Nani despediu-se este sábado da selecção portuguesa para dar continuidade, em Portugal, ao processo de recuperação da fissura da clavícula que o impediu de se estrear em fases finais de campeonatos do Mundo. Fê-lo “com uma grande dor no coração”, mas simultaneamente com a consciência de que “nada mais havia a fazer na África do Sul”.
Aquele final de treino em que se apurava a finalização revelou-se fatal para aquele que ameaçava ser um das principais figuras da equipa portuguesa, unanimemente considerado, inclusive pelos próprios companheiros, como o jogador que em melhor momento de forma se encontrava. A forma como caiu após um pontapé de bicicleta – que todos executaram – fê-lo suspeitar do pior. E o pior aconteceu mesmo. “Não há palavras que descrevam o que senti naquele momento”, conta à Gestifute Media. “E menos palavras há para explicar o que senti no momento em que me vi fora do Mundial. Foi um pesadelo que nunca pensei viver”, acrescenta Nani, já depois de ter abandonado o quartel-general da equipa portuguesa, a caminho de Joanesburgo, para apanhar o avião que o levará a casa.
Todos os sonhos se desmoronaram repentinamente. Nani ainda pensou que estivesse a sonhar. Mas não. A muito custo convenceu-se de que o Mundial, para si, acabara. Por isso, mesmo, “e ultrapassada a fase de choque”, fez das tripas coração e continuou a ser o animador de serviço da equipa portuguesa. Até este sábado. Decidiu que “nada mais havia a fazer” na África do Sul. “Estou fora do Mundial, não posso jogar, não posso ajudar a equipa a alcançar os seus objectivos, por isso decidi que o melhor seria regressar a Portugal para continuar com a minha recuperação”, explica, notando-se-lhe na voz muita “amargura, desalento, frustração e raiva, sim raiva, por de repente se ver impedido de realizar um dos maiores sonhos” que tinha acalentado ao longo de muito tempo.
Agora, que já se despediu de todos com o olhar turvo e a voz embargada pela emoção, Nani tem apenas um objectivo: “Recuperar bem para iniciar a época no meu clube, fazer um bom estágio, e estar em grande forma para o arranque da época em Inglaterra”. Mais ainda: “Quero estar em grande forma para, em Setembro, voltar à selecção nacional e fazer parte do grupo que irá lutar pela qualificação para o próximo Campeonato da Europa”.
Mesmo estando com “o coração partido”, Nani estará fisicamente distante dos seus companheiros, mas jamais deixará de sentir “um deles”, garantindo que irá acompanhar tudo o que se passar na África do Sul. “Parti, deixei de estar junto deles, mas continuarei próximo, muito próximo, vibrando, sofrendo e torcendo pela nossa equipa, mantendo a convicção de que poderemos ir longe neste Mundial. É isso que desejo. Que Portugal continue a trabalhar bem, que dê as mãos, que, unidos, ultrapassemos obstáculo a obstáculo, até ao objectivo final”. O avião espera por Nani. A viagem será a mais longa que alguma vez fará.
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