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22 abril 2010

Quando o importante é ter a bola

2 Foras-de-jogo



Após uma primeira meia-final riquíssima em termos táticos, seguiu-se uma segunda meia final que opunha dois treinadores da minha preferência: Puel, um taticista tipicamente Francês e Van Gaal um fiel seguidor da escola Holandesa.
Dois “futebois” de qualidade mas diferentes, duas equipas com bons talentos mas que valem sobretudo pelo seu todo.

Até ao minuto 37 tivemos um Bayern bem á imagem do seu técnico e tudo parecia indicar que os Alemães iriam ser sempre a equipa a mandar na partida.
Uma equipa posicionada ofensivamente de forma larga, com o objectivo de “pisar todos os pedaços de relva” do terreno, através de uma boa e rápida circulação de bola, muitas variações de flanco na tentativa de encontrar desequilíbrios adversários e também na tentativa de “cavar” situações de 1x1 para Ribery ou Robben resolverem. Excelente noção de quais os espaços para pausar ou acelerar o ritmo de jogo de forma a surpreender os Franceses.
No fundo, uma equipa com um pouco de tudo daquilo que marca um futebol estético: circulação de bola com qualidade e sentido mas com espaço para a criatividade das suas peças mais talentosas.
Aliás, nesse sentido Van Gaal optou até por colocar os jogadores trocados nas alas (como tem feito com regularidade), por forma a apostar em diagonais interiores com finalização.

O Lyon viajou a Munique para apostar num futebol cauteloso e expectante.
Apostado num 4-2-3-1, colocou em campo jogadores capazes de interpretar com a mesma qualidade os momentos defensivos e ofensivos (Lisandro é um caso evidente disso mesmo).
Ao contrário da equipa da casa, optaram por um posicionamento mais fechado, com todos os elementos da equipa mais próximos no sentido de reduzir espaços, mas também em termos ofensivos para evitar passes de risco e possíveis perdas de bola que poderiam ser fatais, face á velocidade dos atacantes Bávaros, face á qualidade dos Alemães nas transições ofensivas.
Contudo o posicionamento dos Franceses retirou-lhes capacidade para circular a bola. No momento da recuperação da posse, por se “estenderem” pouco no terreno, foram sendo facilmente cercados e a bola raramente esteve períodos de tempo dignos de registo nos pés dos jogadores do Lyon.
Esta incapacidade para reter a bola em seu poder, obrigou a equipa a apostar em situações individuais de penetração. Foram inúmeras as tentativas dos atacantes Francenses em furar com bola nos pés, naturalmente sem grande êxito, pois quando se joga “a top” nunca é fácil resolver os problemas colectivos com raídes individuais pouco lúcidos.


Mas este jogo viria a conhecer outra História, quiça decisiva para as aspirações Bávaras.
Num lance ingénuo de Ribery, o Francês, até então o mais rematador da partida, é expulso de forma justa e coloca o Bayern com duas contrariedades: fica a jogar com 10 e perde o mais influente dos seus jogadores.

O que esperava então?
Um Bayern mais recolhido, na tentativa de evitar sofrer golos em casa, adiando a decisão da eliminatório para a 2ª mão.
E esperava-se um Lyon a correr mais riscos, mais estendido, com mais capacidade para ter bola, fruto da superioridade númerica.

A verdade é que Van Gaal vai provando que é um treinador de grande nível, um grande estratega.
Retira Olic, coloca Tymoschuk como duplo pivot com Pranjic, mantém Robben á direita, empurra Muller para o corredor esquerdo e coloca Schweinsteiger como médio mais ofensivo (falso avançado).
Durante 8m, vimos um Bayern por cima. Ou seja, mesmo com dez nunca se esqueceram do mais importante num jogo, ter a bola.
Se é verdade que o jogo do Bayern começou a ser mais vertical e individualizado, não é menos verdade que o arranjo táctico de Van Gaal garantiu consistencia, mobilidade ofensiva e capacidade para o Bayern não alterar a matriz de jogo que o caracteriza: uma equipa agressiva em termos ofensivos.

Depois, bom, depois a história resume-se facilmente.
Toulalan é expulso e o Bayern em igualdade númerica acentuou a sua supremacia e arriscou ainda mais em termos ofensivos.

Vitória justa do Bayern, que me parece uma equipa muito interessante do ponto de vista estético mas que ainda revela, aqui e ali, dificuldade para se manter equilibrada nas transições defensivas, sobretudo frente a equipas que se atrevam a atacar e a assumir o jogo.

21 abril 2010

A subversão de uma ideia

2 Foras-de-jogo



A generalidade da crítica futebolística dirá que o Inter fez um jogo competente, neste “primeiro round” frente ao FC Barcelona.

Para tal, muito terá contribuído a forma eficaz como o Inter defendeu, optando por povoar o seu meio campo defensivo com muitos elementos, concentrando-os sobretudo em zonas centrais. Eliminando Messi através de um preenchimento dos espaços que o astro Argentino costuma pisar com maior frequência.
E posteriormente simplicidade nos movimentos ofensivos. Procura incessante por passes de ruptura para as costas da defensiva Catalã na tentativa de explorar a velocidade e intuição de avançados com Milito, Etoo e Pandev e procurando tirar partido da forma aberta como se costuma posicionar a equipa do Barcelona, explorando portanto os “espaços” que derivam desse futebol ofensivo e corajoso nos momentos de perda da posse.

Contudo tenho que admitir que fiquei um pouco desiludido, não com o Inter mas sim com José Mourinho.
Julgo até que o Futebol Italiano e a exigência de resultados têm obrigado Mourinho a adulterar as suas ideias estruturais em termos de concepção de Jogo.

Deste sempre que acompanho com grande interesse a carreira de José Mourinho.
E quer nas suas entrevistas, quer em campo, José Mourinho era fiel ás suas ideias.
Sempre defendeu que é preciso ganhar jogando bem. Naturalmente que jogar bem é uma definição subjectiva, cada treinador terá uma definição muito sua do que é jogar bem.
Mas Mourinho sempre foi claro: jogar bem passa pela interligação entre pressão alta (zona pressing) e posse de bola.
Ou seja, dois conceitos diferentes mas que se interligam. Ou seja o pressing, segundo a concepção de Mourinho, seria sempre um meio para atingir um fim: a posse de bola.

No fundo Mourinho não renegava o resultado, a importância do resultado,que está naturalmente inerente ao futebol de alto rendimento, mas obrigava-se a consegui-lo de forma estética e baseado em princípios próprios, bem definidos e os quais parecia defender até á morte.

Contudo a aventura de Mourinho em Itália tem alterado a imagem deste fantástico treinador.
A pressão do resultado tem-no afastado, ainda que de forma “sorrateira”, do futebol que defendeu como sendo o seu.
Pouco a pouco tem-se perdido a estética, tem-se perdido o gosto pelo pressing alto para se conseguir o mais importante do Jogo: o ter bola, a posse de bola.

O jogo contra o Barcelona é o exemplo máximo disso mesmo.
É verdade que é muito difícil, actualmente, jogar contra o Barcelona de igual para igual, pois nos Catalães está enraízada uma cultura de jogo muito forte, uma identificação de todos os jogadores com um jogar muito próprio (o “titi taka” de Guardiola).
Ainda assim, julgo que Mourinho acaba por subverter em demasia as suas ideias.
Apresentou-se em San Siro num 4-2-3-1, em bloco baixo, com a equipa a defender no seu meio campo defensivo para aí, nesse espaço, ser agressivo e pressionante na bola.
E abdicou da posse, da circulação inteligente da bola, para “investir” excessivamente em passes em profundidade, a explorar as capacidades individuais dos seus 3 homens da frente.
Aos 10, 15m de jogo o Inter já contabilizava 5 foras de jogo contra 0 do Barcelona, Motta já havia tentado no momento da recuperação da posse...colocar de imediato a bola nas costas da defensiva catalã.
Ou seja, Mourinho acaba de subverter por completo os seus princípios.

E se em cada jogo existe a componente estratégica do jogo, ou seja pequenas adaptações que permitam tirar partido das fraquezas dos adversários, a verdade é que Mourinho mais do que operar alterações do foro estratégico, operou alterações profundas a nível da sua concepção de jogo, algo que já era visível na Liga Italiana mas que ficou ainda mais patente neste jogo da Champions.

Será esse o preço a pagar para conseguir a tão desejada Liga dos Campeões pelos Nerazurri?

16 abril 2010

Sotiris Ninis (Panathinaikos), mago helénico

0 Foras-de-jogo


Do já campeão grego, Panathinaikos chega-nos mais uma jovem promessa que pode mais dia menos dias dar nas vistas num clube de topo Europeu. Sotiris Ninis é a joía da coroa do clube de todos os atenienses e tem potencial para muito mais. Com apenas 20 anos Ninis já é internacional pela selecção helénica e seria muito bom vê-lo no Mundial, até aqui tem quebrado muitos records, chegou ao clube da capital grega em 2004, vindo do Apollon Smyrnis e estreou-se em Janeiro de 2007 frente ao Aiegaleo, pela mão do treinador espanhol Victor Muñoz, nesse ano foi o segundo jogador mais jovem a vestir a camisola do Panathinaikos, o mais jovem a marcar um golo no campeonato grego e o mais jovem a actuar nas competições europeias por uma equipa grega, isto com apenas 16 anos.


Depois de se estrear num grande nível a época seguinte não foi de boas recordações, foi muito condicionado por lesões e o treinador português José Peseiro poucas vezes apostou no prodígio grego, felizmente no ano seguinte com o holandês Tem Cate, assumiu o seu espaço e desde então tem sido presença regular no Apostolos Nikolaidis.

Pelo percurso mais records, foi considerado o melhor jovem jogador grego de 2007 (o mais jovem a conquistar o feito), foi vice-campeão da Euro Sub-19 no mesmo ano e eleito para a equipa ideal desse torneio, é também o mais jovem helénico a vestir a camisa da selecção principal da Grécia e a marcar pelo seu país, além de ser o mais jovem capitão do Panathinaikos, o seu clube actual.

Um histórico invejável de um jovem que tem todo o seu futuro pela frente e talento para o conquistar. O seu futebol, rápido, criativo e com visão de jogo num estilo de segundo avançado que se disfarça de médio e joga entre-linhas, tem despertado muito interesse nos colossos europeus, logo veremos o seu futuro, mas para já temos de apreciar Ninis no seu clube do coração, vendo o seu potencial se demonstrar jogo após jogo, veloz, fortíssimo nas desmarcações e movimentos laterais, com uma grande qualidade de passe, técnica e remate bem acima da média. Um leque de características que lhe permitem sonhar.


Nome: Sotiris Ninis
Data de Nascimento: 03/04/1990 (20 anos)
Local de Nascimento: Himare (Albânia)
Nacionalidade: Grécia
Altura: 173 cm
Peso: 69 Kg
Clube: Panathinaikos (Grécia)
Posição: Médio Ofensivo/Segundo Avançado
Camisola Nº: 7

Videografia:
Sotiris Ninis - Video I
Sotiris Ninis - Video II
Sotiris Ninis - Video III

13 abril 2010

E tudo Aimar mudou...

1 Foras-de-jogo


Em Dezembro falei aqui do poder da diferença e de um Benfica com e sem Pablo Aimar. Volto quatro meses depois e após 45 minutos que chegam para mostrar que "El Mago" vive numa outra galáxia. Se Jesus fosse um super-heroí Aimar seria o seu super-poder, é verdade que não o temos em full time mas ainda assim o 1o argentino mostra que é, pelo menos para mim, o melhor jogador deste campeonato.

A dinâmica que emprega no jogo encarnado é fascinante, a qualidade de passe, de movimentos com e sem bola, a forma como executa, os pormenores técnicos, tudo em Aimar me faz sorrir. Era bom ver mais jogadores assim no nosso campeonato.

Com mais uma vitória a equipa encarnada caminha para um título que já merece à muito, veremos o que acontece nas últimas quatro cenas de um filme que só pode ter dois finais, o Benfica vencer, ou o Benfica não vencer, porque pela qualidade, mais nínguem merece este título.

Training Ground: Academie JMG du Paradou

1 Foras-de-jogo




Aqui fica um exemplo, para mim, interessante, a Academie Jean-Marc Guillou du Paradou, é uma academia de formação associada a um clube argelino que tem revolucionado a formação do país, tendo incutido uma metodologia muito particular.

O nome do seu fundador pode ser desconhecido para alguns mas tem algum relevo na formação mundial, Jean-Marc Guillou é um ex-internacional francês que jogou no Mundial de '78 e que tem desenvolvido alguns projectos curiosos no âmbito da formação. Depois de ter treinado em França, passando por escolas como a do AS Cannes, esteve na Suiça e na Costa do Marfim, onde fundou e é coordenador da escola de formação do ASEC Mimosas, considerada a joía do futebol africano e de onde saíram jogadores como Kolo Touré, Aruna Dindane, Salomon Kalou, Didier Zokora, Yaya Touré, Emmanuel Eboué, e Gilles Yapi Yapo. Uma montra que deixa antever muita qualidade de trabalho.

O exemplo argelino nasce de várias academias que o francês tem criado por muitos locais e tem uma particularidade muito interessante: os jogadores treinam e jogam descalços, algo que lhes confere uma sensibilidade e controlo de bola muito acima da média e que pode muito bem ser adaptado à nossa realidade em determinadas ocasiões. A minha equipa de escolas já experimentou, inclusive com vários tipos de bolas e o resultado tem sido muito positivo.

11 abril 2010

Training Ground: Jogo Curto

1 Foras-de-jogo




Vou tentar com este vídeo começar a inserir no blog alguns exercícios e situações de treino que me parecem interessantes. Este está disponível no site da UEFA, numa área que deu também origem a este tema "Training Ground".

Este parece-me muito positivo para quem priveligia a posse e claro o passe, incrementa uma constante movimentação quer em situação ofensiva como defensiva, excelente para o treino do passe curto e do controlo da bola. Fico à espera para saber o que acham.

04 abril 2010

"Crónicas de um treinador" - Treinadores de Playstation

4 Foras-de-jogo


Há pouco tempo assisti a um seminário sobre futebol de formação com John Drabwell como orador, quase nínguem deve saber de quem se trata, eu mesmo não sabia, mas é um técnico inglês, há muitos anos ligado à FA, com grande experiência na área do treino, scouting e vocacionado essencialmente para o futebol jovem, tendo já treinado nomes como David Beckham, Frank Lampard e Wayne Rooney. É sempre interessante conhecer novas experiências, perceber certas realidades, mas sinceramente na globalidade da sua apresentação pouco de novo aprendi, no entanto o inglês realçou por diversas vezes algo crucial no treino de escalões mais jovens, um ponto que eu, mesmo com a pouca experiência que tenho, acho ser importantíssimo no desenvolvimento de qualquer jogador.

Falo do espaço e tempo dado ao crescimento da criatividade, imprevisibilidade e acima de tudo capacidade/tomada de decisão dos atletas mais jovens. Infelizmente poucos estão atentos a estes pormenores, ainda nesta paragem dos campeonatos acompanhei um torneio onde passei dois dias em completo desespero, acho impensável a quantidade daquilo que eu chamo “Treinadores de Playstation”, muito mais quando muitos deles são pessoas formadas em Educação Física e ligadas de uma forma mais científica a este desporto.

Mesmo em clubes de alguma dimensão no panorama da formação em Portugal vemos “misters” que passam todo o jogo a tentar decidir pelos seus jogadores, constantes “feedbacks” como “passa”, “acelera”, “finta”, “cruza”, “remata”,”fecha”, “abre” destroem por completo a capacidade intelectual dos jogadores. O resultado disto são jogadores mecânicos, que não conseguem ler e interpretar o jogo, que se o padrão natural das coisas se altera ficam completamente perdidos em campo e são guiados por um treinador ainda mais perdido e que vê o jogo de comando na mão, tentando controlar cada movimento da sua equipa. Penso que este problema deriva em grande parte da ambição desmedida pela vitória, que temos no nosso país, dando por isso mesmo pouco espaço ao desenvolvimento dessas capacidades nos jogadores mais jovens.

É preciso perceber que não chega dotarmos os jogadores de capacidades táctico-técnicas, estes para as conseguirem utilizar em campo necessitam de perceber o jogo, saber ler e interpretar os momentos e ter a capacidade de antever o que vai acontecer, para isso não podem actuar mecanicamente, têm de ser dinâmicos do ponto de vista mental, terem capacidade e à vontade para pensar o jogo, de forma rápida, eficaz e tentar tomar a melhor decisão. Acima de tudo, em treino (e aqui está presente também a competição, porque esta é também um momento de aprendizagem), temos de dar espaço e promover um ambiente adequado ao desenvolvimento desta tomada de decisão de um ponto de vista correcto. Com o treino e constante repetição conseguimos treinar o subconsciente dos jogadores a pensar o jogo, consoante o nosso modelo de jogo, consoante os nossos princípios mas de acordo com a leitura que estes fizerem da partida.

Espero que este pequeno alerta vos faça pensar melhor a vossa actuação quer em treino, quer em jogo, muitas vezes o melhor no momento não será o melhor para o futuro e nunca nos devemos esquecer que a palavra formar quer dizer 1.criar; 2.educar; 3.fazer parte da composição de algo. Somos parte de um todo e devemos dar o melhor para que no final esse todo seja melhor.

21 março 2010

Benfica, um caso singular

1 Foras-de-jogo


Estive para escrever esta crónica há umas semanas, depois de mais uma vitória da equipa encarnada no campeonato, mas em conversa com um amigo ele sugeriu que só o fizesse depois do “grande teste” que seria a deslocação ao Vélodrome para defrontar o Marselha nos Oitavos-de-Final da Liga Europa, por isso mesmo esperei e aqui estou eu, não mais convencido do que estava, porque a equipa de Jesus já conseguiu esse título há muito tempo, mas ciente de que este ano pode ser um marco muito importante na história recente do clube.

A boa forma encarnada não se resume a isso mesmo, a um período, um tempo determinado, como alguns faziam querer parecer mas a um trabalho notável, a uma preparação e ideias capazes de tornar este Benfica numa das mais encantadoras equipas do Velho Continente. Em Marselha os pupilos de Jorge Jesus mostraram à Europa uma qualidade de jogo que nós por cá já conhecemos e que, mesmo com a proximidade pontual do SC Braga, não tem equiparável em Portugal. Qualidade que tem encantado o nosso futebol e que mesmo estatisticamente, entenda-se golos marcados e sofridos, faz da equipa da Luz uma das mais perigosas da Europa.

E tudo isto só pode provir de muito e bom trabalho e por isso mesmo é que me rendo a Jorge Jesus e à actual época encarnada, mais do que à carismática personalidade do técnico benfiquista rendo-me à qualidade de jogo deste Benfica, que acredito, e aqui está para mim a parte mais importante, terá uma qualidade de treino, uma orientação de jogo, construção de um modelo com princípios e sub-princípios sem dúvida alguma singular e de muita qualidade.

É nisto que acredito e é isto que quero desenvolver como treinador. Ainda no Belenenses e num discurso muito à sua imagem Jesus tentou descrever e dividir o jogo em cinco momentos, muito se riram do discurso mas a explicação do actual técnico benfiquista contempla todos os momentos de jogo e mostra que Jesus os percebe e sabe o que tem de fazer, chamando também a atenção para a construção de um bom plantel. Felizmente este ano teve todas as condições para poder desenvolver a sua “ciência”, e um plantel para poder trabalhar fazendo com isto uma época que mesmo sem ainda ter ganho o que quer que seja ficará na memória dos apreciadores de futebol.


Organização defensiva e transição ataque-defesa
Neste momento a equipa encarnada é a defesa menos batida da Europa, uma estatística bem interessante para uma equipa portuguesa, outra são os golos marcados e sofridos na época passada e esta época pelo Benfica no que diz respeito ao campeonato, com Quique os encarnados marcaram por 54 vezes e sofreram 32 golos, Jesus quando ainda faltam sete jornadas para o final da época leva já 60 golos marcados e 12 sofridos (uma média de 0,52/J, o que prevê cerca de 16 golos sofridos no final da época). É bom lembrar que Quique contava com praticamente os mesmos jogadores que Jesus para o processo defensivo, o que desde logo levanta questões no que diz respeito às diferenças. Mas estas são bem visíveis, a actual equipa da Luz é muito mais capaz e organizada defensivamente, defendendo à zona e percebendo todos os momentos de jogo este Benfica tem noções colectivas perfeitas, com a entrega de Maxi e a segurança de Luisão tranquiliza um sector esquerdo mais ofensivo com as subidas de Fábio Coentrão ou César Peixoto e as constantes movimentações ofensivas de David Luiz, sendo ainda fundamental o jogo de Javi García, que para além de importantíssimo em todo o jogo, assume um carácter decisivo na ocupação de espaços e coberturas. Em transição defensiva mantêm-se muito forte, implacável na pressão logo após a perda da bola, com quase sempre dois elementos nas várias zonas do campo, conseguindo tempo e espaço para construir a sua organização defensiva ou partir mesmo para transição ofensiva. Existem ainda muitos outros pormenores no processo defensivo encarnado, que fazem a diferença (obviamente), e que o tornam muito dificil de ultrapassar.


Organização ofensiva e transição defesa-ataque
Espanta pela qualidade de jogo ofensivo, pelos golos de Cardozo e Saviola, pelas movimentações de Pablo Aimar e pelos pormenores de Di Maria, mas a máquina ofensiva encarnada tem princípios que a tornam letal, não pelas individualidades mas por um colectivo fortíssimo, capaz e inteligente nos movimentos. Em organização ofensiva a equipa é dinâmica, desequilibradora mas equilibrada, sabe manter a posse e forçar o erro e é fortíssima nas transições, por tudo isso torna-se complicado distinguir todas as qualidades do futebol ofensivo dos da Luz. Jesus soube formar uma frente de ataque fortíssima, mas principalmente soube adaptar os seus recursos para um jogo de grande nível, consegue o equilíbrio e o pulmão com as maratonas de Ramires, dando espaço para o desequilíbrio de Di Maria fazer a diferença, tudo dinamizado pelos toques de Midas de Pablito Aimar, “El Mago” era para mim o melhor jogador a actuar em Portugal não fosse o seu corpo de porcelana sempre necessitado de gestão, mesmo assim é fenomenal, com e seu bola, a construir e a dinamizar uma máquina trituradora que tem na frente Saviola e Cardozo, dois avançados completamente distintos mas fundamentais, “El Conejo” Saviola é a par com Aimar um dos meus “meninos” e as constantes tabelas da dupla deixam qualquer um fascinado, Saviola renasceu para o futebol na Luz e é impensável como os seus movimentos, as suas recepções orientadas, os seus golos se esconderam na toca durante tanto tempo, felizmente voltou o mito do coelho que marca golos. Já Cardozo é uma das faces mais solitárias da equipa, compreendo porquê e sei que não é tão genial quanto os restantes, mas é útil e todos temos que perceber que as suas qualidades, apesar de pouco apreciadas são fundamentais em termos de eficácia, Jesus percebeu-o bem e tem conseguido tirar bom partido do “Tacuara”.


Bolas paradas
Jesus realça-o como o quinto momento e percebe-se porquê, quer defensiva, quer ofensivamente este Benfica é fortíssimo neste aspecto, tem pormenores muito interessantes como os jogadores em linha de mão dada e os pequenos saltinhos mas tudo isso são particularidades de um trabalho fantástico a nível do treino, mesmo aqui as percepções zonais do actual Benfica (do ponto de vista defensivo, claro) fazem toda a diferença. Em mais um aspecto muito capaz, presente em todas as equipas de top.


Em suma, não quero dizer que este Benfica é perfeito, nenhum modelo o é, e haverá sempre alguém que procurará provar isso mesmo, para além disso só hoje pode conquistar alguma coisa, não sendo certo que consiga qualquer título este ano, eu pessoalmente acredito que sim, porque acredito no bom futebol, acredito na qualidade e nesse aspecto o Benfica é neste momento uma onda imparável.

14 janeiro 2010

Eric Bekoe (Petrojet), matador ganês no Egipto

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Nós últimos posts o Ricardo Faria tem chamado a atenção para alguns valores a ter em conta na CAN, jogadores normalmente desconhecidos no futebol europeu mas que têm qualidade e potencial para uma realidade mais competitiva, no entanto não só na Taça das Nações Africanas existem existem jogadores africanos a ter em conta.

Um desses exemplos é Eric Bekoe, avançado ganês que joga na primeira divisão egípcia, no Petrojet. Com vinte e um anos Bekoe não foi chamado pelo sérvio Milovan Rajevac para a CAN mas tem dado nas vistas na terra dos faraós. O facto de Rajevac não convocar o avançado foi mesmo ponto de controvérsia do Gana tal tem sido o desempenho de Eric no Petrojet.


Natural da capital do Gana, Accra, Eric Bekoe teve a sua formação no SC Adelaide, clube da segunda divisão ganesa, situado na cidade de Tema, que conta com um grande historial na formação de jovens, em 2004 transferiu-se para o Liberty Professionals FC, clube por onde já passaram nomes como Michael Essien e Sulley Muntari, ficou apenas duas épocas em Accra e na temporada de 2006/2007 rumou ao Hearts of Lions, clube que só representou por uma temporada seguindo para o Asante Kotoko, clube que a par com o Hearts of Oak domina a liga ganesa, tendo já vencido o campeonato por vinte vezes.

Explodiu em 2007/2008 ao serviço do Asante Kotoko, com dezanove anos, vencendo a Glo Premier League, primeira divisão ganesa e sagrando-se como o “Goal King” da prova, marcando 17 golos em 22 jogos, essa época deu-lhe notoriedade e no final dessa temporada foi forçada a sua saída para o estrangeiro.

Com o Egipto como destino, esteve muito perto de assinar pelo Zamalek mas na última hora o Petrojet conseguiu desviar o avançado, graças principalmente ao seu notável por económico. Vai na segunda época ao serviço do emblema egípcio e tem estado incrivelmente bem, no mês passado já contava com 11 golos em 14 jogos o que mostra que o seu instinto matador está em alta.

Já é internacional ganes, estando presente no Torneio de Toulon em 2007 e representando a selecção no apuramento para o próximo Campeonato do Mundo, marcou o seu primeiro golo ao serviço do “Brasil de África” em 26 de Março de 2008, num amigável frente ao México.

Com uma impressionante capacidade finalizadora, Bekoe destaca-se pela velocidade, alguma capacidade técnica, boa elevação e forte jogo de cabeça, é também ágil e muito instintivo, tendo remate fácil e pelo que se pode observar também forte. Será interessante acompanhar a evolução deste avançado ganes e começar também a pensar nele para um campeonato de maior qualidade.


Nome: Eric Kwabena Bekoe
Data de Nascimento: 10/12/1988 (21 anos)
Local de Nascimento: Accra (Gana)
Nacionalidade: Gana
Altura: 171 cm
Peso: -- Kg
Clube: Petrojet (Egipto)
Posição: Avançado
Camisola Nº: 23

Videografia:
Eric Bekoe - Video I
Eric Bekoe - Video II
Eric Bekoe - Video III

11 dezembro 2009

Rubrica: Geração Futebol

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 Exemplar mercado interno gaulês

França tem sido ao longo dos anos um pequeno viveiro de maturação de grandes craques do futebol mundial, nomes como Ronaldinho, Michael Essien, Didier Drogba, Karim Benzema e outros que despontam no futebol gaulês e que depois dão o salto para outros palcos do futebol mundial são o exemplo disso mesmo, para além destes há ainda muitos outros que se escondem para lá dos grandes clubes, talentos muito interessantes, com pouco reconhecimento a nível mundial mas que pouco a pouco se revelam jogadores de grande qualidade. A qualidade da sua formação, uma prospecção internacional sobretudo no mercado jovem muito interessante e a aposta em jogadores que passam um pouco ao lado do resto da Europa tem trazido frutos, principalmente aos clubes franceses.

É bastante comum vermos os grandes emblemas franceses, Lyon, PSG, Marselha, Bordéus, a reforçarem a sua equipa com jogadores do seu campeonato, enquanto que nos outros países a lógica normalmente é contrária a esta politica, para termos uma ideia, no actual plantel do Lyon podemos encontrar, Hugo Lloris (ex- Nice), (ex-Lille), Mathieu BodmerKim Kallstrom (ex-Stade Rennais), Michel Bastos (ex-Lille), Miralem Pjanic (ex-Metz), Éderson (ex-Nice), (ex-Stade Rennais), Anthony RéveillèreJean II Makoun (ex-Lille), Bafétimi Gomis (ex-Sanit-Étienne) e Jérémy Toulalan (ex-Nantes), numa equipa sempre fortíssima e muito assediada pelos colossos do futebol europeu.

Nos dois grandes que têm andado arredados dos títulos, PSG e Marselha também há exemplos deste fenómeno, no PSG temos (ex-Nice), Sammy TraoréStephane Sessegnon (ex-Le Mans), (ex-Le Havre) e Guillaume HoarauMevlut Edinç (ex- Sochaux), no Marselha figuram Rudy Riou (ex-Toulouse), Steve Mandanda (ex-Le Havre), Laurent Bonnart (ex-Le Mans), Benoit Cheyrou (ex-Auxerre), Charles Kaboré (ex-Libourne), Stéphane Mbia (ex-Rennes), Fabrice Abriel (ex-Lorient), Mathieu Valbuena (ex-Libourne), (ex-Strasbourg) e Mamadou NiangBakary Koné (ex-Nice).

No actual campeão e líder nesta altura jogam, Cédric Carrasso (ex-Toulouse), (ex-Libourne), Fabien FarnolleMichael Ciani (ex-Lorient), Mathieu Chalme (ex-Lille), Ludovic Sané (ex-US Lormont), Alou Diarra (ex-Lyon), Yoan Gouffran (ex-Caen), Jussiê (ex-Lens) e David Bellion (ex-Nice).

Quatro equipas, muitos jogadores mas sobretudo reflexos duma aposta contínua no mercado interno, só assim podemos potenciar o nosso futebol, há que melhorar a base para termos mais qualidade no topo da pirâmide, temos de incentivar a formação, cultivar qualidade no percurso de desenvolvimento e depois estar atento aos casos que vão despontar, em França esta força não vai parar, para além da grande quantidade de jovens que sobem da formação para os grandes clubes, existem ainda mais exemplos de jogadores que militam em clubes inferiores mas que vão dar em breve o salto, vejam jogar equipas como os surpreendentes Montpellier e Valenciennes assim como Auxerre, Lille, Rennes, Toulouse e Saint-Étienne.

26 novembro 2009

Rubrica: Geração Futebol

0 Foras-de-jogo

Novos ventos de leste


Desde a desintegração da Velha Jugoslávia os ventos de leste têm soprado e tomado direcções diferentes, é o reflexo dos primeiros sinais de vitalidade e liberdade de países que viveram durante muito tempo numa prisão que afectava quase toda a ordem social.

O futebol como fenómeno envolvente e condicionado por um enorme leque de factores tem mostrado também sinais de mudança, nos últimos anos sem darmos muito bem conta várias equipas de leste têm marcado posição no futebol europeu, quase sempre como surpresas e equipas-sensação de grandes provas como a Liga dos Campeões e a Taça UEFA (agora chamada Liga Europa).

É um fenómeno que me interessa bastante e que tem sido pouco abordado mas que levanta várias questões. Basta pensarmos na agora extinta Taça UEFA, nós últimos cinco anos de existencia da prova, os vencedores foram, CSKA Moscovo (Rússia) – 2004/2005, Sevilla (Espanha) – 2005/2006, Sevilla (Espanha) – 2006/2007, Zenit (Rússia) – 2007/2008 e Shakhtar Donestk (Ucrânia) – 2008/2009. Em cinco anos, três dos vencedores são clubes de leste, serão só coincidências?

Quanto a mim, não. Para além destes factos temos ainda outras equipas com boas prestações na Liga dos Campeões e a fortíssima selecção russa do último Europeu realizado na Áustria e Suíça. Mesmo com algumas reminiscências do colectivismo de leste mas agora muito mais soltas e capazes do ponto de vista individual as equipas russas, ucranianas, romenas, etc., têm trabalhado muito bem e superado muitas expectativas. Apoiadas por enormes fortunas de rublos provenientes de milionários normalmente das indústrias de petróleo e gás natural (é importante lembrar que a Rússia tem reaparecido como potencia mundial nesta área), muito capazes na prospecção, nomeadamente no mercado sul-americano e ainda fortes em termos organizativos, estas equipas têm atraído treinadores, jogadores e muita atenção que tem tido resultados práticos.

Pela capacidade monetária, cultura organizativa e capacidade de trabalho característica desta zona do globo, assim como as condições climatéricas que dificultam imenso a vida a outros clubes nas deslocações a estas equipas penso que esta força de leste vai perdurar, mas para além disto é importante realçar um ponto importante, com esta evolução nasceu também um pólo, a meu ver, extremamente atractivo para o mercado europeu mais ocidental, já que mesmo com as saídas de alguns jogadores como Andrey Arshavin ainda há muitos outros com potencial e qualidade para reforçar as equipas de topo nos grandes campeonatos, nomes como Dzagoev (CSKA Moscovo – Rússia), Danny (Zenit – Rússia), Alejandro Domínguez (Rubin Kazan – Rússia), Cristian Ansaldi (Rubin Kazan – Rússia), Alex (Spartak Moscovo – Rússia), Daniel Carvalho (CSKA Moscovo – Rússia), Igor Akinfeev (CSKA Moscovo – Rússia), Srna (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Willian (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Jadson (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Fernandinho (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Rat (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Ilsinho (Shakhtar Donestk – Ucrânia), Milevskyi (Dinamo Kiev – Ucrânia), Yarmolenko (Dinamo Kiev – Ucrânia) e Kravchenko (Dinamo Kiev – Ucrânia) mostram jogadores muito acima da média e que bem analisados poderiam ser excelentes apostas, é necessário no entanto as equipas estarem atentas e tentarem conseguir bons negócios.

Acho que é importante nós também estarmos atentos e apreciarmos muito do talento que tem derretido o gelo das ruas de leste, estes novos ventos trazem futebol e bom futebol, de futuro tentarei trazer ao pormenores alguns dos jogadores e das equipas que falei.

12 novembro 2009

Rubrica: Geração Futebol

1 Foras-de-jogo
Rivaldo, futebolista filho da fome

O corpo magro e cansado da criança corre pelo campo fora chutando a bola, enquanto se liberta da prisão mental em que vive, uma infância corrompida pela miséria e pela infelicidade, e onde a palavra esperança mora dentro das quatro linhas. O pequeno rapaz cresceu e hoje o mundo do futebol conhece-o como Rivaldo, porém antes de encantar a Catalunha, Milão e o Mundo, Rivaldo jogou a mais difícil de todas as partidas, a vida de um menino a quem viriam a chamar futebolista filho da fome.

Lembro-me de Rivaldo quando penso na importância da personalidade na construção de cada homem e penso também numa palavra para mim essencial para o sucesso de qualquer jogador.
Rivaldo nasceu em Paulista, no interior de Pernambuco e com pouco mais de dez anos passava os seus dias a tentar sobreviver, vagueando horas pelas praias de Recife vendendo doces e bebidas, resistindo à miséria e ajudando a mãe e as quatro irmãs com que morava num pobre casebre. Fustigado pelo azar da morte do pai, atropelado por um autocarro, Rivaldo refugiava-se nos campos do Santa Cruz, onde treinava, fazendo 20km a pé para cada treino, tudo pelo sonho de ser jogador de futebol e correr para longe da pobreza como corria atrás da pequena bola.

Felizmente o menino cresceu e o seu talento cresceu com ele e mostrou-se ao mundo, depois de brilhar no Brasil rumou a Espanha onde deslumbrou a Europa do futebol, entre Depor e Barça maravilhou tudo e todos antes de rumar a Itália para o colosso AC Milan, depois de Milão voltou ao seu Brasil durante uma época para depois viajar para a Grécia, para espalhar o seu talento, país acostumado a glorificar os seus heróis e agora Rivaldo é sem dúvida um deles. Neste momento está no Uzbequistão, treinado por Scolari, com um contrato milionário. Tudo isto acompanhado de muitos títulos e de um percurso notável na selecção brasileira.

Rivaldo foi e é um jogador notável, magia pura, num pé esquerdo capaz de levantar qualquer estádio, uma carreira marcada pelo sucesso, pela glória mas sem nunca perder da memória as suas raízes e o seu trajecto, segundo o próprio ainda conta os seus golos ao retrato do pai que guarda religiosamente, porque tudo em Rivaldo é assim, das praias de Recife para qualquer estádio do mundo, o menino magro que se fez homem, trabalhou para o seu sucesso e sorri com a sua dentadura postiça, colocada porque em pequeno todos os dentes lhe caíram, após cada golo e cada momento de magia.

Apesar de todo o talento, Rivaldo é a imagem do trabalho, da dedicação, da esperança e sobretudo da Humildade, a tão importante palavra que referi no inicio do texto, essa humildade e uma personalidade forte é crucial para a construção de cada Homem em geral e de cada futebolista em particular. Em dias de fama e sucesso, e onde tudo é passageiro, a verdadeira história só se faz a longo prazo, pois são essas as memórias que perduram, tal como Rivaldo, um menino que conquistou o mundo.


08 outubro 2009

Rubrica: Geração Futebol

2 Foras-de-jogo
Para pensar

Numa entrevista à estação de televisão RTL, Didier Drogba, internacional costa-marfinense que representa o Chelsea falou um pouco sobre José Mourinho, seu ex-treinador. Já todos sabemos que existe uma relação muito forte entre o poderoso avançado e o treinador português e que este por várias vezes Drogba já o afirmou em público, demonstrando até o interesse em seguir Mourinho, no entanto estas declarações mostram um pouco da influência que o actual técnico do Inter pode ter nos seus pupilos.

Drogba afirmou que «Mourinho é um treinador muito forte fisicamente, mas é sobretudo bom do ponto de vista psicológico. Ele sabe como chegar aos jogadores» e continua dizendo que o treinador se destaca dos demais porque "diz-nos na cara quando jogamos mal. No entanto, também é capaz de dizer na partida a seguir: 'para mim foste o homem do jogo’. Amo-o porque me fez crescer como jogador. Estava pronto para partir as minhas pernas por ele.».

São declarações fortes, que chamam a atenção mas são sobretudo prova de uma interacção muito especial entre Mourinho e quem o rodeia, é bom lembrar que a qualidade e o sucesso não chegam por acaso e que Drogba não é o primeiro a salientar este aspecto.

Mas lendo as suas declarações não posso deixar de salientar que as que me deixam mais curioso são quando o avançado destaca um pequeno pormenor da gestão do trabalho feito por Mourinho, Didier Drogba diz que: «Lembro-me de algumas vezes lhe ter perguntado: ‘Porquê que vou ter dois dias de folga quando vamos ter um jogo muito próximo?’ e ele respondia que a minha necessidade de repouso era sobretudo psicológica. No futebol, a componente mental representa 90 por cento. E os jogadores estão sempre do lado dele. Ele dá-nos tudo. Ele dizia: 'Façam o que quiserem, comigo podem fazer o que quiserem, mas no campo têm de me dar tudo. Não me podem trair. Eu dou-vos tudo, mas dentro do campo têm de corresponder.»

Ao contrário do que muitos pensam, o desgaste psico-emocional é muito importante quando pensamos na recuperação dos jogadores, para além da componente física este factor condiciona muito o rendimento quer em treino, quer em jogo de toda a equipa, Drogba realça que Mourinho dá enorme importância a este aspecto e percebe-se facilmente que os jogadores compreendendo esta dinâmica percebem qual a melhor forma de se trabalhar. É realmente pena que ainda muita gente despreze a evolução e a análise, sem isto o nosso futebol não evoluirá.

Espero que esta pequena reflexão deixe pelo menos alguém atento a estes pormenores, para quem quiser saber mais aconselho que leiam o livro "O desenvolvimento do jogar, segundo a Periodização Táctica" da Marisa Gomes, que irei dar especial atenção no futuro e que para além deste tema desenvolve vários outros sob um ponto de vista muito interessante.

19 setembro 2009

Rubrica: Geração Futebol

0 Foras-de-jogo
Porque nada acontece por acaso



Aqui fica um pequeno video sobre a formação do Barça, com alguns dos princípios e sub-princípios de jogo presentes nas equipas jovens dos catalães. De salientar a presença de Guardiola na bancada e a enorme aproximação do "jogar" desta equipa, ao "jogar" da equipa principal. A enorme qualidade na posse de bola, o passe e recepção sempre presentes, as constantes desmarcações e uma enorme mobilidade, assente quase sempre na criação de triângulos e losangulos como linhas de passe ao portador da bola.

Um futebol de alta qualidade, que deve ser trabalhado desde cedo, mostra que só com uma estruturação a este nível, com um modelo de jogo implantado desde a iniciação é possível obter os resultados que vemos nos blaugrana. Por isso não se espantem se a equipa de Pep continuar a ter sucesso e menos ainda se novos Xavi's, Iniesta's, Messis's, Busquets's e Pedrito's apareçam na equipa da Catalunha.

30 julho 2009

Rubrica: Geração Futebol

0 Foras-de-jogo
Do melhor que se viu

Numa altura em que já só se pensa na nova época fica aqui uma selecção dos melhores golos que se viram na época transacta. A compilação é da autoria do site TVGOLO e espera votações. Há tentos para todos os gostas mas sobretudo qualidade, os pormenores de Zlatan, as correrias de Messi e as bombas de Cristiano Ronaldo marcam uma época muito interessante para quem gosta deste nosso desporto, espero que apreciem!

02 julho 2009

Rubrica: Geração Futebol

1 Foras-de-jogo
O futebol é dos técnicos

“O futebol é dos técnicos. E não me refiro aos treinadores, mas sim aos futebolistas que dominam a técnica.”
Johan Cruijff

A beleza deste jogo está estreitamente ligada aos jogadores que sabem tratar a bola como ela merece, os pormenores fantásticos de alguns magos que passam pelos nossos relvados perduram na memória, mas será que a técnica é algo absolutamente inato?

Wiel Coerver acreditava que não e na década de setenta desenvolveu o que hoje conhecemos como Método de Coerver. Coerver foi um técnico holandês que treinou vários clubes do seu país entre 1959 e 1977, tendo passagens por emblemas como Roda JC, Sparta Rotterdam, NEC e Feyenoord. Durante a sua passagem pelo nosso desporto foi ficando conhecido como grande mago do treino técnico, sendo apelidado por muitos como o “Albert Einstein do Futebol”.

Contudo a marca inegável de Coerver é o seu estudo e análise que deram origem ao Método de Coerver, hoje considerado o método de treino técnico número um no Mundo. Este método visa o desenvolvimento técnico individual e de situações de jogo em que intervêm um pequeno grupo de jogadores. O Coerver assenta uma estrutura piramidal composta por seis níveis de aprendizagem, sendo que estes se acumulam e para o alcance dum nível superior é necessário que o jogador domine os conceitos do nível precedente. Os seis níveis são:

1. Domínio de Bola - repetição de exercícios individuais de controlo de bola com os ambos os pés;
2. Recepção e Passe - perspectiva desenvolver o primeiro toque, incentiva e ensina a utilização de passes certeiros e criativos;
3. Movimentos 1vs1 - para desenvolver movimentos individuais e criar espaço no sistema defensivo oponente;
4. Velocidade - para desenvolver a aceleração, corrida com e sem bola e mudanças de ritmo;
5. Finalização - para melhorar a técnica de finalização e encorajar jogadas instintivas nas imediações da área adversária;
6. Ataque Colectivo - visa melhorar as combinações ofensivas em pequenos grupos com ênfase em ataques de ruptura rápida.

Wiel Coerver desenvolveu o seu método a partir da observação de grandes jogadores a nível mundial e é nesse sentido que a metodologia tem avançado, no enorme conjunto de movimentos que completam toda a estrutura do Coerver, temos influências de Pelé, Garrincha, Rivelino, Puskás, Maradona, Cruijff e muitos outros.

Considerando a técnica arma essencial para a melhoria do jogo colectivo, o Coerver objectiva dotar os jogadores de capacidades técnicas ilimitadas que lhes permitam desenvolver e incrementar o seu jogo em equipa, neste sentido a repetição dos exercícios e movimentos levará a uma mecanização dos mesmos que permitirá aos jogadores recorrer a estes de forma automática em situações de jogo, mesmo quando sob pressão adversária.

Desde a sua criação esta metodologia tem-se espalhado pelo mundo e servido de base para grandes escolas de formação, no seu país de origem, a Holanda, grande potência na formação a nível metodológico, o Coerver é base do sistema de formação e princípio natural da maioria dos clubes, está também presentes noutros pontos do globo, na estrutura de clubes como Barcelona e Man Utd e de academias internacionais como é o caso de Clairefontaine.

Em Portugal o Coerver vai aos poucos ganhando a importância e atenção dos mais atentos, acções de formação e seminários alusivos ao tema vão aparecendo e já se trabalha nesse sentido. Destaque neste caso para o FC Porto que através do jovem técnico holandês Pepijn Lijnders, tem este método de técnica individual presente em todos os escalões. Lijnders veio do PSV em 2007 e é visto como uma referência no treino técnico, sendo muitíssimo elogiado por todos que conhecem o seu trabalho. Nos dragões tem papel de destaque na formação, acompanha todos os escalões dos «azuis e brancos» e é técnico principal da equipa de infantis A, grupo que revela imensa qualidade no domínio técnico, sendo notório o trabalho do técnico holandês.

O Coerver incide principalmente nas equipas de formação mas pode também ser utilizado a nível sénior e é hoje considerado um enorme guia para o bom futebol, é bom que os treinadores estejam bem atentos e tentem melhorar e desenvolver o seu nível de treino para bem do futebol.

Blog Geração futebol

23 junho 2009

Rubrica: Geração Futebol

1 Foras-de-jogo

Jogadores de segunda? (parte 3)

Terminadas as principais ligas europeias, entregues as faixas aos campeões, existe o reverso da medalha, equipas que depois de um ano a lutar na principal divisão olham para a segunda liga como pano de fundo para a época que se avizinha, no meio de tudo isto existem os jogadores, muitos deles incapazes de evitar tal cenário mas com qualidade a mais para uma divisão secundária.
Analisando os planteis das equipas despromovidas de Espanha, França, Itália e Inglaterra fica aqui uma lista de trinta jogadores demasiado interessantes para seguirem o seu percurso numa segunda divisão.

Alan Smith – Newcastle (Inglaterra) AV, MC
Chegou a ser considerado uma das maiores promessas do futebol inglês, infelizmente não foi o jogador de top que se esperava mas é ainda assim um craque a ter em atenção, explodiu no Leeds e em 04/05 rumou a Manchester, nas mãos de Ferguson tornou-se um jogador mais cerebral, passou três anos em Old Trafford antes de rumar a Newcastle, para a próxima época o seu talento merece melhor palco.

Tuncay – Middlesbrough (Inglaterra) AV, MO
Mais um craque do Boro que não tem qualidade de sobra, com 27 anos o turco Tuncay apareceu para o futebol mundial na Taça das Confederações em 2003 mas por essa altura já brilhava nos relvados turcos ao serviço do Fenerbahçe que o descobriu no modesto Sakaryaspor. Em 07/08 deixou a sua Turquia para rumar a Inglaterra e em solo de sua majestade tem confirmado o seu valor. Um internacional turco que prima pela finalização mas que é combativo, lutador e incansável, sendo também muito inteligente e forte tecnicamente.

Ricardo Oliveira – Betis (Espanha) AV
Com 29 anos o avançado brasileiro já passou pela Portuguesa, Santos, Valencia, São Paulo, Milan, Zaragoza e Betis, tendo passado pelo clube andaluz por duas vezes. É forte fisicamente, gosta de jogar no meio dos centrais, tem grande capacidade de remate e é muito frio no momento da finalização, contudo não tem sido tão regular como se esperava. Pode estar aqui uma excelente oportunidade de relançar a carreira.

Edú – Betis (Espanha) AV, MO
Número 10 da equipa andaluz e um dos melhores interpretes que jogam no Betis. Chegou à Europa vindo do São Paulo para representar o Celta, de lá saiu para o Betis em 04/05 e por aí ficou, sempre com grande regularidade e bom futebol. Tem boa técnica e é inteligente nas movimentações.

Afonso Alves – Middlesbrough (Inglaterra) AV
Já muito falado para o Benfica, Afonso Alves é um dos casos mais interessantes para clubes de segunda linha europeia, chegou à Europa para o frio Suécia e desde aí (2002) não mais parou de facturar, passou por Örgryte, Malmö FF e Heerenveen até chegar ao Boro. É mais que um avançado puro, tem controlo de bola e sabe trabalhar bem dentro e fora de área, é atleticamente forte, funciona muito bem como pivot ofensivo, remata forte e colocado, marca livres e sabe jogar muito bem colectivamente. Conta já com bastante experiência e aos 28 anos precisa de um novo desafio.

Aliadière – Middlesbrough (Inglaterra) AV
Formado nas escolas do Arsenal, com aprovação do seu compatriota Wenger, estreou-se cedo na primeira equipa e sugeria um futuro risonho, no entanto demorou em afirmar-se e mesmo quando foi emprestado a clubes de menor dimensão não se afirmou. Em 07/08 o Middlesbrough arriscou a sua contratação e valeu a pena, o avançado francês está agora mais maduro, tem 26 anos, mas mantém a velocidade que sempre o caracterizou e foi um dos elementos mais importante da equipa do Boro.

Obafemi Martins – Newcastle (Inglaterra) AV
Já ouvimos falar dele há bastante tempo mas tem apenas 24 anos, apareceu no Inter em 02/03 e desde aí ninguém ficou indiferente aquele vulcão nigeriano que encarava em velocidade o pragmatismo do Calcio, não é um gigante mas tem a força e a combatividade dos mais possantes, aliando as excelentes capacidades físicas a uma astúcia de movimentos muito interessantes. Está em Inglaterra desde 06/07 e é um dos jogadores mais sedutores deste despromovido Newcastle.

Michael Owen – Newcastle (Inglaterra) AV
Muito provavelmente o jogador mais valioso do Newcastle, é o menino precoce que Inglaterra tanto idolatrou, estreou-se na Premier League com apenas 17 anos ao serviço do Liverpool, foi internacional inglês com 18 e a sua qualidade estendeu-se além fronteiras. Em 04/05 rumou ao Real Madrid e apesar dos treze golos em trinta e seis jogos voltou à sua Inglaterra para o Newcastle, esta época foi o melhor marcador da equipa e continua a ser um avançado muitíssimo interessante, veremos onde estará no próximo ano.

Rolando Bianchi – Torino (Itália) AV
Um avançado italiano de 26 anos que deve ser observado com cuidado, já passou por Atalanta, Cagliari, Reggina, Man City e Lazio, antes de chegar ao Torino por cerca de 8 milhões de euros, elevado investimento para o recém despromovido clube italiano. É um número nove esguio (1,88m e 78kg) com capacidade para acelerar o jogo e inteligência de movimentos, muito forte na desmarcação, bom jogo de cabeça e frio em frente à baliza.

Ivan Klasnic – Nantes (França) AV
Um avançado croata formado na escola alemã, com faro de golo e boa compleição física (1,86m e 79kg). É presença assídua na selecção croata, sendo aposta regular da equipa técnica dos Balcãs. Teve os seus melhores momentos no Werder Bremen que deixou esta época para representar o Nantes, infelizmente a aventura gaulesa não foi o que se esperava e pode estar à procura de um novo clube.

Blog: Geração Futebol