ideia. Vejo o campeonato todos os dias, mas não quero arriscar. É óbvio que o FC Porto tem um colchão muito grande e vai ser muito complicado. Mas ps jogadores que estão atrás vão puxar do orgulho para chegar lá. Tudo é possível. Se houver um mês mau e as equipas que vêm atrás tiverem um bom mês, pode ficar tudo a um ponto.»

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