25 setembro 2010

Olegário sente-se desconfortável

O árbitro de futebol Olegário Benquerença admitiu hoje desconforto nas “últimas duas semanas”, apontando a coragem, a auto-estima e a consciência tranquila como receitas para superar fases como esta.
“Não deve ser fácil levar com duas semanas como eu tenho levado. De todo o lado, ligo a rádio, ligo a televisão e vejo um jornal... não há só coisas boas, nem há só coisas más”, advertiu o juiz de Leiria, durante o nono Encontro Nacional do Árbitro Jovem, em Rio Maior.
Benquerença, muito criticado pela arbitragem do Vitória de Guimarães-Benfica, assumiu que poderá servir de exemplo os 60 árbitros jovens, que participam nesta iniciativa da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF).
“Não tenho dúvidas de que todos vocês gostariam de ser atacados como eu e os outros colegas somos. Se pudessem não ser, óptimo, mas porque significa que chegaram a um patamar, ao patamar mediático”, acrescentou.
Protagonista da comunicação intitulada sobre “Um testemunho para o futuro”, Benquerença deixou vários conselhos aos jovens, entre os 14 e os 18 anos, entre os quais a resistência mental ao stress.
“Só os fortes sobrevivem, porque se nós não fôssemos fortes, trucidavam-nos com toda a facilidade. Se não fossemos capazes de aguentar, fazíamos o que faz o comum dos mortais que era virarmo-nos e desatarmos à bofetada. Temos de ter a capacidade e a força de espírito para resistir”, sublinhou.
Benquerença avisou ainda os “aprendizes” que este stress “começa com a nomeação e acaba após o jogo, desde que corra normalmente, porque se não correr nunca mais acaba, há jogos que se perpetuam”.
“Esta capacidade só está ao alcance de meia dúzia de predestinados, porque 90 por cento de quem nos critica se algum dia lhe pusessem um apito na boca borravam-se todos, a começar por um senhor que eu não digo o nome, mas tem o cabelo encaracolado”, explicou.
Na fase de perguntas da assistência, dois árbitros jovens questionaram o árbitro sobre a sua maneira de encarar as “últimas duas semanas”.
“Eu tenho duas opções. Uma é ouvi-los, fazer-lhes a vontade e pensar que sou o pior árbitro do Mundo, a outra é não olhar para a árvore e olhar para a floresta”, referiu o árbitro leiriense, assegurando que ter apitando no Mundial2010 foi a concretização de um sonho.
Já o presidente da APAF assumiu “um certo desconforto no seio dos árbitros”, devido à avaliação feita pelo presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira, por serem desconhecidos previamente os “timings” desta intervenção.
“Era preferível que tivesse sido definido no início da época, antes da competição, a forma de comunicação da CA com a opinião pública e os clubes em si.
Se isso tivesse acontecido, hoje era pacífico. Não sendo assim, dá origem a comentário que não são bons e criam instabilidade no sector e alguma perturbação nos próprios árbitros”, vincou.
Também em Rio Maior, Vítor Pereira, questionado pela Agência Lusa, escusou-se a abordar outro assunto que não o encontro de árbitros jovens.

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