
O mentor e investidor que financiou a colocação da estátua de Eusébio junto ao Estádio da Luz é radicalmente contra a ideia de qualquer alteração que contrarie a génese da sua iniciativa. E a sua posição não se altera um milímetro mesmo que a intenção de Luís Filipe Vieira passe apenas pela colocação de uma estrutura de acrílico ou de vidro, portanto materiais transparentes que continuarão a permitir a visualização da obra, a preservar o mar de cachecóis e camisolas aí dispostos pelos adeptos que, com esse gesto, quiseram prestar uma última homenagem ao Pantera Negra. Ao jornal O Jogo, Vítor Baptista argumenta que
“a estátua teve como ideia-base celebrar a vida, logo não pode ser agora transformada em monumento fúnebre”.
O presidente do emblema da águia revelou horas depois do funeral de Eusébio que o espaço em torno da sua estátua “vai ser preservado”. “Não sei se vai ser fechado em vidro ou de outra forma, mas quer emos homenageá-lo. Foi algo espontâneo e não queremos que seja desmanchado”, justificou Luís Filipe Vieira em entrevista à RTP, anunciando uma intenção que encontra oposição em Vítor Baptista, o emigrante açoriano radicado nos Estados Unidos há mais de 35 anos que mandou fazer a estátua, paga do seu próprio bolso, colocada inicialmente em frente à porta principal da antiga Luz, em 1992 – por altura do 50 º aniversário do King – e agora exposta no Largo dos Fundadores.
“Quando mandei fazer a obra, a minha ideia foi que representasse o Eusébio jovem, pleno de vida jovem, pleno de vida, numa espécie de agradecimento a tantas alegrias que proporcionou aos benfiquistas e portugueses em geral, que aí podiam tirar fotografias para mais tarde mostrar a filhos e netos. Transformá-la agora num local de recordação da sua morte é uma ideia muito pobre, um verdadeiro desastre com o qual não concordo, a que me oponho e que espero não venha a ser uma realidade”, explicou o sócio benfiquista, de 61 anos, residente em Boston.
“Guardem esse momento em fotografia, por exemplo, e exibamno no museu, que é o local indicado para essas recordações”, pediu, acrescentando, em jeito de novo argumento, que em Itália as estátuas de Miguel Ângelo, conhecido escultor italiano, “não estão escondidas numa redoma”.