Paulo Bento deixou esta quarta-feira um recado aos jogadores que vão trabalhar consigo na selecção nacional: «Temos de levar Portugal ao Euro 12!» O ex-treinador do Sporting ressaltou ainda na conferência de imprensa que Portugal não tem hoje moral para pedir a presença do público no jogo contra a Dinamarca, no Estádio do Dragão, em Outubro. «Teremos em primeiro lugar de oferecer algo ao país!»
Quando foi contactado pela primeira vez? Sente-se uma segunda escolha?
Antes de tudo espero que todos possamos alcançar o nosso grande objectivo e conto com o apoio de todos: da federação, dos jogadores e, naturalmente, da imprensa, já que estamos numa situação complicada para a selecção. Em relação a segunda pergunta, fui contactado na segunda-feira. Tive uma conversa com Gilberto Madaíl e depois as coisas desenrolaram. Tudo ficou concretizado ontem.
Ser uma segunda escolha afecta a sua credibilidade?
Uma empresa nunca tem uma opção. A federação tinha toda a legitimidade para escolher quem quisesse. Não me sinto fragilidade por ter sido a segunda escolha, pelo contrário, é um orgulho e satisfação ser uma opção a seguir, muito possivelmente, ao melhor técnico do mundo.
A situação de Portugal não é fácil. O que Gilberto Madaíl pediu?
Pediu o que pediria qualquer português. Mas mesmo que não pedisse não tinha de pedir. Não faz qualquer sentido aceitar este cargo se não tiver como objectivo alcançar o Euro 2012. Temos a noção que as coisas estão difíceis, um ponto em seis possíveis não é bom. Temos de recordar que Portugal não ganhou nenhum jogo contra adversários directos na fase de qualificação do Mundial 2010 e agora na fase de qualificação do Euro 2012, mas temos a possibilidade de inverter essa situação. Quem vier para a selecção nacional nas próximas convocações tem de se preocupar exclusivamente com as questões colectivas. Vamos estar todos no Euro 2012, vamos estar lá não um, mas todos. Temos de levar o país ao Euro 2012.
Não se sente Tom Cruise no filme «Missão Impossível»?
A missão é difícil, está claro, não nos podemos enganar, os números não enganam. Mas podemos conseguir, há qualidade e talento para o fazer. Os grandes obreiros do sucesso, os jogadores, estão com essa vontade, não imagino outra coisa. Mas é uma missão difícil. Temos qualidade e talento para isso. Desejo e quero muito que o Estádio do Dragão esteja cheio, mas neste momento não temos o direito de pedir nada aos portugueses. Temos de dar em primeiro lugar uma coisa aos portugueses, temos essa obrigação.
Será responsável apenas pela selecção principal?
Há um foco muito claro nesta dupla jornada e em particular em relação ao jogo com a Dinamarca. Após estas duas jornadas pensaremos no resto da estrutura do futebol nacional, mas entendo que o seleccionador nacional deve participar e envolver-se no futebol de formação, mas não deve ser ele a tomar conta de todo o futebol. Há que delegar funções e acreditar em outras pessoas.
Pretende trazer de volta os jogadores que renunciaram à selecção?
Quando se tem essa ideia na cabeça, e do modo como se expressaram e devido a minha própria experiência, é extremamente complicado mudar o chip. Eles foram claros quando abordaram a situação.
Os jogadores com quem teve conflitos podem sonhar com a selecção?
É mais fácil dizer do que provar a existência de conflitos. Nunca coloquei os meus interesses acima do clube, imaginem agora em relação ao meu país. Nunca tive problemas com Varela, por exemplo. No Sporting, ele não jogava porque não entrava nas contas para aquilo que eu pretendia para o Sportting. Aliás, presto aqui uma homenagem ao jogador, que nunca criou qualquer problema, é um miúdo extraordinário. Sobre Carlos Martins, numa conversa com o seleccionador nacional na altura, Luiz Felipe Scolari, disse que convocaria Carlos Martins, apesar dos problemas que tinha com ele no Sporting.
Como pensa gerir os egos dos jogadores?
O que mais acredito no futebol são os jogadores, são a parte mais importante do futebol e por isso têm sempre a minha admiração. No entanto, eles vão ter também a minha exigência e rigor e num espaço curto de tempo terão de entender o que pretendo. O que está em causa não é o ego de cada um, mas um objectivo que temos de conquistar como selecção e país. E eles não vão defraudar o país.
Esperava chegar tão cedo à selecção?
Sinceramente não sei qual é o perfil para ser um seleccionador. Se temos 70 estamos maduro mas falta motivação; se temos 40 é o contrário. Admito que tenho pouco curriculum, mas tenho algum, estive quatro anos num grande clube. Van Basten, Rijkaard, Klinsmann também não tinham experiência quando assumiram as suas selecções. Temos agora treinadores jovens nos clubes, como Guardiola, André Villas-Boas, Domingos Paciência e a todos eles reconhecemos competência. Na minha opinião, em primeiro lugar, é saber se há ou não competência. O que acredito é na minha competência e naqueles que me rodeiam, além de acreditar no talento, qualidade e vontade dos jogadores.
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