
Vinte e dois anos depois, Franky Vercauteren está de regresso a Setúbal. Quis o destino que o novo treinador do Sporting tivesse passado pelo Sado, em 1990.
A visita-relâmpago a Portugal resumiu-se a um simples almoço e a um acordo de cavalheiros que viria a ser inviabilizado, impedindo a transferência do internacional belga para o Farense, então com 32 anos e em final de contrato com os franceses do Nantes.
"Na altura, surgiu essa possibilidade. Entrámos em contacto com o Vercauteren, ele veio a Portugal e promovi um encontro em Setúbal. Ao almoço, chegámos a um acordo com facilidade, para grande surpresa minha", contou António Boronha, à data presidente do emblema algarvio, à RR.
Mas "havia um problema", no qual a vontade da mulher de Franky seria determinante para a "nega" dada ao clube de Faro. "Tratava-se da escola dos filhos. Ele dar-me-ia uma resposta depois de falar com a mulher", recorda Boronha.
"Passados dois ou três dias", o acordo ficou sem efeito. "A parte triste da história é que ele entrou em contacto comigo a dizer que lamentava mas que a mulher considerava que os filhos teriam que prosseguir a educação em casa e não no estrangeiro", lamenta.
Resultado prático: o Farense não apresentou a estrela do futebol europeu e Vercauteren regressou à Bélgica, para assinar pelo Molenbeek. Em 1993, pendurava as botas.
Este domingo, mais de vinte anos depois, Vercauteren volta a Setúbal onde esteve prestes a definir a recta final da sua carreira como jogador estrangeiro a actuar em Portugal. Agora, como técnico do Sporting.