Por: Rui Almeida Santos
O Real manteve a tradição das últimas épocas e venceu, no Vicente Calderón, o Atlético, no sempre escaldante derby de Madrid. Na frente da tabela segue o Valência, que goleou o Numancia e aproveitou a escorregadela do Villareal para se isolar no comando da Liga Espanhola. Quem não tropeçou foram Barcelona e Sevilha, que assim continuam firmes na perseguição ao líder.
Em Foco:
A capital espanhola foi palco de mais um emocionante derby madrileno. De um lado um Atlético à procura de recuperar do choque de Camp Nou, enquanto que o Real, que já não perde no Vicente Calderón há nove anos consecutivos, procurava colar-se ainda mais ao topo da classificação.
Javier Aguirre montou a sua equipa no já habitual 4-4-2 clássico, com Paulo Assunção e Raúl Garcia à frente da defesa, ficando as alas a cargo de Maniche e Banega. E foi logo a partir daqui que o Atlético demonstrou dificuldades. Com dois médios centros a jogar nas alas, os colchoneros desde cedo evidenciaram dificuldades em esticar o seu jogo, perdendo muitas bolas, num meio campo que se mostrava muito débil e pouco entrosado.
Já o Real Madrid articulou-se num 4-3-3 muito dinâmico, com destaque para o regresso de Fernando Gago e Sneijder ao meio campo. Na frente três nomes de respeito: Raul, Van Nistelrooy e Higuaín.
Só que muita desta leitura pode ter sido condicionada logo no primeiro minuto de jogo, quando Van Nistelrooy, com um potente e colocado remate de pé direito, inaugurou o marcador.
Isto fez com que os comandados de Bernd Shuster ganhassem confiança e exercessem um claro domínio durante a primeira parte da partida.
Este, já por si difícil, cenário para o Atlético piorou quando, aos 30 minutos, Perea foi expulso por acumulação de amarelos. Só que do lado dos merengues não houve a calma necessária para tirar proveito da súbita superioridade numérica, e apenas nove minutos depois da expulsão do defesa colombiano, Van Nistelrooy era também ele expulso (vermelho directo), num lance onde o árbitro da partida, Clos Gómez, exagerou no tom do cartão.
Chegávamos ao fim do primeiro tempo com a vantagem justíssima do Real Madrid, que foi a equipa que mais procurou o golo nos primeiros 45 minutos da partida.
Ao intervalo, Javier Aguirre lançou o português Simão Sabrosa, alteração que mexeu positivamente com a equipa. Com a entrada do extremo português, Maniche fixou-se mais no miolo do terreno, dando mais verticalidade ao jogo colchonero.
Já Shuster procurava matar o encontro num contra-ataque, lançando Drenthe e Van der Vaart para esse efeito.
Apesar do Atlético ter conseguido equilibrar mais a partida, apenas no minuto 90 conseguiria materializar em golo este ascendente. Simão, de bola parada, fez o Vicente Calderón explodir de alegria. Exemplar a forma como o português apontou o livre. Sem hipóteses para Iker Casillas.
Só que a história do jogo ainda não estava totalmente contada. Num lance infantil de Heitinga, o defesa holandês cometeu grande penalidade, após derrubar, de forma clara, Drenthe. Na conversão, Higuaín não deu hipóteses a Léo Franco, e fazia assim o 1-2 final. Era o desalento total nas hostes colchoneras.
Foi sem dúvida um derby na verdadeira ascensão da palavra. Com emoção, casos, expulsões, grandes penalidade e golos. Uma excelente propaganda para a modalidade.
Atlético Madrid 1 – 2 Real Madrid (Simão 90’; Van Nistelrooy 1’, Higuaín 96’) (Veja os golos)
Resumo da Jornada:
No comando da liga continua o Valência, que goleou no Mestalla o Numancia por 4-0. David Villa bisou, sendo os demais golos obtidos por Mata e Vicente. Uma vitória fácil, frente a uma equipa do Numancia bastante frágil, que pouco incomodou o guarda-redes brasileiro Renan. Na equipa “ché”, Miguel e Manuel Fernandes jogaram de início, sendo que o médio português logrou fazer uma assistência para golo.
No segundo posto surge um sensacional Sevilha, que está a fazer o melhor arranque de campeonato da sua história. Desta feita, o “carrasco” foi o Almería, que também vem fazendo um bom campeonato. Mesmo a jogar fora de portas, os sevilhanos desde cedo impuseram o seu futebol, apesar das ausências, por lesão, de Luís Fabiano, Kanouté, Chevantón e Koné. Com tamanhas dificuldades ofensivas, foi um defesa que marcou o único golo da partida. Adriano, num remate de ressaca, deu os três pontos aos andaluzes. Um golo feliz do brasileiro, visto que a bola ainda bateu num defesa da Almeria, traindo assim o guarda-redes Diego. O Almeria foi impotente durante toda a partida, e nem mesmo a sua grande figura, Álvaro Negredo conseguiu desfeitear Palop. No final, vitória do Sevilha pela margem mínima, para alegria do seu técnico Manolo Jimenez.
Já o Villareal tropeçou na Catalunha. No Olímpico de Montjuic, o submarino amarelo encalhou perante um Espanyol muito forte. Aliás, pertenceram aos catalães as melhores oportunidades de golo, valendo ao Villareal um super Diego Lopez na baliza. O ex- Real Madrid fez uma exibição de sonho, defendendo inclusive uma grande penalidade marcada pelo eterno capitão do Espanyol, Raul Tamudo.
Quem aproveitou esta escorregadela da melhor maneira foi o Barcelona. Na sempre difícil deslocação a Bilbao, a equipa blaugrana demonstrou carácter e solidariedade, sendo recompensada com a vitória. Samuel Eto’o voltou a ser o herói, ao marcar o golo solitário do encontro, num remate violentíssimo de pé esquerdo. Nos culés, Messi e Xavi ficaram de fora deste desafio, enquanto que Keita se lesionou com alguma gravidade.
No mais, destaque para a primeira vitória do Betis de Sevilha para o campeonato. A vítima foi o Maiorca, do central Nunes, que saiu do Ruiz de Lopera vergada a uma pesada derrota por 3-0. Nelson foi mais uma vez titular, sendo que Ricardo voltou a sentar-se no banco de suplentes.
Em franca ascensão está também o Málaga. A equipa de Hélder Rosário, Duda e Eliseu voltou a vencer, conseguindo assim a sua terceira vitória consecutiva. Na recepção ao Getafe, a equipa comandada por Tapia conseguiu recuperar de uma desvantagem no marcador, tendo virado o resultado a seu favor. Para isto muito contribuiu Duda, que fez a assistência para o golo do empate e marcou o tento da vitória malaguenha.
Finalmente, na estreia de José António Camacho no comando técnico, o Osasuna foi derrotado pelo Sporting Gijón por 2-1. Carmelo fez o primeiro para o Gijón (11’), mas Ezquerro haveria de empatar o resultado logo de seguida (14’). Depois chegou o lance que decidiu a partida. Na sequência de uma bola bombeada para a grande área do Osasuna, Rovérsio (ex- Gil Vicente e Paços de Ferreira) cometeu grande penalidade e foi expulso. Bilic não se importou nada com isso, e num remate muito forte bateu Ricardo, fazendo o 2-1 final. Dez anos depois, o Sportign de Gijón volta a vencer no Molinón para a liga espanhola.
Resultados da sétima jornada:
Almería-Sevilla, 0-1 (Veja o golo)(Adriano 52'); Athletic Bilbao-Barcelona, 0-1 (Veja o golo)(Samuel Eto'o 63'); Málaga-Getafe, 2-1 (Veja os golos)(Baha 31', Duda 38'; Soldado 9'); Santander-Deportivo, 0-0; Betis-Maiorca, 3-0 (Veja os golos)(Damiá 1', Pavone 42', Emaná 83'); Sp. Gijón-Osasuna, 2-1 (Veja os golos)(Carmelo 11', Mate Bilic 40'; Santi Ezquerro 14'); Valencia-Numancia, 4-0 (Veja os golos) (Davu Villa 4' e 89', Mata 72', Vicente 83'); Valladolid-Recreativo, 1-1 (Veja os golos)(Víctor 90'+1; Marcos Ruben 44'); Espanyol-Villarreal, 0-0; Atlético Madrid-Real Madrid, 1-2 (Veja os golos)(Ruud Van Nistelrooy 1', Gonzalo Higuaín 90'+6; Simão Sabrosa 90')
O meu Atlético de Madrid continua a fazer um campeonato instável como é habitual. A minha aposta mantém-se, este é o ano do Barça.
ResponderEliminarMais um excelente trabalho Rui... Abraços
A minha recai para o Villareal ou para o Valencia,sem duvida o culpado o ano passado pela ma situaçao do valencia foi o Tonald Koeman
ResponderEliminarCompletamente de acordo o Koeman foi um "assassino" no valência e teve o que merecia, ficou mal visto. A minha aposta vai para o real só para contrariar. lololololol
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