“Disse ao Paulo Sérgio que queria sair”
Tonel esteve cinco épocas no Sporting e revela que deixou de ser opção do treinador leonino por lhe ter manifestado o desejo de rumar a outro campeonato. Agora sonha ser campeão na Croácia
Porque é que saiu do Sporting para ir jogar na Croácia [Dínamo de Zagreb]?
Tonel – Porque, depois de cinco anos de Sporting, queria experimentar uma liga estrangeira, e já tenho 30 anos. Sabia que já não teria muitas mais oportunidades boas como esta, num clube que foi cinco vezes seguidas campeão do país nos últimos cinco anos.
– Entrava no último ano de contrato. Isso facilitou a saída?
– Sim. Fica mais fácil nessas circunstâncias, mas deixei sempre claro que só sairia do Sporting se aparecesse uma boa oportunidade.
– Falou-se de convites da Turquia e da Escócia. A Liga croata não perde para essas?
– Do Glasgow Rangers, apenas ouvi falar de interesse. Da Turquia, sim, mas entre Croácia e Turquia nem tive dúvidas. Senti-me bastante desejado pelo Dínamo.
– Disse que Paulo Sérgio estava a par do seu desejo de sair do Sporting. Foi por isso que deixou de ser opção?
– Creio que sim e é natural. Ele pode ter pensado que a minha cabeça já não estava totalmente no Sporting.
– Com que opinião ficou de Paulo Sérgio?
– Um óptimo treinador e um bom condutor de homens. Foi fantástico. Sempre compreendeu o que eu tinha para dizer. Como homem, se calhar melhor ainda do que como treinador.
– E quanto ao director para o futebol, Costinha?
– Também respeitou e percebeu a minha vontade de sair. Costinha está sempre com a equipa, e sabemos que temos ali uma pessoa que vai até ao fim do Mundo pelos jogadores e pelo Sporting.
– Mesmo com Izmailov?
– Empolou-se muito. Creio que houve um mal-entendido.
– Qual a grande mágoa com que sai de Alvalade?
– Nunca ter sido campeão. Aliás, nunca fui campeão na carreira.
– Tal facto precipitou o seu desejo de sair?
– Não, no Sporting também poderia ser campeão.
– Ficou a perder dinheiro com a mudança para o futebol croata?
– Não. Fiquei com mais um ano de contrato [até Dezembro de 2012].
– O plantel do Sporting é mais forte que o da época passada?
– É mais equilibrado, oferece mais soluções ao treinador – e é, ainda, mais experiente.
– E as saídas de Miguel Veloso e João Moutinho?
– Aconteceram, mas acho que o Sporting se precaveu bem com o Maniche e o Valdés, por exemplo.
– Depois de cinco anos de Sporting, sente-se mais jogador?
– Sem dúvida. Sou muito melhor jogador depois de ter passado pelo Sporting.
– Pensa que o Sporting está em pé de igualdade com FC Porto e Benfica por esse objectivo?
– O Sporting já está à frente do Benfica. Os orçamentos não ganham Ligas.
– O lugar que habitualmente era seu pertence agora a Nuno André Coelho. O que pensa dele?
– Chegou muito bem, teve oportunidades e soube agarrá-las. Daí a chamada à Selecção.
– E o que se passa para Torsiglieri não ser chamado?
– ‘Torsi’ tem qualidade, é rápido e agressivo, mas está a ter problemas posicionais. É diferente jogar na Argentina ou na Europa.
– A braçadeira fica bem entregue a Carriço?
– Julgo que sim. Sente a camisola, tem os valores do Sporting.
– Moutinho foi capitão e acabou no FC Porto...
– Sobre isso não quero falar.
– Sentia-se um líder do grupo?
– Sentia-me respeitado. Para ser-se um líder natural não é preciso braçadeira.
– Ficou feliz com a reintegração de Vukcevic?
– Claro. Cometeu alguns erros, mas agora joga mais para a equipa. Ele precisa de sentir o carinho e a confiança do treinador, o que está a acontecer.
– É comentada a sua grande amizade por Sá Pinto. Ele faz falta ao Sporting?
– Sim, sou amigo do Sá, é um grande sportinguista, e essas pessoas são sempre úteis ao clube. Mas não quero fazer mais comentários, até porque sei que me vai lembrar o incidente com Liedson.
– O Tonel sai a bem do Sporting?
– Sem dúvida – e sinto que os adeptos ficaram com pena da minha saída.
cmjornal.pt
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